O Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) instaurou no sábado um processo ao presidente do Sporting, Frederico Varandas, por declarações no final de um jogo da I Liga, após uma participação apresentada pelo FC Porto. Esta decisão reflete a crescente tensão no futebol português, onde as rivalidades fervilham não apenas em campo, mas também nas declarações dos seus líderes.
Na zona mista do Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães, Frederico Varandas classificou como um erro arbitral o penálti que, cinco dias antes, foi assinalado em tempo de compensação a favor do Sporting na visita ao Santa Clara, nos oitavos de final da Taça de Portugal. Varandas afirmou que “as pessoas não estão habituadas ao erro natural a favor do Sporting” e defendeu que a arbitragem em Portugal é independente.
As Declarações de Frederico Varandas
As palavras de Varandas não passaram despercebidas, tendo ecoado fortemente no ambiente competitivo em Portugal. O presidente do Sporting lamentou o “nível de ruído absurdo” em torno da arbitragem, considerando que essa situação é “desadequada”. Varandas sublinhou ainda que o que é realmente “insustentável” foram “os 40 anos de reuniões entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira [ex-líderes de FC Porto e Benfica] para definirem os presidentes da LPFP ou da FPF”.
A gravidade das suas declarações sublinha uma problemática que tem vindo a ser debatida no seio do futebol português: a gestão e a percepção da justiça na arbitragem. Este discurso, que procura atribuir a culpa a outras instituições, parece, segundo alguns críticos, uma tentativa de desviar a atenção de situações passadas.
A Reação do FC Porto
O FC Porto, que terminou a primeira volta da I Liga isolado na liderança, com um recorde de 49 pontos em 51 possíveis, não hesitou em reagir às declarações de Varandas. O presidente dos ‘dragões’, André Villas-Boas, acusou o homólogo ‘leonino’ de “hipocrisia” e “memória seletiva”. Villas-Boas encarou o reconhecimento de Varandas sobre o erro arbitral como uma forma de escamotear outras situações em que, na sua visão, os bicampeões terão sido beneficiados.
A desagregação da harmonia no desporto pode ser percebida por estas trocas de acusações e pela necessidade de processos disciplinares, como o instaurado contra Varandas. Em suma, os ecos destas declarações e a reação a elas denotam que as rivalidades existem não só em campo, mas também nas palavras pronunciadas após os jogos, refletindo uma realidade complexa e tensa no futebol português.