Diogo Costa: Amor ao FC Porto, ambições e a arte de defender penáltis

  1. Diogo Costa concedeu entrevista ao The Athletic
  2. Renovou contrato e está feliz no FC Porto
  3. O instinto é o maior aliado nos penáltis
  4. Dedicou luta pelo Mundial à memória de Diogo Jota

Diogo Costa, o guarda-redes e capitão do FC Porto, concedeu uma entrevista esclarecedora ao 'The Athletic', abordando diversos temas, desde a sua forte ligação emocional aos dragões, o interesse da Premier League e a sua abordagem peculiar aos penáltis. O jovem guardião não se esquivou a falar do 'assédio' que tem recebido de Inglaterra, especialmente da Premier League, uma liga que muitos jogadores ambicionam alcançar. Contudo, Diogo Costa mantém os pés bem assentes na terra e reafirma o seu amor pelo clube portista.

“Toda a gente sabe que a Premier League é a melhor, ou uma das melhores, ligas do mundo. Se perguntarem a todos os jogadores no mundo se gostariam de jogar na Premier League, acho que não há nenhum que não gostasse. Mas acabei de renovar e estou extremamente feliz. É um sonho tornado realidade e, como vim de uma família portista, estarei sempre feliz aqui”, afirmou Diogo Costa, sublinhando a sua felicidade por representar o clube do coração. O jogador também abordou a questão da sua cláusula de rescisão, um tema que gera sempre especulação: “Cláusula de rescisão? É apenas uma parte do contrato e foi o acordo a que chegámos. Todos os anos há sempre quem pense se vou ficar ou sair, mas isso faz parte da vida de um profissional de futebol”. A sua ligação ao FC Porto é profunda, como o próprio descreve: “Cheguei aqui muito menino, com 13 anos acabados de fazer. Todos temos o sonho de poder jogar na equipa principal e de representar o FC Porto. Vemos tantos ídolos que passaram pelo clube e sonhamos representar o clube da forma que eles representaram. Eu venho de uma família que é portista, por isso toda a gente consegue imaginar o que é jogar pelo meu clube. Existe uma ligação emocional muito mais forte e um grande orgulho”. O guarda-redes portista confessou que nunca imaginou ser capitão tão cedo e que “se tivesse de jogar aqui durante toda a minha carreira, seria extremamente feliz, por isso este é um sonho tornado realidade”.

A sua habilidade em defender penáltis é notória, mas Diogo Costa revelou que, ao contrário do que muitos pensam, o instinto é o seu maior aliado nesses momentos. “Prefiro não ter nada, mas isso é algo muito pessoal. Conheço guarda-redes que levam sempre esses exemplos. Já disse ao nosso treinador de guarda-redes, o Iñaki (Ulloa), mas ele mesmo assim faz. Nunca levo para a baliza, gosto muito de sentir o jogo. Gosto de sentir o que o jogador me está a dizer com a sua linguagem corporal, gosto muito de ver através dos olhos do jogador e também consigo decorar as suas ações de penálti”, partilhou. Questionado sobre os treinos específicos para penáltis, o guardião explicou a sua perspetiva: “Quando treinamos defender penáltis, seja a técnica da queda, a forma como atacas a bola ou as estratégias para poder ser o mais explosivo possível… tudo isso tem um treino por trás. Hoje em dia isso é algo que eu não gosto muito de trabalhar, porque os jogadores com que eu treino não são os jogadores que vou apanhar no jogo. Acho que essa técnica de atacar a bola, de queda e de ser o mais explosivo possível é algo que já se trabalha todos os dias, é quase como o pequeno-almoço, e eu como sempre quase a mesma coisa ao pequeno-almoço”. E acrescentou: “Com a pouca experiência que tenho, fui-me apercebendo que há um treino por trás, mas no jogo é muito instinto também. A leitura da forma como o batedor corre para a bola, ver vídeos, as alterações na corrida tendo em conta o lado que ele escolhe... isso tem mais influência do que treinar penáltis todos os dias. Há uma característica muito importante também, que é o nosso instinto. Saber cheirar, como se diz no futebol, saber o que o jogador vai fazer… isso não é algo que eu goste de treinar todos os dias”.

Sobre o que resta da época e as ambições da equipa, Diogo Costa mostrou-se otimista: “Estamos muito confiantes, porque sempre acreditámos no trabalho desde o início. O mister já falou disso várias vezes, quando disse que nós somos uma equipa da classe trabalhadora. Isso é o mais importante e é isso que nos pode levar ao sucesso. Estamos confiantes porque temos feito esse trabalho bem feito e queremos fazê-lo melhor, seja em termos táticos ou em termos da evolução de cada jogador. Esse é o caminho para se ter confiança e sucesso”. O guarda-redes também comentou a influência do treinador na equipa: “Existe um estilo de jogo, principalmente em posse, e cada treinador tem a sua forma de ver a tática, de criar essas oportunidades ofensivas, e este é o seu estilo. Acho que dá para perceber que mudámos em todas as posições, mas ele já foi treinador de guarda-redes e gostamos de discutir o que é que é melhor ou pior. De um modo geral, não mudou muita coisa, há apenas uma nova forma de jogar, que é a do mister”. Quanto à identidade do clube e da cidade, Diogo Costa foi direto: “O Porto nasceu do sofrimento, em contraste com a capital, e, para se ganhar, costumamos dizer que a qualidade não chega. É preciso querer mais do que os outros e essa identidade já existe desde que o Porto existe. Em relação ao Campeonato do Mundo, o guardião acredita nas chances de Portugal, dedicando a luta pelo título à memória de Diogo Jota:”A nossa expectativa, tal como a de todos os portugueses, e até mesmo a nível global, todos sabem que a seleção portuguesa é candidata a ganhar. Qualidade não falta, mas obviamente temos essa expectativa alta, temos essa exigência de ganhar o Mundial, não apenas pela qualidade, mas também pelo lado muito sentimental. Depois do que aconteceu com o Diogo Jota e o seu irmão, também queremos muito honrá-los ganhando esse título“. A memória de Diogo Jota é um tema sensível, mas crucial para a equipa:”Ainda é algo difícil de falar. Quando falamos do Diogo, falamos das excelentes memórias que temos dele como pessoa e como jogador. É um assunto difícil, não é muito falado, mas é algo que é muito sentido por todos. O Diogo Jota era um jogador com estatísticas muito boas, mas, enquanto pessoa, era uma daquelas pessoas de que toda a gente gosta dentro do balneário, pela sua personalidade e pela sua maneira de ser. Isso é o que nos marca mais, a sua personalidade e o seu caráter. Não é algo de que falemos muito, mas é algo que sentimos muito e queremos honrá-lo".

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