O palco está montado para um grande confronto na Liga dos Campeões, com o Benfica a receber o Real Madrid. A expectativa é alta, e a visão do ex-futebolista António Simões, campeão europeu pelas águias em 1961/62 contra os espanhóis, aponta o talento individual como o fator decisivo. Em declarações à agência Lusa, Simões antecipou: “O futebol é uma arte em movimento e requer uma inteligência específica. O talento sempre foi determinante e agora ainda é mais. Toda a gente tem conhecimento da organização coletiva, mas o que desequilibra é o talento e a eliminatória será resolvida por aí”.
O confronto entre Benfica, bicampeão em 1960/61 e 1961/62, e Real Madrid, que ostenta 15 troféus na competição, acontecerá na terça-feira, às 20h, no Estádio da Luz. A segunda mão está marcada para 25 de fevereiro, na capital espanhola. António Simões, que representou o Benfica entre 1961 e 1975, sublinha a importância da motivação: “O Real Madrid é um clube fantástico e traz um historial nesta prova melhor do que qualquer outro clube, mas o Benfica tem um passado europeu, ao qual felizmente estou ligado, e deve aproveitar para fazer mais história. Se tudo isto for colocado na cabeça [dos atletas], pergunto qual é a motivação maior, senão jogar na Liga dos Campeões contra o Real”. O Benfica chega a este jogo embalado pela vitória (4-2) sobre o Real Madrid na fase de grupos, um resultado que lhe garantiu o apuramento. António Simões questiona, face a esse resultado: “Será que o Real se afastará de algum complexo por causa dessa vitória que o Benfica justamente mereceu? É a incógnita e o grande desafio”.
No entanto, o Benfica que se prepara para este embate é uma versão que muitos apelidam de special one
da era José Mourinho. O triunfo (2-1) sobre o Santa Clara, nos Açores, consolidou a boa fase da equipa, que, apesar de um arranque com atraso significativo no campeonato e na fase de grupos da Liga dos Campeões, conseguiu salvar a sua época europeia com a memorável vitória sobre o Real Madrid. Este Benfica, fortalecido pelo mercado de transferências com as entradas de Rafa (Besiktas) e Sidny Cabral (Estrela da Amadora), apresenta uma melhoria notável na qualidade do futebol. A equipa domina os jogos, pressiona na construção adversária e os números refletem essa evolução: o Benfica tem mais dois pontos em relação ao campeonato do ano passado (52-50), uma defesa mais sólida (13-18) e uma maior diferença entre golos marcados e sofridos (33-32). Mourinho, que já conquistou a Liga dos Campeões com o FC Porto (2003/04) e o Inter Milão (2009/10), traz um vasto capital de experiência para este tipo de jogos. António Simões conclui sobre a influência do treinador: “Mourinho tem um capital de experiência e de conhecimento da dimensão destes jogos e desta prova e saberá fazer chegar isso ao plantel. Agora, quando a partida começa, o treinador pouco mais pode fazer e os atletas depois respondem ou não. Neste caso, com a ajuda de Mourinho, eles têm de perceber que estarão a disputar jogos que dão carreira e, se ganharem, prestígio. O desafio é o do brio. Foi assim que aprendi na vida”.