Francesco Farioli, técnico da equipa principal, expressou a sua profunda admiração por Thiago Silva, defesa central internacional brasileiro que se juntou ao plantel em janeiro. Em entrevista concedida em Itália, Farioli não poupou elogios ao atleta, destacando não só a sua performance em campo, mas também a sua conduta profissional e a sua influência no grupo. O treinador abordou a sorte que teve em trabalhar com líderes ao longo da sua carreira, mencionando ainda outros nomes sonantes do futebol.
Farioli revelou o impacto imediato de Thiago Silva na equipa, sublinhando a atitude irrepreensível do defesa: “Chegou aqui com muita disponibilidade, com o desejo de servir uma equipa que estava em três frentes, com a vontade e a curiosidade de continuar a evoluir, de aprender coisas novas” (Farioli). Para o técnico, a presença do jogador foi o motor para que a equipa pudesse crescer: “Ver um craque do calibre dele é como ver um verdadeiro campeão, porque ainda tem a agilidade de um jovem de vinte anos e, acima de tudo, uma vontade impressionante de jogar futebol. A tudo isto, claro, acrescente-se o seu currículo, a sua experiência, o seu historial, a sua mentalidade vencedora e a sua liderança inata. Estes elementos garantiram que o contributo do Thiago, enquanto jogador e enquanto líder do grupo, ajudou, facilitou e acelerou o nosso crescimento” (Farioli). Adicionalmente, o treinador detalhou a qualidade defensiva do brasileiro, afirmando: “O que mais me impressionou foi o controlo do corpo em campo durante os lances acrobáticos, como cabeceamentos e carrinhos, bem como a capacidade de ler o jogo e antecipar jogadas e decisões. Nos seis meses em que aqui estivemos, não o vi falhar um cabeceamento, um desvio ou uma defesa, como se tivesse um pescoço capaz de se adaptar a qualquer trajetória da bola. Estamos a falar de um jogador que, sem dúvida, está entre os dez melhores defesas da história do futebol” (Farioli).
Farioli partilhou também um momento marcante da sua juventude, recordando as dificuldades iniciais na sua carreira: “Quando terminei o ensino secundário diziam que se fosse para Economia, quando terminasse o curso, tens 25% de probabilidade de encontrar emprego nos dois meses seguintes. Esses números e percentagens criaram em mim um sentimento de me querer afastar desse caminho. Por isso, tirei o meu tempo e disse: ‘Não sei bem o que fazer, mas quero investir em mim próprio de forma a que, talvez ao fim de dois, três ou quatro anos consiga fazer qualquer coisa de uma forma melhor’. E foi o que fiz. Foi esse o momento em que decidi escolher filosofia como o primeiro passo na vida de um jovem adulto” (Farioli). Prosseguiu, admitindo as suas limitações como jogador: “Nessa fase tinha esta paixão pela filosofia e, por outro lado, era um jogador de futebol muito mau. Um guarda-redes muito mau. Fiz sempre tudo de uma forma muito profissional, mas não era suficiente” (Farioli). O treinador dos portistas relembrou um ponto de viragem, aos 19 anos, quando um dos seus treinadores lhe disse: “Francesco, quero ser realmente honesto e transparente contigo, porque vejo o tipo de esforço que estás a fazer para tentar continuar a jogar. Não acredito que vás conseguir. Não acredito que venhas a ser recompensado pelo esforço que estás a depositar. Podes ter, sim, o prazer de prolongar a tua carreira por mais um pouco, mas nunca, jamais, serás um jogador de futebol profissional” (treinador de Farioli). Farioli recordou esses tempos como sendo difíceis: “Foi bastante difícil e levei algum tempo a aceitar. Durante dois anos, desci ainda mais... E acreditem, não foi fácil, porque eu estava quase no nível mais baixo do futebol” (Farioli). No entanto, o mesmo treinador abriu-lhe as portas para uma nova via: “Sugeriu-me que começasse a trabalhar com ele como treinador. Disse-me: ‘Desde que te conheço, há cerca de quatro ou cinco anos, sempre senti que já eras treinador, desde que tinhas 15 ou 16 anos, pela forma como te comportas, pela forma como vês o jogo e pela forma como lideras os teus colegas de equipa’” (treinador de Farioli). Esta revelação estimulou o jovem Farioli a combinar as suas paixões, resultando numa tese de filosofia do jogo, a qual apresentou ao seu professor: “Eu sei, dê-me tempo para explicar” (Farioli). “Disse-me: ‘Senhor Farioli, gostava apenas de lhe lembrar que estamos na Faculdade de Filosofia da Universidade de Florença, não estamos na Gazzetta dello Sport”’ (professor de Farioli). A tese, proposta inicialmente, foi bem-sucedida, e Farioli concluiu a sua jornada até ao presente: “A partir daí, foi um passo de cada vez, muitas mudanças, até chegar à Serie A como treinador de guarda-redes. Quando tinha 30 anos, tomei a decisão de ir para a Turquia para tentar passar de treinador de guarda-redes a treinador principal. Fiz seis meses como treinador adjunto num clube turco muito pequeno e seis meses depois comecei a minha carreira, até chegar ao FC Porto” (Farioli).