Rui Águas elogia Anísio Cabral mas pede cautela

  1. Anísio Cabral marcou dois golos em duas aparições pelo Benfica.
  2. O último golo de Anísio foi decisivo contra o Alverca.
  3. José Mourinho pediu calma com Anísio, de 17 anos.
  4. Rui Águas salienta que Anísio tem potencial.

Anísio Cabral tem sido uma das figuras em maior destaque no Benfica, com o jovem luso-guineense a marcar dois golos em duas aparições no banco de suplentes, o último dos quais decisivo para a vitória frente ao Alverca. Este impacto imediato na equipa de José Mourinho tem deliciado os adeptos, que olham para o jovem como uma aposta de futuro. Contudo, o treinador encarnado já havia pedido calma com o jogador de apenas 17 anos, uma cautela partilhada por Rui Águas, antiga glória do Benfica, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto.

Rui Águas não tem dúvidas de que Anísio Cabral terá sucesso no Benfica, mas pede prudência. “Podemos dizer que o Anísio está a ser uma espécie de amuleto da sorte. Tem estas duas entradas muito felizes, claro, que têm a ver não só com a sua capacidade, mas também com o fator sorte, que é importante. Só isso também explica que o primeiro toque na bola que se dá num jogo, ainda mais na parte final deste frente ao Alverca e decisivo, resulte em golo. Se não é algo inédito, anda lá muito perto. É uma alegria suplementar que traz a todo o grupo, aos adeptos, e também a importância que representa este último golo para manter a equipa mais próxima dos rivais”, começou por afirmar o antigo avançado. As palavras de Mourinho sobre a necessidade de ter calma com Anísio são, para Rui Águas, um discurso sensato. “Faz parte este típico discurso do treinador, e não deve ser só do treinador, deve ser também dos colegas, da família, de quem o acompanha, porque isto não vai suceder sempre assim. Isto é muito feliz, é muito importante para ele e para o clube, as duas ocasiões em que conseguiu marcar, e marcar golos muito vistosos. Mas a verdade é que acabam por ser excepções. O Anísio é muito jovem ainda, potencial não lhe falta por aquilo que tem mostrado. Mas o caminho faz-se sempre com algumas oscilações, e é nas oscilações que os jogadores mais jovens ou menos jovens têm de o suportar”, prosseguiu.

Analisando as características de Anísio Cabral, Rui Águas destacou as diferenças em comparação com Pavlidis, o goleador da equipa. “Falando de Pavlidis, sim, tem muitas valias enquanto ponta de lança, mas o jogo aéreo não é uma delas e o tempo que já leva no Benfica comprova isso. Este miúdo acrescenta essa qualidade. E é uma qualidade que, para quem ataca mais e para quem defronta equipas que se resguardam e que deixam poucos espaços, é um alternativo importante. E isto é um bem e uma valia que o Mourinho tem sabido aproveitar. Sabe o poder que o Anísio tem, embora ao mesmo tempo tenha dito que ele não é grande coisa no jogo de cabeça. Achei isso mais brincadeira do que uma verdade. Por aquilo que vi, e foi pouco, os dois cabeceamentos que fez são exemplares e impressionantes. Fico à espera que mais aconteçam”, alvitrou. Nos dois jogos em que marcou, Anísio Cabral saiu do banco de suplentes, o que, para Rui Águas, cria a necessidade de aliviar o jovem do estatuto de salvador. “Vamos esperar que isto aconteça sempre que o rapaz entra. Ele também sabe disso, e as pessoas que o rodeiam também. Faz parte do papel do treinador centrar os atletas de acordo com a sua importância, com a sua experiência, a idade. Isso é um trabalho que Mourinho faz como ninguém. É uma pessoa que comunica muito bem. Mais do que nervosismo, eu vejo um rapaz muito confiante, que é uma característica que é muito forte em quem joga na frente, em quem tem de marcar, em quem tem de reagir a um falhanço. Do pouco que tenho tido oportunidade de assistir, vejo um rapaz muito jovem, mas, ao mesmo tempo, muito controlado, muito seguro. Não aquela euforia desmedida, aquela emoção de não acabar, isso para já é um bom sinal. Claro que não é só ele que fará a sua carreira. Há gente que o rodeia que tem essa responsabilidade”, frisou.

Rui Águas sustenta ainda que este crescimento de Anísio Cabral vai retirar espaço a Franjo Ivanovic, que tem tido poucas oportunidades. “Pelo menos nesta fase, com tudo aquilo que o Anísio tem conseguido, não tenho dúvidas que crescem as dificuldades para o Ivanovic se impor. Ao mesmo tempo, tenho ouvido do Mourinho muitos elogios em relação à postura, ao trabalho e à atitude do Ivanovic. O Mourinho tem explicado que na escolha, com pouco espaço atrás das defesas, como normalmente acontece, as características dos avançados importam. O Ivanovic é um jogador essencialmente de espaço, de velocidade. Quer o Pavlidis, quer este miúdo são jogadores muito à vontade no apoio frontal, no apoio que dão aos médios, em aguentar a posse de bola. São jogadores diferentes e o Mourinho tem explicado muito claramente o porquê das suas escolhas”, finalizou.

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