António Miguel Cardoso aborda temas cruciais do futebol português em entrevista

  1. António Miguel Cardoso enumera 7 ou 8 jogadores "vendáveis".
  2. Presidente mantém compromisso com a democracia interna do clube.
  3. Vitória já conquistou uma Taça da Liga.
  4. Cardoso critica o ambiente atual no futebol português.

António Miguel Cardoso, presidente do Vitória de Guimarães, em entrevista ao Zerozero, abordou diversos temas cruciais para o clube e para o futebol profissional português. As suas declarações abrangeram desde a situação do mercado de transferências, com a lista de jogadores considerados vendáveis, até à sua própria recandidatura ao cargo. Também incluiu uma análise da época e críticas ao ambiente atual no futebol nacional, sem esquecer a comparação entre o modelo de gestão do Vitória e do Braga. Ele não se esquiva a questões, mostrando a sua visão para um futebol mais transparente e competitivo. O líder dos vimaranenses, que não se esquiva das polémicas e das tomadas de posição fortes, promete que irá continuar a falar abertamente sobre o que considera importante para o desporto rei em Portugal.

Relativamente ao mercado de verão, António Miguel Cardoso foi claro ao enumerar os ativos do clube. “Digo sete ou oito jogadores que são vendáveis, concretamente o Camara, Saviolo, Ndoye, Gonçalo Nogueira, Diogo Sousa, Tony Strata, Balieiro e muitos outros”, afirmou o presidente. Esta afirmação sublinha a estratégia do clube em relação aos seus jovens talentos, que, em muitos aspetos, são também a base do modelo de sustentabilidade da equipa. Em relação à sua continuidade na presidência, associada ao cumprimento da meta do 5.º lugar, o presidente mantém a postura que sempre demonstrou: “Recandidatura? O Vitória é dos sócios, eles é que decidem. Se decidirem que querem outra Direção, já não é um problema meu. Vou estar na bancada a querer que o Vitória ganhe. Se não ficar em quinto e se eu decidir que quero continuar, vou ouvir os sócios em Assembleia Geral”. Estas palavras reiteram o seu compromisso com a democracia interna do clube e com a vontade dos associados. “Não o disse na emoção, já o tinha pensado e mantenho”, disse ele, referindo-se à promessa de sair caso o 5.º lugar não fosse atingido. E acrescentou: “Ao fazer aquelas declarações, abri muitas possibilidades. O Vitória é dos sócios, não é meu. Portanto, são os sócios que têm de ter a responsabilidade de decidir o que é que vai acontecer no clube, em Assembleia Geral”.

Sobre a análise da época, o presidente destacou o percurso face às expectativas iniciais: “Toda a gente dizia que o Vitória ia descer de divisão, mas já conquistámos uma Taça da Liga. O sucesso desportivo desta administração é muito claro”. Esta declaração é um reflexo da valorização do trabalho feito e dos resultados alcançados, procurando contrariar as previsões menos otimistas. No que diz respeito ao ambiente no futebol português, António Miguel Cardoso não poupou nas críticas: "Não me identifico. Não estou a apontar o dedo a ninguém, mas não gosto do que estou a ver e não acho que seja bom para o futebol português, nem para a sociedade. Este excesso pode levar a problemas, concretamente nas bancadas. Há um tempo para mind games, mas ataques pessoais e coisas que estejam fora das quatro linhas, acho que há um limite e esse limite tem sido ultrapassado". Esta visão apela a um fair play generalizado e a uma conduta mais respeitosa entre todos os intervenientes. A comparação com o Braga, outro clube da região Minho, também foi abordada, reforçando a identidade vitoriana: “O Braga não é dos sócios. É ir ver a estrutura acionista e percebam. Se quiséssemos entregar a gestão do Vitória, era já. Para mim, o Braga é como o Rio Ave, é indiferente. Preocupo-me com o Vitória. Hoje em dia, se forem ver os resultados, desde as camadas jovens à equipa A, as coisas começam a ficar diferentes. Se esta cultura continuar a crescer, podemo-nos bater com qualquer equipa”. No tema da centralização dos direitos televisivos, o presidente mostra-se preocupado, mas com esperança: “Na minha perspetiva, acho que o Governo devia manter [a data]. Devia exigir e não devia dar mais prazo nenhum. Não tenho medo. Acho que o meu receio é que se entre no mais um ano, mais dois anos, e acho que esta foi a data. Deram-se cinco ou seis anos, para se chegarem a um acordo, deram mais. Mas não chegaram, agora vai o Governo dizer como é que é... Espero que não seja de outra forma. Quanto à chave, acho que quem está a trabalhar sobre os direitos e sobre a distribuição está a trabalhar bem, é a minha opinião. Acho que é importante pensar no futebol como um todo, primeira e segunda divisão, os três grandes, o que vem atrás dos três grandes, é verdade. Acho que é possível chegar a um modelo democrático, eu acredito que sim, e acho que já lá chegamos. Agora é preciso que os clubes se envolvam todos. Há uma coisa que tenho a certeza, se o Governo for reto e meter os prazos como estão e não ter receio daquilo que são os adeptos e aquilo que são as eleições, seja o que for, acho que isto tem tudo para andar para a frente. Caso se comece aqui a dar mais espaço, será um caos”. E concluiu: “Eu acho que depende primeiro do valor em que o futebol português é vendido, e como nós estamos a ver, o futebol português tem muita qualidade, mas precisa de ter mais espetáculo, mais produto, e acho que é preciso trabalhar sobre tudo isso. Eu acho que nós quando pensamos de uma forma estrutural e não conjetural, seja o valor 100, 200, 300, 400 ou 500, para que o valor seja o mais alto, o importante é que exista espetáculo. Se não for 100 é 200, se não for 200 é 300. Depois de chegar a um valor, a forma de distribuição tem de ser a mesma”.

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