Impacto do Ramadão no Desempenho dos Atletas

  1. Ramadão vai de 17 feb. a 19 mar.
  2. Quatro jogadores muçulmanos em Portugal
  3. Desidratação afeta desempenho atlético
  4. Liga Inglesa permite interrupções durante o Ramadão

Impacto do Ramadão no Futebol

O Ramadão é uma prática islâmica anual que envolve jejum diário entre o nascer e o pôr do sol e tem suscitado atenção no mundo do futebol, especialmente entre os clubes que contam com jogadores muçulmanos. Esta tradição, que começou no passado dia 17 de fevereiro e terminará a 19 de março, leva os clubes a adaptar-se para minimizar o impacto sobre o rendimento desportivo dos seus atletas.

Bárbara Plácido, nutricionista especialista, explica que “a prática do Ramadão provoca alterações metabólicas, hormonais e comportamentais que podem ter impacto relevante no rendimento desportivo”. Entre as consequências, ela refere que “existe, por exemplo, uma menor disponibilidade imediata de glicose, uma diminuição de reservas de glicogénio hepático, assim como uma maior utilização de gordura como substrato”.

Preparação e Nutrição

Os três grandes de Portugal têm ao todo quatro jogadores que exigem atenção especial neste período. Zaidu (FC Porto), Amar Dedic (Benfica), Ousmane Diomande e Faye (Sporting) necessitam de planos nutricionais específicos para garantir que o desempenho está ao nível esperado. De acordo com a nutricionista, “a desidratação diminui o débito cardíaco, e a privação do sono acaba por diminuir a coordenação motora e o tempo de reação do atleta”. Estas alterações podem surgir com um planejamento inadequado e, por isso, a criação de estratégias que incluam boas práticas alimentares é fundamental.

Ainda que o impacto do Ramadão no desempenho dependa de várias condições, como “o estado nutricional prévio, a experiência de treino em jejum, o horário do jogo e também o clima”, as diretrizes nutricionais tornam-se imprescindíveis. A especialista acrescenta que “os maiores impactos nutricionais estão relacionados maioritariamente com o timing das refeições, com a hidratação e disponibilidade energética”.

Estratégias Clubísticas

Na preparação das refeições, Plácido recomenda um foco superior na recuperação e considera essencial ajustar a prática desportiva. Ela menciona que “os clubes têm a missão de apoiar os seus jogadores que cumpram o Ramadão”. Em resposta a isso, muitos clubes estão a desenvolver planos nutricionais personalizados, avaliados diariamente para assegurar que as necessidades dos atletas sejam atendidas.

O planejamento pode incluir, como sugerido pela nutricionista, “adequar as refeições que quebram o jejum e as realizadas antes do amanhecer”. Estas abordagens, se bem executadas, poderão minimizar os impactos provocados pelo jejum. Plácido salienta a importância da hidratação noturna e da quantidade de proteína e hidratos de carbono consumidos diariamente, assim como a reposição de eletrólitos para evitar o risco de desidratação. Ela alertou: “se não forem realizados os ajustes adequados, sim”, os jogadores poderão enfrentar dificuldades.

Riscos e Considerações Finais

Além disso, Bárbara Plácido menciona que a desidratação pode “diminuir a elasticidade do músculo”, aumentando assim o risco de lesões. O planejamento nutricional é, portanto, essencial para garantir um desempenho estável, onde “quando a estratégia nutricional é bem planeada, o impacto pode ser mínimo”. Em última análise, a força do atleta pode ser afetada pelo jejum, que é “dependente da proteína total, da hidratação e da disponibilidade de hidratos de carbono”.

Adicionalmente, a Liga Inglesa de Futebol volta a permitir pequenas interrupções nos jogos durante o Ramadão, entre 17 de fevereiro e 18 de março, para que os futebolistas muçulmanos possam quebrar o jejum, o que pode servir de modelo para outras ligas.

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