A entrada de Nuno Santos em campo, após 15 longos meses de paragem devido a uma grave lesão no joelho direito, foi um dos momentos mais emotivos do recente jogo do Sporting contra o Aves SAD. A sua entrada, aos 77 minutos, foi recebida com uma ovação em Alvalade, um claro sinal do carinho dos adeptos leoninos. Contudo, apesar da euforia do momento e da vontade do jogador em contribuir, a prudência é a palavra de ordem da equipa técnica e médica do clube de Alvalade.
A psicóloga Liliana Pitacho sublinha a complexidade do processo de recuperação, especialmente após lesões recorrentes. As lesões e paragens prolongadas tornam o regresso à competição mais difícil, com medos e hesitações. ““A adaptação à nova fase de competição pode ser sempre mais limitada devido a esses receios, do contacto, de determinados movimentos, a estar mais atento à parte física e a qualquer dor que possa surgir do que necessariamente a alguns lances de jogo e isso pode-se ressentir na fase inicial””
, explica. No entanto, o apoio psicológico e a preparação mental são fundamentais, como realça Pitacho: ““Mas, com certeza, tendo em conta todo o dispositivo da área clínica que o clube tem, acredito que o atleta esteja a ser acompanhado e a preparação deste regresso tenha sido feita também do ponto de vista mental.””
O Impacto do Apoio dos Adeptos: Motivação e Pressão
A psicóloga Liliana Pitacho destaca a importância do apoio dos adeptos como uma faceta de dupla aresta. ““O jogador sempre sentiu que o seu regresso era desejado, acho que isso ficava patente muitas vezes, quer junto dos adeptos, quer mesmo junto da equipa técnica e isso, obviamente, é uma motivação, mas também é uma pressão suplementar””
, afirma.
Essa pressão, aliada ao receio de uma nova lesão, pode gerar ansiedade. ““A questão de estar de volta, a pressão do peso do regresso e o receio de uma futura lesão pode colocar o atleta sobre pressão extra. Cria uma ansiedade maior para quem entra em competição””
, conclui Liliana Pitacho.
Ansiedade e Propensão a Lesões
Liliana Pitacho adverte que ““Sabemos que quanto maior os níveis de ansiedade, maior a propensão de lesão nos atletas, porque o foco está mais disperso e, portanto, pode acontecer com maior probabilidade. Mas, acredito que a preparação para o regresso também tenha sido feita a nível mental.””
A psicóloga enfatiza que a ansiedade, além de prejudicar o desempenho, pode aumentar a probabilidade de novas lesões, pois dispersa o foco do atleta durante o jogo.
A Decisão Prudente: Proteção do Atleta
Face a este cenário, Nuno Santos não deverá somar minutos no clássico contra o FC Porto. Esta decisão visa proteger o jogador do excesso de carga competitiva e prevenir possíveis recaídas.
A recuperação plena de Nuno Santos é a prioridade, demonstrando uma abordagem cautelosa e responsável por parte da equipa técnica e médica do Sporting. Esta gestão visa assegurar que o regresso do atleta seja sustentável e duradouro.