O Benfica vive um momento de grande instabilidade, com vozes críticas a apontar falhas na liderança do clube e na gestão desportiva. A eliminação da Liga dos Campeões e a perda do segundo lugar no campeonato nacional acentuaram os problemas, levando a um debate aceso sobre o futuro da equipa e da direção.
João Carvalho, antigo presidente do Conselho Fiscal das águias, não poupou críticas e afirmou categoricamente: “Pode vir o Klopp, pode vir o Guardiola, que o problema do Benfica é o presidente e a direção.” Esta declaração sublinha a profunda insatisfação com a gestão de Rui Costa, sugerindo que a crise vai além das escolhas técnicas. Carvalho reforçou a ideia de uma lacuna na liderança: “O Benfica tem de ter um líder e não tem. Não tem um líder há bastante tempo. Era importante que as pessoas que rodeiam Rui Costa façam com que ele perceba isso, já que é natural que a pessoa não reconheça as próprias fraquezas.” As suas palavras surgem num momento em que os adeptos manifestaram o seu descontentamento com assobios e pedidos de demissão dirigidos a Rui Costa no último jogo na Luz.
As críticas à liderança estendem-se também às escolhas estratégicas, como a alegada saída iminente de José Mourinho. Fernando Tavares, outra figura conhecida do universo benfiquista, expressou as suas reservas: “Fernando Tavares fez críticas à gestão de Rui Costa em relação ao tema José Mourinho, considerando que a decisão de não renovar com o treinador pode ser um dos maiores erros estratégicos para o Benfica.” A possibilidade de Mourinho rumar ao Real Madrid tem sido amplamente noticiada, com Fabrizio Romano a indicar que as negociações estão “na fase final”. O jornalista referiu ainda que “Mourinho está convencido de que um regresso ao Real Madrid é a melhor coisa que pode acontecer à sua carreira neste momento e que consegue ajudar o clube a voltar aos títulos. O treinador está mais do que entusiasmado.”
João Carvalho foi além, questionando a escolha dos sócios nas últimas eleições: “Houve eleições há pouco tempo. Nessa altura, deviam ter ponderado bastante bem. Os sócios enganaram-se.” O antigo dirigente admitiu ter apoiado Noronha Lopes e ironizou sobre a atual situação: “Nesta altura, ainda não se sabe quem fica em segundo lugar. Vamos lá ver se vamos para o Marquês comemorar o segundo lugar. Ao ponto que chegámos.” A gravidade da situação exige, segundo ele, medidas drásticas: “Há que acabar a época, que já falta pouco, preparar a próxima e deviam ser preparadas novas eleições.”
Mourinho, por seu lado, tem mantido uma postura cautelosa, afirmando que se isolou para se focar no Benfica. Após o jogo com o Sporting de Braga, o treinador garantiu: “Cabe-me dar a resposta. Já me viu esconder das minhas decisões? Agora, que ninguém me obrigue a comunicar decisões, porque sou eu que decido os momentos.” E acrescentou: “Não estou em condições de lhe responder. Na minha cabeça, desde que se começou a falar de hipóteses, só havia o ganhar e fazer o melhor. O respeito que o Benfica merece, que a minha profissão merece. Que ninguém toque aí, a não ser que seja algum idiota que o faça. Que ninguém toque por aí.” Ele fez questão de sublinhar a sua dedicação: “Tenho o direito de me ter isolado. Não falei com ninguém de outro clube. Não falei com ninguém de nenhum clube. Não fazia sentido fazer outra coisa que não fosse concentrar-me. Não soa a despedida, soa ao respeito que tenho por eles, soa a uma defesa antecipada.” Mourinho adiantou que o seu futuro seria abordado após o último jogo da temporada: “Como já disse há um par de semanas, há um jogo com o Estoril, e, a partir de segunda-feira, já poderei responder sobre o que será o meu futuro enquanto treinador e o futuro do Benfica.”
Apesar de reconhecer a influência das arbitragens, João Carvalho desvalorizou-as como a principal razão para a crise: “Houve fraqueza em algumas arbitragens, mas só isso não chega para mostrar que o Benfica precisa de liderança e de estar nos órgãos. O Benfica está isolado, nesta altura. Está a dar a mão à ascensão dos seus dois grandes adversários, que são Sporting e FC Porto.” A acumulação de problemas levanta questões sérias sobre a direção do Benfica e a necessidade de mudanças profundas para ultrapassar este período de turbulência.