Crise em Alvalade: Sporting à beira do "triplete da desilusão"

  1. Sporting perdeu o dérbi contra o Benfica em Alvalade.
  2. Equipa corre risco de eliminação na Taça de Portugal.
  3. Rui Borges criticado por gestão de plantel e reforços.
  4. Em 2025/26, Sporting investiu quase 100 milhões.

O futebol, na sua crueldade intrínseca, eleva e derruba heróis com uma velocidade estonteante. O que se viveu em Alvalade este domingo espelha a desorientação de um bicampeão que parece ter perdido a capacidade de resposta nos momentos cruciais. O Sporting não só perdeu o dérbi contra o Benfica, como também, e muito provavelmente, comprometeu o resto da sua temporada. A semana que termina pode consolidar-se como o triplete da desilusão, com o adeus à Liga dos Campeões, o afastamento quase definitivo da Liga e a ameaça de eliminação da Taça de Portugal.

Rui Borges, o técnico que devolveu a glória a Alvalade com o segundo título consecutivo, confronta-se agora com a dura realidade. Contudo, “avaliar a permanência do treinador não pode ser só feita com estes dois jogos. Eu pessoalmente julgo que já estava decidido, até porque nós tivemos uma boa prestação na Liga dos Campeões. Rui Borges cometerá erros como todos os outros cometem, mas o Sporting até fez uma boa época”, defende Rui Barreiro, antigo conselheiro do Sporting. Esta perspetiva sugere que, apesar do atual momento conturbado, o trabalho de Borges não deve ser sumariamente desconsiderado, defendendo uma análise mais abrangente do seu percurso.

No entanto, a pressão sobre Rui Borges é inegável, especialmente após o empate com o Arsenal, que ditou a eliminação da Liga dos Campeões, seguido do desaire com o Benfica, que quase sentencia a corrida pelo título nacional, e a iminente batalha contra o FC Porto na Taça de Portugal. É neste contexto que as decisões e a gestão de plantel de Frederico Varandas, presidente do Sporting, são colocadas em xeque. O exercício é simples: em 2025/26, o Sporting investiu quase 100 milhões de euros em reforços, mas a maioria não correspondeu às expectativas ou passou demasiado tempo fora dos relvados, questionando a eficácia do planeamento desportivo. Rui Barreiro também aponta o dedo ao mercado de inverno, afirmando ser “importante que os jogadores sejam contratados para entrar na equipa e serem altamente competitivos”, algo que, segundo ele, falhou. “Apenas Luís Guilherme apareceu dando alguma resposta, o Faye não trouxe qualquer resposta. Depois tivemos a saída de Mateus Reis e de Alisson, que não sendo jogadores extraordinários, eram jogadores muito importantes e que poderiam ter dado outra competitividade e capacidade de resposta ao Sporting”.

A gestão de Rui Borges também não está isenta de críticas, particularmente a insistência num Pedro Gonçalves que, aquém da sua melhor forma, é um sintoma claro das fragilidades do plantel. A adaptabilidade forçada de jogadores como Eduardo Quaresma no lado direito da defesa, e a sobrecarga de atletas como Maxi Araújo, Morten Hjulmand e Hidemasa Morita no meio-campo, revelam a escassez de opções de qualidade e a ausência de alternativas válidas no banco. No ataque, a dupla Luis Suárez-Fotis Ioannidis, que no papel prometia ser um upgrade à anterior, enfrenta o desafio das lesões, especialmente a de Ioannidis, que exigiria uma gestão física de excelência, mas que, no Sporting, se assemelha a puro amadorismo. O cenário culmina com um banco de suplentes que, nos momentos cruciais, oferece poucas soluções, como se viu nos últimos jogos contra o Arsenal e Benfica, onde as alternativas foram nomes como Rafael Nel, em contraste com as opções de Kai Havertz ou Vangelis Pavlidis noutras equipas. O Sporting defrontará na quarta-feira o FC Porto, no Dragão, para a Taça de Portugal, antes de defrontar AVS, Tondela, Vitória de Guimarães, Rio Ave e Gil Vicente para o campeonato. Tudo se joga numa semana para o Sporting. Quarta-feira se verá se o triplete da desilusão se concretiza.

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