Rui Borges, o treinador do Sporting, partilhou as suas impressões após a vitória por 3-0 sobre o Moreirense, em jogo a contar para a 23.ª jornada da Liga. O técnico leonino realçou que a equipa não se desviou da sua estratégia, apesar das condições do terreno. “Não fugimos à nossa ideia. O campo não estava nas melhores condições, estava um bocadinho mole, mas a equipa não se escondeu perante uma boa equipa. Se lhes déssemos tempo e espaço, ia ganhar confiança em sua casa. Foi importantíssimo os nossos adeptos fazerem-nos sentir em casa. Olhava para as bancadas e via sportinguistas em todo o lado. Hoje, felizmente, conseguimos finalizar três vezes e até podíamos ter feito mais. O Moreirense, nos 90 minutos, teve dois lances mais perigosos depois do 2-0, mas depois disso tornámos a mandar no jogo. A história do jogo é Sporting, do início ao fim”, afirmou Rui Borges, sublinhando o domínio da sua equipa durante toda a partida.
O técnico refletiu sobre a dificuldade imposta pelo adversário na primeira parte e a capacidade de superação do Sporting. “Foi um jogo difícil, ao intervalo estava 0-0. Podíamos ter feito 1-0 no início, mas não conseguimos. Controlámos o jogo com bola, mas as equipas cada vez mais defendem bem, com mais gente, querem pontos. Na segunda parte entrámos como na primeira, novamente muito bem. Se calhar fomos mais agressivos no último terço a procurar a baliza e a qualidade da equipa resultou no 3-0. Fizemos por isso, o resultado não merece contestação”, analisou Rui Borges, que destacou a melhoria da equipa na segunda parte, especialmente na agressividade ofensiva.
Abordando as questões táticas e a utilização de Pote, que regressou após cumprir castigo, Rui Borges mostrou-se satisfeito com as opções que tem à disposição. “O Pote é mais uma solução. Tem de estar preparado para jogar ou não, como qualquer outro. Mas ficámos mais fortes com o Pote, que é um jogador diferenciado, esteja 100 ou 70 por cento fisicamente. A qualquer momento, desequilibra o adversário. Ficamos felizes por ter todas as soluções, isso torna o coletivo mais forte. Eles sabem que toda a gente está pronta para jogar e sabem que a qualquer momento o mister pode meter qualquer um. Também fico feliz por ver o Fotis (Ioannidis) voltar porque merece ajudar pelo seu carácter e personalidade”, revelou o treinador, enaltecendo a importância de ter o plantel na máxima força.
Sobre a adaptação tática durante o jogo, Rui Borges detalhou os ajustes feitos na equipa. “Às vezes, o Geny estava a baixar um bocadinho a cinco (defesas), não tinha essa necessidade. Estávamos a bater 4 para 3, com o Luís Guilherme alto, e o Moreirense estava a tentar fazer um 5-3-2 e ganhava superioridade com o número oito. Estávamos a tentar ajustar para termos referências. Foi um bocadinho por aí. Os dois médios deles batiam com os nossos, o Alanzinho tentava empurrar o Morita para a largura e dava muito espaço para o 6 receber por dentro. Mas a intensidade da equipa estava tão alta que mesmo nessa pequena superioridade que eles tinham, pouco ou nada conseguiram ligar”, explicou o treinador os desafios táticos impostos pelo Moreirense.
Rui Borges também fez referência à sua ligação emocional ao clube minhoto, expressando gratidão pelas oportunidades concedidas. “Vou ser grato ao Moreirense e às pessoas da sua estrutura toda a minha vida. Deram-me a oportunidade de chegar à I Liga. Fizemos uma grande época, senti-me em casa. É um clube muito familiar. Pela amizade que tenho por todos, e eles por mim, o agradecimento estará sempre presente”, confessou o técnico leonino, demonstrando o carinho pelo ex-clube.
Para Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense, a derrota foi um resultado expectável. “Estamos a jogar contra a melhor equipa da Liga. É muito difícil parar o Sporting. Enquanto tivemos a equipa compacta, conseguimos controlar relativamente a linha ofensiva do Sporting. Muito difícil pressionar, tentávamos pressionar alto, mas levávamos logo com uma bola entrelinhas e com bola sabíamos que ia ser difícil. O facto do campo ser mais pequeno, por um lado é bom, mas por outro é mau contra uma equipa muito agressiva. Conseguimos uma ou outra situação, mas o jogo não tem muita história. São uns justos vencedores”, reconheceu Botelho da Costa, admitindo a superioridade do adversário.
O treinador do Moreirense analisou ainda os momentos que desbloquearam o jogo. “Temos sempre que analisar. Temos ambição de competir com os melhores e a verdade é que a vitória do Sporting nunca esteve em causa. O jogo pendeu sempre para o lado do Sporting, mas o que desbloqueia o jogo, nos dois primeiros golos, são duas desorganizações da nossa parte. Este tipo de erros pequenos tornam-se grandes porque sofremos com isso”, concluiu Vasco Botelho da Costa, salientando que os erros da sua equipa foram decisivos para o resultado.
“Fui festejar com a minha afilhada. Ela dá sorte, porque ganhou sempre quando está presente. Hoje tornei a ganhar. Fui dar-lhe um beijinho. Até disse às pessoas “está aqui a minha sorte”, para quem diz isso. Fui dar um beijinho também ao meu sobrinho, acho que foi a primeira vez que veio a um campo de futebol. Ele estava com a minha família. Só não estava o meu pai, porque sofre muito”, partilhou Rui Borges, um momento mais pessoal após a vitória, revelando a presença de familiares que considera amuletos da sorte para a sua carreira.