André Villas-Boas, presidente do FC Porto, manifestou o seu desejo de manter Diogo Costa no clube, propondo-lhe um desafio especial. À chegada à Assembleia da República, onde jantaria com deputados portistas, abordou a questão: “Manter Diogo Costa? Espero que sim. Aliás, fiz-lhe um desafio, que espero que aceite, que é no próximo ano envergar a camisola número 2 do FC Porto. Para nós seria uma honra enorme, para os adeptos do FC Porto também. E para que isso aconteça terá de estar no FC Porto para o ano. Passou uma época maravilhosa. Repare que a camisola 2 do FC Porto é uma camisola importante, de vencedores, e claro está vinculada ao que aconteceu com o desaparecimento do Jorge Costa. Por todo esse significado emocional gostávamos que envergasse o número 2 no próximo ano.”
O presidente portista também fez um balanço dos seus dois anos de mandato, destacando uma mudança estrutural fundamental na direção desportiva. André Villas-Boas elogiou a visão e o impacto de Tiago Madureira na organização do clube. “A direção desportiva entregue ao Tiago Madureira foi algo que nos revolucionou. Criou unidade, método e estrutura”
, revelou, descrevendo o braço-direito e vice-presidente como “uma pessoa quase invisível dentro da estrutura pelo seu modo de estar”
. Segundo Villas-Boas, a transição de Madureira da área comercial para a desportiva foi um movimento crucial para o sucesso da sua presidência. “Pela sua visão estratégica, e bem ajudado pelo Henrique Monteiro, transformou tudo o que é o dia a dia dos jogadores no Olival e o profissionalismo associado à máxima exigência do FC Porto. Teve um papel fundamental, quase sombra, mas tem de ter o devido mérito.”
Villas-Boas também falou sobre a situação de Bednarek, cujo domicílio foi assaltado, expressando a sua preocupação, mas reiterando que o jogador estava em recuperação e motivado para o último jogo da temporada. “Foi uma situação preocupante, de grande perigo, que não é muito frequente nem normal com os nossos jogadores, apesar de já termos tido os episódios do Corona e do Otávio no passado… Foi uma situação vivida de forma intensa pela família, com ameaças físicas e ambiente de tensão. O FC Porto colocou-se ao lado do atleta, garantiu-lhe as maiores condições de segurança, a si e à sua família. A família optou por se ausentar do país durante algum tempo e o jogador encontra-se agora com o seu pai a recuperar do impacto psicológico que um evento como esse causa. Parece-me estar bem, motivado e seguramente entrará nos convocados do míster.”
A ida de José Mourinho para o Real Madrid também foi tema de conversa, com Villas-Boas a não esconder a sua admiração pelo técnico: “Não sou adepto do Real Madrid... É o treinador mais importante do futebol português, com maior currículo no futebol português e internacional. Normalmente atrai grandes clubes e está a ser vinculado ao Real Madrid, mas não posso responder pelos adeptos.”
Por fim, o presidente do FC Porto abordou a celebração do título e os insultos proferidos aos jogadores do Sporting e a Frederico Varandas: “São celebrações de um título, há excessos, emoções viscerais relacionadas com o que foi o campeonato, a história do campeonato. Não posso negar que os jogadores terão ouvido as palavras do presidente do Sporting e isso tenha servido de motivação. Enquanto treinador também usava esses pequenos deslizes do adversário para dar motivação e com certeza o Farioli também o fez. Segundo lugar? Parece-me que a jornada que passou pode ter sido decisiva. O FC Porto não tem preferência, a única preocupação é o primeiro lugar.”
O FC Porto, campeão nacional, recebe o Santa Clara este sábado, às 15h30, no jogo que marcará a consagração do título. Após o confronto, os jogadores e a equipa técnica seguirão para uma celebração que terá o seu ponto alto na Ribeira e nos Aliados, prometendo uma festa prolongada pela cidade do Porto.