As palavras de Ian Cathro, técnico do Estoril, na antevisão ao duelo com o FC Porto, destacaram-se ao colocar os dragões no mesmo patamar de “grandes equipas em Portugal”
. Cathro afirmou: “Olhando para trás, das grandes equipas em Portugal, podemos dizer isso talvez do Benfica do Jorge Jesus, uma máquina de jogar à bola, e mais recentemente [o Sporting] do Amorim, que passou meses a este nível também. Parece que esta equipa do FC Porto é capaz de chegar a esse nível”
. Esta declaração sublinha a percepção de que o FC Porto, sob a liderança de Farioli, está a atingir um patamar de excelência que remete para as formações que marcaram o futebol nacional. A comparação feita pelo treinador do Estoril, mesmo após a derrota da sua equipa, realça o impacto positivo que o trabalho de Farioli tem tido no panorama desportivo.
Farioli, por sua vez, reagiu com gratidão às palavras de Cathro, mas com uma dose de cautela e ambição. “Fico agradecido pelas palavras do Ian sobre a nossa equipa. Estamos a trabalhar para evoluir. Se pensarmos nos últimos dois jogos, poderíamos ter marcado mais golos contra dois adversários muito fortes em duas competições diferentes. Estamos no caminho certo. Nunca é bom fazer comparação com equipas que escreveram páginas importantes na história. Estamos no início. Começámos o nosso processo há apenas dez meses, estamos numa fase de reconstrução. Se estamos onde estamos é porque conseguimos acelerar o processo e isso deve-se ao trabalho dos jogadores, pela atenção que colocam em tudo o que fazem desde o dia 15 de julho, e ao investimento do clube nos últimos dois mercados. Estamos felizes por estarmos aqui, mas o que conta é o futuro próximo”
, disse Farioli. Esta perspetiva do treinador italiano demonstra a sua humildade e o reconhecimento de que ainda há um longo caminho a percorrer. A ênfase no futuro próximo
e na reconstrução
do clube sugere que o FC Porto não se contenta com o presente e visa consolidar a sua posição, procurando superar os feitos de um passado recente que marcou a história dos principais rivais.
A análise aos números das épocas de Jorge Jesus no Benfica (2009/10) e Rúben Amorim no Sporting (2020/21), quando ambos se sagraram campeões, revela que Farioli está no bom caminho para igualar, ou até superar, esses registos. O FC Porto, após 29 jornadas do campeonato, apresenta uma média de 2,62 pontos por jogo, superando os 2,53 de Jesus e os 2,50 de Amorim. Em termos de golos marcados, os dragões atingiram os 90 em todas as competições, com Gabri Veiga e Victor Froholdt a serem decisivos em 28 deles. “Há dois médios que 'valem' quase um terço dos 90 golos marcados”
, realça a estatística que demonstra a preponderância destes jogadores. O Benfica de Jesus registou 124 golos, enquanto o Sporting de Amorim fez 82. No que respeita aos golos sofridos, o FC Porto encaixou 28, o mesmo número do Sporting de Amorim, e bem menos que os 37 do Benfica de Jesus. Estes dados, ainda que com a nota de que a época do FC Porto não terminou, mostram que a máquina de jogar
de Farioli está a operar a um nível elevadíssimo e com uma eficiência notável em comparação com duas das equipas mais dominantes do futebol português nas últimas décadas.