No rescaldo do confronto entre Estoril e Gil Vicente, que culminou com a vitória da equipa da casa por 3-1 na 23.ª jornada da I Liga, os treinadores César Peixoto e Ian Cathro partilharam as suas perspetivas sobre a partida. As declarações de ambos os técnicos convergiram num ponto: a qualidade do espetáculo proporcionado e a incerteza do desfecho.
César Peixoto, treinador do Gil Vicente, iniciou a sua análise reconhecendo o mérito do adversário, mas sublinhando o equilíbrio do jogo. “Foi um jogo que deixou satisfeito quem veio ao estádio, com duas equipas a querer os três pontos. O Estoril foi mais feliz e eficaz. Este resultado não era o que queríamos, mas não belisca em nada o que temos feito. Temos de usar este jogo para melhorar. Faltou agressividade, o Estoril foi mais forte aí e ganhou supremacia. No cômputo geral, foi tudo muito equilibrado, caiu para o Estoril, podia ter caído para nós”, afirmou Peixoto. Reafirmou a ideia de que o resultado poderia ter pendido para qualquer um dos lados, enfatizando a necessidade de a sua equipa aprender com este desafio: “Temos de olhar para este jogo e que nos possa servir para ainda crescermos mais, pois temos capacidade de fazer mais e melhor. Temos de refletir, conversar com a equipa, mostrar onde é que não estivemos tão bem. Temos de ir jogo a jogo. Há muitas equipas com qualidade, temos conseguido ser melhores, mas hoje não aconteceu. Agora temos de dar já uma boa resposta frente ao Benfica e perceber o que temos de melhorar para crescer mais um bocadinho.” Estas palavras demonstram a vontade de superação e a consciência de que cada partida é uma oportunidade de evolução para o conjunto gilista.
Ian Cathro, técnico do Estoril, partilhou do sentimento de um bom jogo de futebol, valorizando a entrega das equipas. “Concordo, não gosto de falar de justiça, até porque sei que o futebol não é justo, mas tivemos um jogo com muita qualidade, com duas boas equipas e com bons jogadores. Há um bom treinador do outro lado. Foi um bom jogo de futebol, senti-o vivo, e é muito fixe ter jogos assim neste campeonato. Senti que tivemos mais gente no estádio, fico agradecido aos adeptos por estarem lá e criarem um bom ambiente. Foi um bom jogo de futebol”, referiu Cathro. Realçou o espírito da sua equipa e a capacidade de dar a volta por cima, o que é crucial em momentos de adversidade. “Só posso dar os parabéns aos jogadores pelo espírito que existe no grupo, a capacidade de dar a volta de cada vez que temos uma dificuldade. Perguntam-me sobre uma má fase, não olho para as coisas assim, temos uma maneira de estar e de trabalhar. Esta equipa mostrou uma confiança muito alta e uma agressividade para acompanhar essa confiança com bola. É possível criticar qualquer equipa de futebol, mas ninguém pode criticar a nossa mentalidade e capacidade de competir, mesmo levando aquele soco na cara no último jogo.” O treinador dos canarinhos teceu ainda elogios individuais, mas sempre numa perspetiva coletiva. “É um jogador e uma pessoa que está numa evolução muito importante, percebe cada vez melhor o jogo e os colegas. Se a nossa equipa defender na nossa área e sairmos só em transição, não sei se vai fazer 17 golos. Os golos surgem pela forma como jogamos enquanto equipa, se ele não tiver a capacidade de pressionar alto e os colegas também não pressionarem alto, talvez não faça 17 golos. Devemos olhar para o jogador individual, mas não gosto muito de fugir ao coletivo.” Neste contexto, destacam-se os dois golos de Begraoui, que, segundo a crónica, aproveitou o intervalo para se alimentar devido ao Ramadão e regressou com “fulgor para uma segunda parte de sonho”.