O movimento 'Unidos pelo Boavista' entregou um requerimento com 270 assinaturas a solicitar uma Assembleia Geral extraordinária. O objetivo é a destituição da atual direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa para gerir o clube até novas eleições. Este pedido surge num momento de grande instabilidade para o clube, agravada pelo anúncio do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente, avaliados em cerca de 38 milhões de euros, e por uma dívida que ultrapassa os 150 milhões de euros.
O documento, dirigido ao presidente da Mesa da Assembleia Geral, fundamenta o pedido de saída dos órgãos sociais na impossibilidade
de exercício de funções, após a decisão da administradora de insolvência de cessar a coadjuvação da estrutura diretiva na gestão do estabelecimento. Os subscritores apontam também a perda de confiança
por parte da administradora de insolvência e da Comissão de Credores. A proposta inclui a nomeação de uma comissão administrativa transitória com poderes para representar o Boavista junto das entidades envolvidas na insolvência. A claque Panteras Negras também já manifestou a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão, classificando a eventual perda do património como um desfecho catastrófico
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A direção do Boavista, liderada por Rui Garrido Pereira, expressou surpresa com o avanço do processo de leilão, afirmando que estavam em curso negociações para a viabilização do clube. No entanto, reconhecem que a alienação de ativos pode ocorrer numa fase de liquidação. A SAD do clube, sob a liderança de Fary Faye, assegurou que está a acompanhar a situação e reiterou o compromisso com a defesa dos interesses do Boavista e a continuidade da sua atividade. O estádio, sem utilização desde maio de 2025, é parte de um complexo de 78 mil metros quadrados. O Boavista, campeão nacional em 2000/01, atravessa uma das fases mais críticas da sua história, marcada pela descida competitiva e o agravamento significativo da sua situação financeira.