Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, teceu duras críticas às declarações de Rui Costa sobre o momento atual da equipa, em especial no que toca à continuidade do treinador. Tavares sublinha que as palavras do presidente “fragilizam a mensagem de confiança no treinador”
, criando incerteza num momento que exigia estabilidade. A sua análise focou-se na perceção pública das declarações de Rui Costa, feitas à margem de uma reunião na Assembleia da República.
Segundo Tavares, as afirmações de Rui Costa sobre a continuidade de José Mourinho “acabam por revelar um problema essencial de comunicação num momento que exigia precisamente o contrário: clareza e reforço inequívoco da liderança técnica. Ao afirmar que”
ninguém é imune a nada no Benfica", Rui Costa introduz uma nota de incerteza que colide com a necessidade de estabilidade. Mesmo que a intenção tenha sido transmitir exigência interna e responsabilidade transversal, o efeito público é outro: fragiliza a mensagem de confiança no treinador. Para o antigo dirigente, estas declarações geram receios e dúvidas onde deveria haver um posicionamento claro e inabalável.
Fernando Tavares reitera que a “posição institucional deve ser sólida e alinhada”
. E reforça: “Se o objetivo era garantir a continuidade de José Mourinho, então a comunicação deveria ter sido direta, sem reservas nem ambiguidades. Ao abrir essa exceção, ainda que em abstrato, cria-se ruído onde devia existir apenas segurança.”
O ex-vice-presidente conclui: “mais do que o conteúdo isolado da frase, é o timing que levanta questões”
. E acrescenta: “a introdução de uma ideia de 'não imunidade' acaba por ser contraproducente. Exigência e estabilidade não são incompatíveis, mas devem ser comunicadas com precisão. Neste caso, a intenção pode ter sido uma. O impacto acabou por ser outro, mantendo os meios a debater alternativas: Amorim, Peixoto, Marco Silva, Gattuso… hoje quem será? Para além disso José Mourinho não é mais um. As avaliações fazem-se no fim.”