Benni McCarthy critica declarações de Mourinho sobre caso Vinícius Júnior

  1. Benni McCarthy criticou declarações de Mourinho.
  2. Mourinho é "o tipo mais íntegro".
  3. Liam Rosenior defende "tolerância zero".
  4. McCarthy lamenta falta de diálogo sobre racismo.

Benni McCarthy, antigo avançado do FC Porto e campeão europeu sob a orientação de José Mourinho em 2004, expressou a sua desilusão com as declarações do técnico português sobre o caso Vinícius Júnior. Em entrevista à BBC, McCarthy não poupou nas críticas, considerando as palavras de Mourinho muito erradas.

Em declarações à BBC Sport, o atual selecionador do Quénia afirmou: “A situação, ele podia tê-la gerido melhor ou escolhido melhor as suas palavras, mas as emoções levaram a melhor”. McCarthy sublinhou ainda mais a sua posição, acrescentando: “Sei que prestou declarações muito erradas. Mas somos todos humanos, todos cometemos erros.”

Apesar da crítica, McCarthy fez questão de salientar a sua admiração pessoal por Mourinho: “Vindo de alguém que conheço pessoalmente e sei como se sente em relação ao nosso continente, ao nosso povo e aos jogadores que jogam para ele, é o tipo mais íntegro para quem qualquer jogador africano poderá jogar”. No entanto, a sua esperança é que o técnico admita o erro publicamente: “Penso que foi uma decisão emocional, difícil, em que talvez tenha feito uma escolha que não foi a correta e que, mais tarde, espero que venha a público dizer que cometeu um erro, porque é isso que eu gostaria de pensar, é o tipo de homem que ele é”.

O debate sobre o racismo no futebol tem sido intenso, e McCarthy partilha da opinião de Liam Rosenior, treinador do Chelsea, que defendeu uma política de tolerância zero. “Se qualquer jogador, treinador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol. É tão simples quanto isso”, disse Rosenior na quinta-feira. McCarthy lamentou que “na sociedade atual, as pessoas não estão abertas a falar sobre isso. Ainda não temos estas conversas”. Abordando a complexidade do problema, o ex-avançado acrescentou: “Há uma raça que quer ter esta conversa e a outra não está pronta. Com raiva, pode-se usar uma frase dessas, mas depois apressamo-nos a dizer que não somos racistas. Na raiva, pode sair-te uma frase, mas dizes rapidamente que não és racista. Ainda assim, estás a usar aquela coisa racista subjacente, quando estás zangado. Para que este problema desapareça, ambas as partes e ambas as raças têm de estar dispostas a falar sobre estas coisas.”