A análise da 24.ª jornada da I Liga de futebol, que colocou frente a frente Vitória de Guimarães e Alverca, revelou perspetivas distintas após o empate a uma bola. Luís Pinto, treinador do Vitória, não hesitou em expressar a sua insatisfação com a exibição da sua equipa. “O que era preciso ter feito mais? Muita coisa, exceto a segunda parte até ao golo sofrido, tudo o resto foi pobre, demoraria muito a responder a isso…”
, afirmou o técnico, evidenciando as falhas que, a seu ver, marcaram a atuação dos vitorianos, que somaram o segundo jogo sem vencer e viram o sonho europeu cada vez mais distante. O empate deixou o Vitória no nono lugar, com 32 pontos, a distantes 13 do Sporting de Braga, quarto, e oito do Gil Vicente, quinto.
Luís Pinto aprofundou a sua análise, apontando problemas na construção de jogo e a vulnerabilidade da equipa. “Posso tentar arranjar justificações para a má entrada em jogo, a equipa perdia a bola sem oposição e de uma má receção nossa sofremos uma ocasião de golo e ficou a sensação de que estávamos sempre vulneráveis”
, descreveu o treinador, realçando a falta de consistência que permitiu ao Alverca criar oportunidades. Ao ser questionado sobre as razões por trás da má exibição, Pinto associou os problemas mais a questões mentais do que físicas. “Associo mais ao momento em que sofremos o golo. Estava a ser o nosso melhor período e tem mais a ver com questões mentais. O acerto voltou a ser menor e a disponibilidade física parecia menor também”
, explicou, indicando que a quebra de concentração após o golo sofrido afetou o desempenho global da equipa. O treinador reconheceu ainda a incapacidade da equipa em assumir o controlo do jogo. “Vimo-nos na necessidade de assumir o jogo, não tivemos capacidade para o fazer e o Alverca no final tem muito mais domínio do que nós”
, concluiu, sublinhando o domínio do adversário na fase final da partida.
Já Custódio Castro, técnico do Alverca, destacou a evolução da sua equipa e a importante conquista do empate, que deixa os ribatejanos mais próximos da permanência. “Entrámos muito bem na partida, na interpretação dos espaços, a ganhar a bola e nos momentos de pressão”
, revelou o treinador, elogiando a atitude inicial dos seus jogadores. No entanto, o técnico admitiu uma quebra de rendimento no início da segunda parte. “É um facto que não tivemos a entrada que esperávamos na segunda parte, sofremos o golo quase na bola de saída. Depois, demorámos 10 a 15 minutos a reentrar no jogo”
, admitiu Custódio Castro. Apesar do percalço, a reação da equipa foi elogiada: “O nosso golo deu-nos confiança, crescemos e podíamos ter tirado algo mais do jogo”
, afirmou. Custódio Castro reconheceu a dificuldade do confronto e elogiou o Vitória. “É dificílimo jogar em Guimarães, o Vitória é o campeão de inverno, ganhou um título [Taça da Liga], mérito do seu treinador, que é um grande treinador”
, destacou. O treinador do Alverca, apesar de ambicionar mais, expressou confiança na permanência da equipa na I Liga. “Não saio satisfeito com o resultado. Podíamos ter tirado algo mais”
, disse, acrescentando: “Tenho a cara sisuda por vezes, mas sou uma pessoa muito positiva e confiante. (...) Sou sempre confiante e passo isso aos jogadores, não interessa se estamos seis jogos sem ganhar ou não, o objetivo é manter o Alverca na I Liga”
, assegurou. Custódio Castro também enfatizou a evolução do Alverca, que agora é uma equipa reconhecida no campeonato: “Agora, olham para o Alverca e todos conhecem os jogadores e sabem do que a equipa é capaz.”
Com 27 pontos, o Alverca ocupa o 10.º lugar, numa posição tranquila para a manutenção.