A direção do Boavista formalizou um pedido urgente de impugnação do leilão de imóveis, que abrange o Estádio do Bessa, no âmbito da insolvência do clube. O presidente Rui Garrido Pereira esclareceu a posição do emblema axadrezado sobre este processo. “O Boavista pediu ao tribunal a intervenção urgente num processo de venda de ativos, onde está incluído o estádio. A posição do clube é simples: o leilão, tal como foi apresentado, não reflete de forma completa a realidade associada aos bens”, vincou o dirigente à Agência Lusa. O requerimento foi submetido ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, três dias depois de o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente serem noticiados como alvo de leilão por um valor mínimo de 32,9 milhões de euros (ME).
A claque Panteras Negras também se manifestou, através do seu líder Pedro Cortez, sobre a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo. “Entendemos que a venda dos ativos decorre fora da legalidade. Há um conjunto de circunstâncias que fundamentam esta nulidade e que serão apresentadas em tribunal”, afirmou Pedro Cortez, que aproveitou ainda para demarcar estas ações da iniciativa jurídica recentemente anunciada pela própria direção do Boavista. “Os argumentos da direção baseiam-se em questões de avaliação de ativos. Para nós, isso é insuficiente, é 'zero'. Os nossos fundamentos são jurídicos e muito mais profundos”, criticou. Pedro Cortez manifestou-se “extremamente confiante” de que o tribunal reconhecerá a nulidade dos atos antes do fecho do leilão, previsto para 20 de maio. Além disso, o líder da claque distanciou os Panteras Negras do movimento de sócios que exige a destituição da atual direção. “A nossa prioridade é a responsabilização. Não podemos abrir a porta de saída a quem, em 14 meses, destruiu o clube por dentro. Esta direção tem de responder pelos seus atos antes de sair”, defendeu.
A gestão de Rui Garrido Pereira enfrenta também contestação interna, com o movimento 'Unidos pelo Boavista' a entregar um requerimento com 270 assinaturas a solicitar uma Assembleia Geral (AG) extraordinária, visando a destituição da direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa para gerir o clube até novas eleições. Rui Garrido Pereira confirmou a receção do documento, mas lembrou que a Mesa da Assembleia Geral (MAG) precisará de avaliar e validar as assinaturas, em conformidade com os estatutos do clube, antes de agendar a reunião magna. O leilão decorre na sequência da insolvência do Boavista, cujo clube teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 ME. No seguimento destas polémicas, o dirigente reiterou: “Num processo deste tipo, é essencial garantir transparência, igualdade entre interessados e confiança no procedimento. O Boavista pede ao tribunal a suspensão/anulação do leilão nos moldes atuais”. O Estádio do Bessa, reinaugurado em 2003 e inutilizado desde maio de 2025, foi um dos recintos utilizados por Portugal na organização do Euro2004 e integra um complexo com cerca de 78 mil metros quadrados de área.