O jogo entre o Benfica e o Real Madrid, que ficou marcado pelo alegado incidente entre Prestianni e Vinícius Júnior, continua a gerar controvérsia, com especial atenção aos acontecimentos nas bancadas. Registaram-se atitudes de adeptos a imitar macacos, comportamento que levou à abertura de um processo de averiguação interno, o qual, apurou o jornal O JOGO, está em fase de conclusão. Segundo a informação recolhida, os comportamentos visam apoiantes com Red Pass partilhado. As imagens que vieram a público desencadearam um complexo processo de rastreamento, que em breve estará finalizado. Os responsáveis encarnados estão empenhados em ir “até às últimas consequências para que estes comportamentos não se voltem a repetir na Luz”, o que poderá resultar em processos disciplinares e, em última instância, na expulsão dos sócios envolvidos. O Sport Lisboa e Benfica, entretanto, já declarou que “encara com total espírito de colaboração, transparência, abertura e sentido de esclarecimento as diligências anunciadas pela UEFA, na sequência do alegado caso de racismo ocorrido no jogo frente ao Real Madrid”. O clube reitera “o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão”, e reafirma que “apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni”.
Em resposta aos acontecimentos e à polémica gerada, Luisão, antigo jogador do Benfica, utilizou as redes sociais para se pronunciar. Numa extensa publicação no Instagram, o antigo capitão reitera a sua posição, afirmando: “Nunca me calarei diante da discriminação de uma minoria que não representa o clube que amo”. O ex-central fez questão de sublinhar que “o racismo não pode ser relativizado” e que a celebração de Vinícius Júnior “nunca foi o problema”, não justificando, de forma alguma, atos racistas. Luisão, que defendeu a camisola do Benfica “com tudo o que tinha” e considera que “o Benfica é parte da minha história”, vê-se na obrigação de falar. Ele enfatiza que “racismo não tem clube, não tem camisola, não tem lado” e que “não pode ser relativizado”. Sobre a origem da polémica, Luisão refere que “tudo começou com uma comemoração, um gesto de alegria após um golo” e que “dançar não é desrespeito, é expressão”. O antigo defesa central não poupa nas palavras ao afirmar que “a dança nunca foi o problema”, mas sim a tentativa de “transformar uma comemoração em justificativa para ofensas racistas. Nada justifica isso. Nem provocação, nem rivalidade, nem o calor do jogo. Um estádio não é um território sem valores.”
O posicionamento de Luisão não passou sem reações, tendo o próprio revelado que foi alvo de insultos. Apesar disso, declara: “Também fui alvo de ofensas, inclusive racistas, depois de me manifestar. Isso dói, mas não me fará recuar.” O ex-jogador mantém-se firme na sua convicção, afirmando que “o Benfica tem uma história enorme, respeitada no mundo inteiro. Uma história maior do que qualquer episódio isolado. É isso que precisa prevalecer.” Conclui, deixando uma mensagem clara: “O meu amor pelo clube permanece intacto, assim como o respeito e a gratidão pelos seus adeptos. O meu apoio é inegociável, na Luz ou em qualquer estádio.” Para Luisão, “o futebol é paixão e intensidade. Mas, antes de tudo, é humanidade. E humanidade não admite racismo.” Por último, o antigo capitão faz um apelo à reflexão coletiva: “Que saiamos deste episódio melhores. Como clube, como adeptos, como sociedade. Porque jogos passam. Títulos passam. Mas caráter e valores ficam”.