Após a vitória de Portugal sobre o Chile por 2-1, num jogo amigável de preparação para o Mundial de 2026, Roberto Martínez, o selecionador nacional, teceu considerações sobre a exibição da equipa e os desafios enfrentados. A expulsão de Rafael Leão foi um dos pontos de maior destaque, levando o técnico a sublinhar a necessidade de preparação mental
, que Martínez enfatizou como essencial para a avaliação e crescimento do grupo.
Em declarações à imprensa, Roberto Martínez começou por destacar a natureza formativa do embate, afirmando: “Acho que, como jogo amigável, foi um jogo interessante, pois permitiu trabalhar vários aspetos. Na primeira parte, estivemos bem, colocámos o Chile no seu meio-campo, mas faltou melhor finalização. Na segunda parte, tivemos mais espaço, o que acentuou a possibilidade de mais duelos. Em relação ao golo sofrido, é um golo que não podemos sofrer e precisamos de perceber onde podemos arriscar a nossa posse de bola.”
Abordou ainda a questão disciplinar com uma perspetiva de aprendizagem: “Não podemos levar um cartão vermelho numa situação como esta, porque as equipas da América do Sul têm tendência para o confronto. Além disso, penso que não era para cartão vermelho, porque não foi uma atitude violenta de nenhum dos jogadores. Ainda assim, não inventamos desculpas e podemos usar este jogo para preparação também a nível mental.”
A coesão do grupo foi também um ponto alto, referindo-se aos efeitos positivos das substituições: “Substituições mantiveram o nível? Foi isso que ganhámos com a Liga das Nações. A competição e a ligação no balneário é muito positiva. Acho que este jogo pode ajudar a perceber o que precisamos. Toda a gente sabe o talento que temos no balneário e agora temos de ligar os pontos. Acho que foi um bom jogo para preparar a Colômbia. E individualmente, foi muito importante o Rúben Dias poder jogar os minutos que jogou. Individualmente, fica só a contrariedade do vermelho. Vamos ajustar no próximo jogo. No geral, houve aspetos muito bons, outros menos bons. Estamos a começar a conectar e a ganhar um jogo dentro do inesperado, que é jogar a segunda parte com dez.”
Analisando o desempenho de Guedes, Martínez observou: “Guedes? É um perfil diferente. Com dois jogadores, mostra o que pode fazer. Procura espaços, dá polivalência e pode jogar na esquerda. Dá mais opções pelo perfil. Em treino, é muito clínico na área. Acho que chega à Seleção com bom pé e o golo será bom sinal para o Mundial.”
A gestão emocional e a importância da cabeça fria foram temas recorrentes nas declarações dos jogadores. Bernardo Silva, por exemplo, não deixou de mencionar a relevância do controlo: “É importante ter cabeça fria em todos os momentos”
, num comentário sobre a expulsão de Leão. O selecionador abordou a expulsão de Leão com seriedade: “Todos os cartões vermelhos têm consequências, mas espero que o árbitro perceba que não é uma ação violenta. Espero que possa ser uma consequência menor. O futebol está cheio de paixão e emoções; é normal a reação do Rafael Leão para proteger o colega. Tem uma reação positiva para ajudar o colega, mas não podemos fazer isso, não podemos entrar na provocação. Uma equipa sul-americana tem muitos momentos assim e nós vamos jogar contra a Colômbia.”
Questionado sobre o que retirar do jogo, Martínez foi claro: “Há muitos focos para trabalhar. Gostei muito da primeira parte, é certo que faltou eficácia e jogadores na zona de finalização, e também gostei da segunda parte. Foram dez contra dez e houve muita inteligência na zona posicional. É um jogo que dá muito para crescer e fiquei muito contente com o aspeto de esperar o inesperado. Esperar jogar 10 contra 10 é exatamente isso, a mentalidade do grupo foi muito positiva.”
O selecionador fez ainda uma ressalva sobre a atuação de Trincão: “O Trincão foi o único que não entrou em campo, mas não estou preocupado com isso. Já teve uma época em que jogou muito e não é um problema. Vamos avaliar tudo e analisar o que aconteceu hoje. Fiquei contente a nível individual, o Cancelo com 90 minutos e o Rúben Dias já com 75 minutos. Félix e Trincão podemos utilizar no segundo jogo.”
Concluindo a análise sobre a expulsão, Martínez reiterou: “Acho que é um sinal não só para o Rafael, mas para toda a equipa. Temos muita vontade e acho que ele reagiu a uma situação que vai acontecer muitas vezes durante o Mundial. Mas gostaria de salientar a disciplina do jogo posicional do Rafael Leão, porque ele fez uma época numa posição totalmente diferente e não é fácil ajustar às posições que nós queremos na seleção. Gostei muito disso, mas claramente é um bom exemplo para nós, pois não podemos ceder à frustração e ver um cartão vermelho.”
Francisco Conceição também partilhou a sua perspetiva, realçando a importância de focar no processo de preparação: “São coisas que fazem parte do jogo. Tentámos prepará-lo da melhor forma e trabalhar os conceitos de equipa. Penso que conseguimos. Os resultados são importantes, mas nesta fase queremos é criar dinâmicas e perceber o que é preciso fazer.”
Sobre as ambições para o Mundial, enfatizou a filosofia de jogo a jogo
: “Pensamos em grande, mas temos que ir jogo a jogo. Sabemos da nossa capacidade, temos que meter isso ao serviço da equipa. Não adianta estar a pensar na final se não ganharmos os 3 jogos do grupo.”