Mourinho aborda gestão de plantel e aposta na formação

  1. Mourinho desmistifica a idade como fator limitativo.
  2. Otamendi foi crucial para a coesão do grupo.
  3. Aposta em jovens de 17 anos no Benfica.
  4. Mourinho detalha dinâmicas táticas da equipa.

Numa análise profunda à estratégia de gestão de plantel e à aposta na formação, José Mourinho, em declarações recentes, abordou a forma como lida com a saída de jogadores experientes e a integração de jovens talentos. A visão do treinador revela a complexidade de equilibrar a experiência com a irreverência da juventude, uma realidade cada vez mais presente no futebol moderno.

Mourinho desmistifica a ideia de que a idade é um fator limitativo, sublinhando que a presença de Otamendi em campo não foi apenas simbólica, mas crucial para a coesão do grupo. “Eu fiz muitas mudanças na equipa e, ao fazer muitas mudanças na equipa, quis manter ali três ou quatro jogadores e pensei que o Otamendi, apesar de ser o mais velho de todos e apesar de ser um daqueles que tem mais minutos, eu achei que era importante a presença dele, até para não passar uma imagem errada ao grupo”, frisou Mourinho. A decisão de substituir Otamendi ao intervalo, optando por Tomás, foi estratégica, visando gerir o esforço do defesa, que acumula muitos minutos de jogo. “Naquela posição de central, temos três centrais de um nível altíssimo e neste caso, ao intervalo tirei o Otamendi e pus o Tomás. De facto, até jogámos um jogo grande no Porto, em que jogaram o Tomás e o António, hoje jogar o Otamendi era mais simbólico no sentido de passar aos jogadores a mensagem, pelo menos não incorreta, de que o jogo iria ser fácil, de que o jogo não era importante. Ao ver que o jogo estava daquela maneira, dividi os minutos por ele e pelo Tomás, mantendo o António no jogo, que não tinha jogado no jogo anterior.”

A aposta nos jovens é um ponto de destaque na filosofia de Mourinho, que não hesita em lançar jogadores da formação, independentemente da sua idade. A situação de um lateral-esquerdo de 17 anos é um exemplo claro dessa política. “Se eu estivesse hoje na bancada e não conhecesse os jogadores, não acreditava que o lateral-esquerdo do Benfica tem 17 anos”, afirmou Mourinho, destacando a qualidade dos jovens talentos. Contudo, o treinador lamenta a falta de reconhecimento que esta aposta tem por parte da comunicação social. “Se fosse outro clube a meter a jogar de início com jogadores de 17 anos como nós fazemos e fazemos bastantes vezes, acho que seria a primeira página, acho que seria a abertura de muitos programas, como é o Benfica quase que passa ao lado, mas enquanto treinador eu não deixo passar ao lado o trabalho que foi feito com os jogadores até chegarem à equipa principal, inclusive na Federação.” Essa declaração levanta a questão sobre a dualidade de critérios na avaliação do trabalho dos clubes e realça a dedicação do Benfica em formar e integrar jovens jogadores.

Relativamente às dinâmicas de jogo, o técnico aprofundou a adaptação de jogadores como Ivanovic. “O Anísio é mais aquele atacante que joga de costas para a defesa, que usa a sua técnica em espaços curtos, o Ivanovic é um atacante central em profundidade, de transições. Quando jogamos contra equipas que joguem em blocos baixos, o Anísio é um jogador mais referência do que Ivanovic. Gostamos do Ivanovic, da pessoa e do profissional que é”, observou o treinador, detalhando as características dos seus avançados. Ele também explicou a colaboração entre José Neto e Schjelderup na ala esquerda, que demonstrou ser mais fluida. “Foi mais fácil na esquerda do que na direita. Na esquerda queríamos construir a três com o Neto por dentro e com o Schjelderup por fora. E é uma dinâmica quase natural que vai de encontro às características dos dois. E foi tudo muito fluido por aquele lado.” No entanto, a ala direita, com Bah e Cabral, apresentou alguns desafios iniciais. “No lado oposto, é a primeira vez que o Bah joga com o Cabral. O Bah gosta de atacar a profundidade mais para fora do que por dentro, assim como o Cabral. Houve ali um bocadinho de choques relativamente às zonas ocupadas. Mas já sabíamos que isso podia acontecer.” Estas declarações ilustram a atenção de Mourinho aos detalhes táticos e a sua capacidade de adaptação às características dos jogadores para otimizar o desempenho da equipa.

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