O Torreense fez história ao garantir a sua presença na final da Taça de Portugal, 70 anos após a sua última aparição. A equipa de Torres Vedras superou o Fafe numa emocionante meia-final, culminando com um triunfo por 2-0 na segunda mão, graças aos golos de David Bruno e Stopira. Este feito marca o regresso de uma equipa de escalões secundários à final da competição, algo que não acontecia desde 2010.
Apesar da diferença de escalão, Mário Ferreira realçou que “há favoritos e o favorito é o Torreense. Temos de ser sérios e honestos. Estamos num nível inferior, apesar de a Liga 3 estar a crescer. Dentro das nossas possibilidades, vamos olhar para o plano estratégico. A responsabilidade é da equipa da Segunda Liga, que está a lutar pela subida de divisão. Estamos na meia-final da segunda competição mais forte do nosso país. Fizemos um trajeto maravilhoso. Eliminámos uma equipa do Campeonato de Portugal com muito valor [Oriental], uma de Liga 3 numa deslocação difícil a Évora [Lusitano] e três equipas da Primeira Liga, duas delas com um futebol fantástico. E uma delas está na meia-final da Liga Europa. Portanto, temos o nosso valor, mas vamos apanhar um adversário difícil, que tem tudo para lutar pela subida à Primeira Liga e vai fazer deste um dos grandes jogos da época”. Esta perspetiva reflete o respeito pelos adversários, contudo demonstra a ambição dos fafenses que, apesar de ficarem de fora, fizeram um percurso notável na Taça.
Luís Tralhão, treinador do Torreense, expressou o orgulho e a determinação da sua equipa, afirmando: “Enquanto clube, seria um orgulho tremendo estarmos na final da Taça e vamos fazer de tudo para lá chegar. Pessoalmente, é um motivo de orgulho. Enquanto miúdo, assisti várias vezes à final da Taça. Morava lá perto e continuo a morar perto do estádio. Passo lá muitas vezes quando vou correr. Nunca pensei que pudesse chegar lá tão cedo. Este pequeno passo é um grande passo, mas ainda falta muito. Para lá chegar temos de trabalhar bastante amanhã [quinta-feira], mas temos esse grande objetivo. Para mim seria uma honra ficar com o meu nome gravado na história do clube e, daqui a uns anos, lembrarem-se de que o Luís Tralhão chegou à final da Taça de Portugal. Fafe? É uma equipa que defende muito bem, é muito solidária, tem as linhas muito juntas e jogadores muito experientes. Nesse sentido, vai obrigar-nos a elevar bastante o nível, a ser resilientes, a ser pacientes e a ter uma atitude positiva do início ao fim”. Estas declarações evidenciam a importância histórica do feito para o clube e para o próprio treinador, bem como a análise detalhada ao adversário.