Luis Suárez criticado na Colômbia após falhar golos decisivos

  1. Luis Suárez criticado após jogo Colombia-Croácia.
  2. Antonio Casale defende Suárez no jornal El Espectador.
  3. Casale cita falhanços de Baggio, Higuaín e Shevchenko.
  4. Casale sugere que "Talvez sejamos nós, que não sabemos esperar pelo golo seguinte"

A pausa para as seleções não foi fácil para Luis Suárez, avançado colombiano do Sporting e líder da lista de melhores marcadores da Liga Portugal. O jogador tem sido alvo de intenso debate na imprensa desportiva do seu país, especialmente após falhar ocasiões claras no particular contra a Croácia, que a Colômbia perdeu por 2-1.

Perante a onda de críticas e as inevitáveis piadas e memes, Antonio Casale, colunista do jornal 'El Espectador', defendeu Luis Suárez. Casale lamentou o tratamento dado ao avançado, recordando que mesmo grandes vultos do futebol falharam em momentos cruciais. “Há algo de profundamente injusto na vida de um avançado. Vive do golo, sim, mas também fica marcado por ele. E, por vezes, nem sequer pelo que faz, mas pelo que deixa de fazer. Esta semana aconteceu a Luis Suárez, alvo de troças, memes e sentenças definitivas após uma falha que, noutro contexto, teria passado despercebida. Mas não. Aos '9' não se perdoa. Talvez porque o golo seja o momento mais visível do futebol. Ou talvez porque, num desporto onde tudo é coletivo, o erro do avançado pareça individual, quase íntimo, como se ficasse exposto perante todos”, escreveu Antonio Casale.

O colunista prosseguiu a sua defesa, evocando exemplos históricos de falhanços de figuras lendárias, como o penálti de Roberto Baggio na final do Mundial de 1994, o desperdício de Gonzalo Higuaín na final do Mundial de 2014, ou ainda o erro de Andriy Shevchenko na final da Liga dos Campeões de 2005. Todos esses momentos, segundo Casale, foram alvo de um julgamento implacável. “Histórias distintas, contextos gigantes, desfechos cruéis. Todos têm algo em comum: o julgamento foi imediato. Como se o futebol não admitisse nuances quando se trata do golo. E então voltamos a casa. Ao que é nosso. Àquela sensação de que, na Colômbia, o avançado vive permanentemente na corda bamba”, realçou. Casale concluiu a sua reflexão com uma provocadora questão, sugerindo que o problema talvez não seja o falhanço do jogador, mas sim a forma como os adeptos encaram esses momentos. “Talvez o problema não seja ele falhar. Talvez sejamos nós, que não sabemos esperar pelo golo seguinte”. O colunista comparou ainda a situação com Radamel Falcao García, que “habituou mal os colombianos” a ver o golo como uma certeza.

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