O Benfica garantiu uma vitória tranquila por 3-0 frente ao Aves SAD, num jogo que ficou marcado pelo regresso de Alexander Bah e pela aposta de José Mourinho nos jovens da formação. O lateral dinamarquês, que esteve afastado dos relvados por mais de um ano devido a lesão, foi titular e marcou um dos golos, contribuindo para a tranquilidade encarnada num período conturbado, como destacou o jogador. “Estou muito feliz, passou mais de um ano, mas senti-me bem nos treinos e obviamente que senti muito a falta disto, é um momento muito emocional para mim, porque há muito trabalho duro por detrás e estou muito feliz por estar de volta e em casa”, afirmou Bah, em declarações à BTV, visivelmente emocionado com o seu retorno.
O jogador dinamarquês, apesar da felicidade, mantém os pés na terra e reconhece que ainda tem um caminho a percorrer para atingir a sua melhor forma. “Espero [voltar mais forte], mentalmente de certeza, agora tenho trabalho duro para fazer ainda, claro que não estou ainda no meu melhor, mas cada dia que passa é bom para mim, treinar com a equipa. Estou feliz que o treinador tenha confiado em mim para jogar este jogo”, acrescentou Bah. Sobre o desempenho coletivo, resumiu: “Fizemos um bom jogo, controlámos, especialmente na primeira parte, em que marcámos bons golos, era o que queríamos e os três pontos são muito importantes para nós.”
José Mourinho, por sua vez, não poupou elogios a José Neto, lateral-esquerdo de apenas 17 anos que fez a sua primeira titularidade e teve uma exibição notável. O treinador aproveitou para sublinhar a aposta do Benfica na sua formação. “Uma vitória merecida, contra uma equipa que vive um momento difícil, mas dentro disso vive o seu melhor momento, a jogar melhor e fazer os seus pontos. Uma equipa séria, que a perder 3-0 ao intervalo continuou a fazer o seu jogo e a dificultar o nosso jogo ofensivo. Se calhar a vitória peca por escassa, também por não termos metido um pouco mais de ambição e intensidade, mas é normal, depois do jogo passado e do que está a chegar. Depois, um jogo absolutamente extraordinário de um miúdo de 17 anos. Somos o único clube que mete a jogar esta geração de campeões do Mundo de Sub-17 e acho que quem vê o jogo ninguém acredita que o José Neto tem 17 anos, tal foi a maturidade, tranquilidade, segurança… Contra o jogador mais rápido e perigoso do Aves SAD na primeira parte, na segunda contra um fresco, que entrou… Tranquilidade com bola, a sair, tem de ser um orgulho para quem trabalhou com este miúdo. E pronto, sei que é difícil elogiar o Benfica, mas elogio eu. Acho fantástico ter em campo o Zé durante 90 minutos, depois o Anísio, o Prioste… O Zé Neto foi de longe o melhor em campo. Muito contente com a confiança que lhe dei”, afirmou Mourinho, destacando a qualidade e a maturidade do jovem defesa. O técnico também abordou a estratégia tática: “Quisemos ferir, mas também dar segurança ao nosso jogo. Quisemos que o Zé [Neto] fosse dando estabilidade e depois começasse a projetar-se. Começou a projetar-se mais cedo do que tínhamos pedido. Desenvolvemos muito jogo por aquele lado, foi por ali que resolvemos os problemas contra uma equipa que se compacta muito bem. A resposta da equipa foi boa, com todas as mudanças que fizemos”. Por fim, Mourinho fez questão de agradecer o apoio dos adeptos: “Incrível… Belíssimo, lindo, lindo. Aquele pessoal que começou atrás da baliza… fantástico. Até eu segui o cântico e para os jogadores é uma mensagem bonita, no sentido em que a equipa luta, trabalha, vai ganhando jogos, vai ganhando o máximo de pontos possível. Dá a cara e joga nos limites nos momentos difíceis. Orgulho-me muito como treinador e agradeço ao público o apoio que deram aos rapazes”.
Do lado do Aves SAD, o treinador João Henriques reconheceu as dificuldades da sua equipa. “Não fomos suficientemente competitivos na primeira parte para disputar o jogo. Facilitámos a vida ao Benfica — fomos pouco agressivos em relação ao que tínhamos vindo a fazer. Não fomos competentes em determinadas alturas do jogo, permitimos que o Benfica criasse oportunidades. E o Benfica foi construindo um resultado muito confortável. Na segunda parte, retificámos essa situação da agressividade, melhorámos, tentámos fazer coisas diferentes. Melhorámos defensivamente, mas não conseguimos ferir o Benfica. Talvez uma ou outra vez, mas não tanto como gostaríamos. Fomos gerindo, como o Benfica, para o próximo jogo, nomeadamente alguns jogadores com amarelos, lançámos o Molina, que estava há algum tempo sem jogar. Tivemos contrariedades na primeira parte, como a entorse do Mateus Pivô, o Devenish também sentiu um problema muscular e tivemos de nos proteger. Teríamos de ser mais competitivos e agressivos. Fomos demasiado passivos na primeira parte, o Benfica construiu um resultado confortável e a segunda parte foi mais parecido com o que queremos, mas curta em termos ofensivos”, afirmou Henriques, admitindo a superioridade encarnada. Sobre a abordagem ofensiva, referiu: “Sabíamos que não teríamos o Tunde muito tempo, porque iniciou o Ramadão. Tentámos explorar, até que conseguisse, que ele e o Diego aparecessem nas costas do Tomané, a atrair mais ao meio para ganhar superioridade ou retirar um homem do Benfica daquela zona. Conseguimos aqui e ali, mas precisávamos de ser mais assertivos, sabendo que teríamos de ser eficazes nas oportunidades que criássemos. Mas no último terço não conseguimos. Houve, sobretudo, muita passividade na área, não podemos ser assim. Se quisermos vencer, teremos de ser agressivos e competentes. Aqui, não fomos”.