Bernardo Silva, que está de saída do Manchester City, concedeu uma entrevista emotiva onde revisitou o seu passado no Benfica e os momentos marcantes da carreira. O internacional português, que se prepara para um novo desafio, desvendou as razões da sua saída do clube inglês e as suas perspetivas para o futuro, sem esquecer as picardias com colegas de Seleção. As suas palavras revelam uma ligação profunda ao passado e uma clara visão para o porvir.
Um dos pontos altos da entrevista foi a forma como Bernardo Silva descreve a sua infância como adepto do Benfica e a sua evolução enquanto jogador. “Quando vivia em Portugal tinha lugar cativo com o meu pai. Era o adepto de bancada, de chamar nomes aos árbitros, de insultar os próprios jogadores. O Cardozo, que é um grande ídolo, passava o jogo todo a passo e depois ao minuto 80, do meio-campo, rematava e marcava. Os adeptos do Benfica passavam o jogo a reclamar e aos 80 calavam-se. Eu era um deles. Era esse velho adepto que só reclamava. Com os anos mudei a minha forma. Continuo a ver os jogos do Benfica e a torcer, obviamente”
, afirmou Bernardo Silva. Esta citação revela a paixão genuína que o jogador nutre pelo clube da Luz, demonstrando que a sua ligação ao Benfica transcende o profissionalismo. Bernardo Silva também recordou os tempos da formação no Benfica, onde a sua baixa estatura era vista como um obstáculo, mas foi a inspiração de Pep Guardiola que o fez acreditar ser possível. “Quando eu estava na formação do Benfica não jogava muito tempo porque eles achavam que eu não era grande o suficiente nem forte o suficiente. Olhar para aquela equipa do Pep (Barcelona) fazia-me pensar que também conseguia fazê-lo, que também era possível”
, disse o jogador.
A sua saída do Manchester City, após nove anos repletos de títulos, foi um dos temas centrais. Bernardo Silva explica que a decisão foi motivada por um desejo de estar mais perto da família e de procurar novos desafios. “Para mim é uma oportunidade de ir para mais perto da minha família. Há 12 anos que tenho estado longe e queria estar mais perto deles. E também quero um novo desafio. Ainda que goste do clube e do tempo que cá passei, sinto que é o momento certo para ter um novo desafio”
, revelou Bernardo Silva. O médio expressou o seu amor pelo clube inglês, afirmando que será “torcedor do Man. City para o resto da minha vida”
. A decisão sobre o próximo passo na carreira ainda não está totalmente definida, com o jogador a manter o mistério sobre o seu destino. “Não tenho [nada fechado] e não sei onde vou jogar. Não sei mesmo. Tenho uma ideia do que quero fazer. Vou falando com o meu empresário, mas não sei onde vou jogar na próxima época. Não sei mesmo”
, garantiu. Contudo, uma coisa é certa: o regresso ao Benfica não está nos planos para já. Na entrevista ao Canal 11, Bernardo Silva deixou a garantia de que “não será desta que voltará ao Benfica”
. Sobre as prioridades para o futuro, o jogador revela que “pesa tudo. O nível competitivo, porque eu quero competir, estar a um nível alto. Muito a vida familiar, o que é bom para mim e para a minha família. Estar num sítio onde vou gostar de estar e a minha mulher e filha estarem felizes”
.
Além dos desabafos sobre o futuro, Bernardo Silva partilhou momentos divertidos sobre a rivalidade em campo com outros jogadores portugueses na Premier League, como Pedro Neto e Bruno Fernandes. As picardias em campo são, no entanto, separadas por uma forte amizade fora dele. “Eu às vezes nem percebo o que é que ele está a dizer em campo, porque ele (Pedro Neto) passa o jogo todo a falar. Eu ainda me lembro agora no último jogo, eu estava do outro lado e ele só me dizia assim: 'És cagão, és cagão, não vens uma vez para cima de mim.' E depois ele veio uma vez na segunda parte, eu tirei-lhe a bola. E comecei logo a falar para ele outra vez. Portanto, é engraçado ter estes momentos”
. Já sobre Bruno Fernandes, "lembro-me uma vez, contra o United, a bola já tinha saído e eu dei um troca-pés ao Bruno. Eu lembro-me dele olhar para mim com uma cara de nojo e dizer-me assim: 'oh Bernardo isso não'. E estas histórias são engraçadas, principalmente... esta competição, esta rivalidade que nós temos dentro de campo e depois, quando acaba o jogo, conseguirmos nos separar e conseguirmos ser grandes amigos, eu acho que é espetacular”, contou. Estas histórias ilustram a dinâmica saudável e competitiva entre os atletas, que conseguem separar a paixão pelo jogo da amizade pessoal, um aspeto valorizado pelo médio português. A sua saída do Manchester City marca o fim de uma era, mas Bernardo Silva está pronto para os desafios que se avizinham, sempre com a paixão pelo futebol e o carinho pela família como guias.