Nuno Catarino, CFO do Benfica, apresentou os resultados financeiros do clube relativos ao primeiro semestre de 2025/26, revelando um lucro de 29 milhões de euros. Em entrevista à BTV, o mesmo sublinhou a performance obtida neste período.
“O resultado de 29 milhões de euros é obviamente bastante bom”, afirmou Catarino, destacando o crescimento de 6% no resultado recorrente operacional, que atingiu os 6,7 milhões de euros. “Temos, de facto, um resultado de 29 milhões de euros, em que eu destacaria aqui duas componentes. Temos cerca de 6,7 milhões de euros, que é um bocadinho o resultado a que nós chamamos o resultado recorrente do clube. É a forma como nós, internamente, olhamos para o clube, ou seja, sem algumas operações extraordinárias que possam ter ocorrido e que ainda ocorrem dentro da esfera do clube. Mas, sobretudo, sem olhar para o que é o negócio do futebol, que esse teve um resultado líquido de 40 milhões de euros. Depois, o Clube faz a apropriação desse resultado na justa proporção das ações que tem e isso resulta no tal resultado de 29 milhões de euros”, detalhou o CFO. O dirigente reforçou a importância de analisar o clube sem considerar o futebol para uma melhor perceção: “Se queremos ver o clube sem o futebol, porque o futebol podemos sempre vê-lo à parte, olhando para a SAD, é talvez a maneira em que se pode ter mais granularidade e melhor entendimento do que estamos aqui a falar.”
Catarino explicou que o aumento de 6% nas receitas operacionais se deveu, em grande parte, ao bom desempenho da quotização e do merchandising. “Temos visto a dinâmica dos novos sócios. Obviamente, as eleições e o interesse que houve nas eleições ajudaram a que este número tenha crescido. Também aproveito para dizer que não tem baixado desde então, por isso, mantém-se bastante forte. Mas, no futuro, será natural que cresça um bocadinho menos. Eu acho que tem estas duas componentes. É uma área em que nós temos bastante cuidado, também investimos bastante na recuperação de sócios, em falar com as pessoas, arranjar formas, porque às vezes as pessoas têm dificuldades de arranjar alternativas para que elas possam pagar as quotas, porque as quotas são obrigatórias, não há isenção de pagamento. Fazemos muito trabalho e isso tem-nos dado um crescimento bastante saudável. Neste ano temos um crescimento muito bom e, obviamente por essa posição, um novo recorde a nível de quotização”, salientou. Catarino também celebrou o recorde de vendas em merchandising: “Também tivemos um novo semestre recorde de crescimento. Também temos feito bastantes investimentos no merchandising, até de abertura de lojas, de crescimento do digital, e isso tudo está a ser refletido.” A única área a registar decréscimo foram os royalties da marca, “devido à diminuição dos rendimentos da Benfica SAD” devido ao mercado de transferências, no entanto Nuno salientou que: “Apesar dessa baixa, a receita total do clube sobe 3% e novamente para um patamar recorde histórico. Em paralelo com este crescimento da receita, temos o crescimento dos custos operacionais nos 2%, ou seja, temos um crescimento de custos abaixo da inflação, na prática. Crescimento da receita acima da inflação e acima dos custos, os custos um bocadinho abaixo da inflação, o que dá um crescimento muito saudável daquilo que chamamos de resultado recorrente de cerca de 6%”.
Relativamente aos desafios futuros, Nuno Catarino abordou a possibilidade de o Benfica não se qualificar para a Liga dos Campeões na próxima temporada, assegurando que o clube fará os “ajustamentos necessários”. “Para já, o cenário, obviamente, é de chegarmos à Liga dos Campeões. Esse é o cenário central e é sempre para isso que trabalhamos. Nalguma eventualidade, eu acredito, muito remota, de ser algo diferente – também já aconteceu no Benfica no passado, e acontece em muitos outros clubes –, tem de se fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo do Benfica. Mas estaremos cá para fazer esse trabalho”, disse. O CFO também detalhou a estratégia do empréstimo obrigacionista, explicando que “A operação enquadra-se naquilo que é a estratégia de financiamento da SAD. Até há bem pouco tempo, a SAD tinha feito recorrentemente empréstimos anuais de três anos, ou seja, três linhas que renovavam todos os anos, porque o prazo é de três anos. Nós alterámos a estratégia no ano passado, fizemos aqui um alongamento de prazos. No ano passado, fizemos uma emissão de quatro anos, neste ano estamos a fazer uma emissão de cinco anos.” Sobre o objetivo do empréstimo, esclareceu “não servem para atacar o mercado no final da época”, mas sim para “reduzir os custos, porque cada emissão tem os seus custos. Fazendo emissões mais longas, acabamos por diluir o custo dessa própria emissão e temos de ir menos vezes ao mercado para fazer novas emissões. Mas também para os nossos investidores e do entendimento que temos do que pedem, eles também têm os seus próprios custos.” No contexto do Benfica District, projeto de reestruturação do complexo do clube, Nuno Catarino informou que está em fase de licenciamento, referindo que “Neste momento estamos a falar com quase todos os departamentos, empresas municipais, e está-se a fazer esse trabalho de campo. Esperamos ter uma resposta para o licenciamento nos próximos meses”. Admitiu, contudo, que “a partir de 2027, possa haver algumas disrupções na envolvente do estádio, porque isso decorre das obras”, e que as modalidades serão afetadas: “Estamos a procurar espaços para que as nossas equipas possam jogar, estamos a arranjar alternativas, e vai haver duas épocas com alguma convulsão, que é a parte em que se está a reconstruir, para melhor, toda a parte desportiva”. Finalmente, o CFO explicou o aumento dos gastos nas eleições do clube, sublinhando que “Quando fizemos uma orçamentação de 550 mil euros, assumimos um pressuposto de umas eleições que seriam certificadas, mas, como era possível, desde que não houvesse oposição de todas as listas ao voto eletrónico, assumimos uma opção mais económica de poder fazer o voto eletrónico, como já se tinha feito no passado, já para o estrangeiro. Nunca tinha acontecido uma segunda volta. Quer dizer, não íamos orçamentar já uma segunda volta, que não duplica, mas quase duplica. Ou seja, há aqui dois elementos. O que aconteceu foi que, a partir do momento em que caiu essa opção [do voto eletrónico], e isso foi uma decisão das listas, os serviços só têm de a executar, tivemos de alargar o número de locais de votação, para se votar no estrangeiro. Foi toda uma operação que foi, de facto, muito pesada”. Concluiu que “as estimativas de custo já estavam nos 4/5 milhões de euros, mas conseguimos negociar muita coisa no momento e conseguimos fechar nos 3,2 milhões de euros.”