Francesco Farioli, técnico do FC Porto, defendeu a sua decisão de não inscrever Oskar Pietuszewski na Liga Europa, mesmo após o jogador polaco ter-se destacado no clássico contra o Benfica. A opção, pensada para garantir alternativas na frente de ataque, foi justificada pelo treinador, que reiterou a sua convicção na escolha.
“A nossa decisão não foi por falta de confiança no Oskar [Pietuszewski]. Encarámos a realidade e, se fosse hoje, tomaria a mesma decisão. Precisávamos de ter duas alternativas para a frente, como se percebeu até pela lesão do Samu, e o facto de o Terem [Moffi] cobrir duas posições acabou por fazer a diferença. Estamos muito felizes com o Oskar, adaptou-se muito bem e tem ajudado a equipa. É um jovem jogador que precisa de continuar a trabalhar e a desenvolver-se”, explicou Farioli à Sport TV, sublinhando que a decisão foi ponderada e visava a melhor estratégia para a equipa.
O treinador do FC Porto revelou ainda uma conversa prévia com Terem Moffi, que o levou a acreditar na sua capacidade de adaptação a várias posições. “Quando olho para trás, e depois do que aconteceu com o Samu, concordo ainda mais comigo pela decisão de inscrever o Terem (Moffi). Era o que tínhamos de fazer. A não inscrição do Oskar não foi por termos dúvidas sobre ele, porque se fosse esse o caso não teríamos investido tanto dinheiro num jogador com menos de 18 anos, mas só podíamos inscrever três jogadores. O Thiago (Silva) tinha de fazer parte da lista, o Seko (Fofana) também pela importância no meio-campo e o Terem é um jogador que nos pode ajudar em várias posições. Aliás, quando conversei com ele antes de vir para cá, disse-lhe que, com o Samu a jogar, provavelmente ele iria ajudar mais nas alas, porque pode jogar em diferentes posições. A decisão que tomámos foi feita com ponderação e, infelizmente, estava certo. Preferíamos ter o Samu aqui, connosco, mas é o que é. Vamos jogar o resto da competição com o Terem e o Deniz (Gül) como avançados, mais os três extremos e jovens da formação que nos podem ajudar. Temos alguns perfis interessantes, como o Mide ou o Gonçalo. Eles vão estar preparados para nos ajudar se for necessário.”
Farioli aproveitou também para abordar a onda de críticas que Francisco Moura tem enfrentado, levando o jogador a desativar a sua conta de Instagram. O técnico expressou solidariedade e destacou a importância de lidar com a pressão. “É desporto e é o nosso trabalho. Estamos expostos a isto, a ouvir elogios e críticas. O Samu passou pelo mesmo depois dos dois penáltis falhados. Temos de saber lidar com as críticas e com esse tipo de comentários menos bons. O que importa é que somos um grupo unido e assim continuaremos. Os momentos difíceis podem acontecer no futebol, importa é como se dá a volta. O Moura é um bom rapaz e vai conseguir ultrapassar esta fase menos boa e voltar ainda mais forte do que antes”, considerou.
Apesar dos desafios, Farioli fez um balanço positivo dos recentes clássicos, incluindo o jogo em Lisboa, que, segundo ele, demonstrou a face e o desejo da equipa. “Olhando para trás, o jogo que fizemos há uns dias em Lisboa é daqueles que nos pode dar confiança. Numa semana, jogámos dois clássicos e em ambos mostrámos a nossa face e o nosso desejo. A mensagem de Mourinho depois do jogo (com o Benfica) foi clara quanto ao facto de que fomos para jogar e ganhar o jogo, com muita agressividade com e sem a bola. Durante 75 minutos o jogo esteve numa direção, mas nos últimos 15, mesmo não tendo concedido muito, foi o suficiente para pagarmos o preço. Há muitas coisas positivas para tirar, mas também algumas para melhorar, especialmente nas duas áreas. Podíamos ter fechado o jogo em várias ocasiões e defensivamente os dois golos foram situações em que podíamos ter feito melhor.”
Finalmente, o treinador do FC Porto partilhou a sua satisfação em ser reconhecido pelo trabalho desenvolvido. “Deixa-nos felizes ouvir esse tipo de palavras. O carinho que tentamos dar aos jogadores, a atenção aos pequenos detalhes e o desejo de os fazer melhorar é algo que me move a mim e à minha equipa técnica. É uma das motivações principais. Se ajudamos a melhorar jogadores, acredito que ficamos mais perto de ganhar jogos. Também não são tudo rosas, há momentos em que temos de ser um pouco mais duros, porque isso faz parte das nossas responsabilidades. Queremos devolver o FC Porto ao lugar que merece.” Questionado sobre possíveis reforços do Estugarda, Farioli elogiou a equipa adversária, mas reforçou a sua lealdade ao plantel atual. “O Estugarda tem muitos bons jogadores, um deles esteve comigo e o Terem no Nice, o Bouanani. É um extremo muito bom, talentoso, que evoluiu muito desde que trabalhámos juntos. Estou muito feliz por o ver a brilhar a este nível. Mas é injusto para os meus jogadores apontar alguns nomes, porque estou muito feliz e honrado por ser o treinador desta equipa. Ela representa-me muito bem pela forma como se comporta e deixa tudo em campo. Mesmo respeitando e gostando de muitos jogadores do Estugarda, estou feliz com o meu plantel.”