Na antevisão da 25ª jornada da I Liga, que culmina no embate fora de portas frente ao Braga, o técnico Rui Borges abordou diversos temas prementes no clube, desde a continuidade de jogadores importantes até às polémicas extracampo que antecederam a partida agendada para sábado às 18h00. O treinador não deixou de tecer considerações sobre o adversário, as dinâmicas da equipa e a pressão de lutar pelo título, sempre com um foco inabalável nos objetivos do clube.
Relativamente ao Braga, Rui Borges mostrou-se conhecedor das qualidades do adversário: “Acho que o Sp. Braga não muda a ideia de jogo, independentemente dos jogadores. É uma ideia que quer ter bola, gosta de a ter, é a equipa com mais posse perto do Sporting. As duas com mais posse de bola do campeonato. E isso identifica bem o jogo do Braga. Gostam de ter bola, não gostam de a perder, muito fortes na reação à perda. Mais do que qualquer jogador, a ideia está lá sempre. Mudam sim algumas características dependendo de quem joga. Gostam de ter bola, procurar o golo, são ofensivos. Vão criar-nos bastantes dificuldades, tal como fez em Alvalade. Tiraram-nos alguns timings, gatilhos de pressão por causa da variabilidade de toda a equipa. É uma equipa que tem muitos golos, é dos melhores ataques do campeonato, e nos últimos 10 jogos fez tantos golos como o Sporting. Em casa têm nove golos sofridos. Empurram o adversário para dentro da sua área. É uma equipa forte, a última derrota para o campeonato foi em setembro. E isso identifica bem o Braga e as dificuldades que nos esperam amanhã.” A análise demonstra a preparação para um confronto exigente, onde a posse de bola e a capacidade ofensiva do adversário serão desafios significativos. O treinador sublinhou que “será um bom desafio para ambas as equipas. Gostamos de ter a bola e não gostamos de não a ter, o Braga igual. É um bom desafio nesse sentido. Para nós, Sporting, é perceber que do outro lado temos de respeitar quem lá está, perceber aquilo em que são bons e sermos uma equipa muito equilibrada.”
No que concerne aos jogadores, as renovações e as recentes baixas foram temas de destaque. A continuidade de Trincão, selada até 2030, foi motivo de satisfação para o técnico: “Fico contente. Tem vindo a crescer, está cada vez mais maduro com importância enorme nas conquistas do Sporting e na dinâmica da equipa. Foi dos que mais me impressionou, se não o que mais me impressionou. Dá tudo pela equipa, para além da sua qualidade técnica e inteligência. Torna o Sporting muito mais forte. Feliz por ele e por nós, Sporting.” Já sobre Morita, que atingiu os 150 jogos pelo clube, Rui Borges deixou no ar a possibilidade de renovação, indicando que “Tem a ver com a estrutura e a vontade do jogador. Gostamos muito dele. Quando cheguei aqui era um jogador que me tinha fascinado, já tinha frisado isso. Está num bom momento e é um jogador importante para o presente do Sporting.” Em relação às baixas, o treinador confirmou que “Ioannidis para já está fora do jogo de amanhã”, o que, consequentemente, “acaba por sacrificar mais o Luis [Suárez].” Contudo, expressou confiança no avançado: “Não é um jogador muito dado a lesões, felizmente, tem estado muito bem, é um mouro de trabalho, um bicho, estamos muito tranquilos, meter uma velinha para não se aleijar e bater na madeira. Mas gostávamos de ter o Fotis, porque seria jogador importantíssimo nesta fase, mas é o que é. Quando não estiver o Luis, outro dará resposta.” Estas declarações revelam a gestão do plantel e a esperança na recuperação de jogadores chave, ao mesmo tempo que se reforça a importância da profundidade do grupo.
As questões sobre as polémicas entre o presidente Frederico Varandas e André Villas-Boas, bem como os alegados gestos de Luis Suárez, foram abordadas com um tom de distanciamento por Rui Borges. O treinador optou por não se alongar sobre o assunto, afirmando: “Vou ser como o tempo, frio. Já disse o que tinha a dizer e não vou estar a comentar. O presidente é o poder máximo do clube. Estou só focado num jogo difícil neste caminho que temos traçado.” Questionado sobre se sentiu desrespeitado, a sua resposta foi igualmente concisa: “Vou desvalorizar isso. Não estou preocupado com o que acontece nos outros lados. Estou preocupado comigo e com a minha equipa. Já tive tantas faltas de respeito desde que estou no Sporting que não é algo que eu dou valor, honestamente.” As palavras de Rui Borges demonstram uma clara intenção de focar a atenção nos aspetos desportivos da equipa, evitando distrações externas. A sua postura reitera a necessidade de manter o foco no objetivo principal, que passa por “Se queremos fazer uma segunda volta extraordinária, passa por ganhar o jogo de amanhã. Tudo o resto será consequência. Estou focado no que nós queremos. A primeira volta foi boa, mas estamos em segundo. Para sermos primeiros, temos de fazer melhor do que a primeira volta. É difícil? É, mas queremos muito. Para conseguirmos, passa pelo jogo de amanhã. Do outro lado também existem equipas fortes. Dentro da nossa vontade e querer, de ser campeão, passa muito pelo nosso jogo. Temos de trabalhar muito e ganhar, dê por onde der.” A determinação em alcançar o título é patente, com o jogo contra o Braga a ser encarado como um passo fundamental nesse percurso, independentemente do resultado no confronto entre Benfica e FC Porto, pois “Ganhar o Sporting” é o mais importante para o técnico.