Mariana Cabral quebrou o silêncio sobre a sua saída do comando técnico da equipa feminina do Sporting. Numa recente entrevista à SIC Notícias, a ex-treinadora-adjunta dos Utah Royals abordou os motivos que a levaram a deixar as leoas.
Cabral explicou: “As coisas não correram da forma que eu entendia que poderiam correr e, por isso, achei que seria o melhor para mim, também para o clube e para as jogadoras, que houvesse outro caminho. Não partilhámos as mesmas ideias.” Este relato revela a dificuldade enfrentada no seu papel, onde a falta de alinhamento de ideias parece ter sido um ponto crucial.
Desigualdades no tratamento das equipas
Além disso, Mariana destacou a diferença no tratamento das equipas masculinas e femininas, salientando: “O treinador, no futebol masculino, não tem de estar todos os dias a pedir para treinar num relvado e não num sintético. Não tem de se queixar porque está a treinar com 15 bolas e todas diferentes umas das outras.” Esta observação sublinha inequívocamente as desigualdades ainda presentes no desporto, onde as condições oferecidas podem variar significativamente de acordo com o género da equipa.
A reflexão de Cabral vai além da sua experiência pessoal e toca em um tema mais amplo relacionado à gestão e às expectativas que os treinadores enfrentam. A ideia de que “já não me apetecia ter de estar todos os dias a lutar por algo” expressa não apenas o seu descontentamento, mas também um cansaço com a situação que se perpetua no futebol feminino, onde a luta por recursos e reconhecimento é constante.
Necessidade de mudanças no futebol feminino
Esta entrevista não apenas esclarece a saída de Mariana Cabral do Sporting, mas também lança luz sobre a necessidade urgente de mudanças nas estruturas e mentalidades que cercam o futebol feminino. A voz dos treinadores, como a de Cabral, deve ser escutada para promover um ambiente de igualdade e respeito no desporto, que muitas vezes é desconsiderado.
A noção de que a igualdade no desporto vai além da superfície é fundamental. Ter treinadores que sintam que têm o suporte necessário e que podem operar em condições justas é vital para o crescimento e a evolução das equipas femininas. Assim, a história de Mariana Cabral pode ser um passo em direção a um futuro mais justo no futebol feminino.