Lajense: A Virada Épica na Luta Contra a Despromoção

  1. Marinhense 4 x 5 Lajense
  2. Guga fez 5 assistências
  3. Lajense saiu dos lugares de despromoção
  4. Decisão contra o Marialvas

A penúltima jornada da Série C do Campeonato de Portugal testemunhou um confronto eletrizante entre Marinhense e Lajense, onde a sobrevivência na competição estava em jogo. Ambas as equipas lutavam contra a despromoção. O Marinhense, em 11º lugar com 24 pontos, e o Lajense, em 10º com 26, entraram em campo cientes da importância do resultado. O início do encontro foi avassalador para a equipa da casa, que aos 5 minutos já vencia por 2-0. O terceiro golo, ainda sem resposta, chegou pouco depois, complicando seriamente a situação do conjunto açoriano, que via a despromoção cada vez mais próxima. A pressão era imensa e a descrença começava a instalar-se entre os jogadores.

“Foi muito complicado... Sofrer dois golos em menos de um minuto (4' e 5') e depois veio o terceiro (26')... Olhar à volta, estar a jogar fora de casa, contra um adversário direto, e saber que no fim dos 90 minutos, se acabasse daquela forma, já não tínhamos hipótese…”, recorda Guga, o extremo da formação da Ilha Terceira, em conversa com A BOLA. Contudo, a resiliência da equipa insular manifestou-se, muito por obra do próprio Guga. O Lajense conseguiu reduzir a desvantagem antes do intervalo, aos 37 minutos, e logo no início da segunda parte, aos 47, voltou a marcar, reacendendo a esperança. A procura pelo empate intensificou-se, e o momento de alívio chegou aos 61 minutos.

“Quando fizemos o 3-3 (61') foi um alívio. Dissemos: 'Epá, vai dar!'”, conta Guga, descrevendo a euforia que tomou conta da equipa. No entanto, a alegria durou pouco, pois o Marinhense voltou a marcar aos 66 minutos, colocando o jogo em 4-3 e mergulhando novamente o Lajense na angústia. “Logo a seguir sofremos o 4-3 (66') e dissemos: 'Fogo, como é possível?! Acabámos de empatar um jogo desta maneira e para depois sofrermos assim?!'. Foi frustrante”, confessa Guga. Com o passar do tempo, e o resultado em 3-4 a menos de dez minutos do fim, o cenário para o Lajense parecia sombrio. Contudo, dois golos providenciais, aos 79 e 86 minutos, operaram uma reviravolta inacreditável, permitindo aos açorianos sair dos lugares de despromoção a apenas uma jornada do término do campeonato. A performance de Guga foi decisiva, com o número 10 do Lajense a fazer cinco assistências para golo. “Foi tão estranho... Só quando acabou o jogo é que caí em mim e percebi que tinha feito as cinco assistências e, ao início, até pensava que só tinham sido quatro. O pessoal é que me chamou a atenção: 'Não, tu fizeste as cinco'. Inexplicável. É algo que nunca pensei que pudesse fazer”, admite. Guga detalha cada um dos passes decisivos: “A primeira assistência foi num canto. A segunda num livre lateral pela direita. A terceira em bola corrida, com um passe a rasgar entre a defesa. A quarta foi numa bola metida para mim nas costas da defesa, em que ganhei o espaço. Depois tinha o defesa a fechar-me a baliza e o guarda-redes a sair a mim e toquei para o lado, para o meu colega encostar. A quinta, se calhar, é a melhor. Dou uma virada, com um passe longo atrás do meio-campo, e a bola fica perfeita no lado oposto da defesa. O meu colega fica na cara do guarda-redes e marcou”, evoca o craque de 25 anos. O jogador ainda complementa a sua preferência: “Prefiro assistir do que marcar. Não sei porquê, é uma coisa que está em mim desde pequeno, mas que vem com naturalidade”. Guga, um esquerdino de baixa estatura que joga a descair para a direita, partilha a sua admiração pelo seu ídolo: “A minha referência no futebol é o Messi. É o único. Não há ninguém como ele”. Há até amigos, como Bruno Mendonça e Agostinho Cá, que o tratam por Messi em tom de brincadeira. Agostinho Cá, com passado na formação do Barcelona, conhece bem ambos os jogadores. Guga e Cá tiveram sucesso juntos no Fontinhas, alcançando a Liga 3 e sendo vice-campeões do Campeonato de Portugal em 2022. No entanto, Guga optou por voltar ao Lajense. “Quando regressei ao Lajense fui fazer aquilo que eu e o Simão Fonseca, o diretor desportivo, tínhamos prometido um ao outro, que era levar pela primeira vez a equipa aos nacionais. E conseguimos”, enfatiza o jogador, referindo-se a Simão Fonseca, que muito “tem de agradecer ao FM pelo cargo que, atualmente, ocupa”. O “menino da terra” também fez história nas camadas jovens: “Fui campeão nos juvenis, campeão regional e depois açoriano. O Lajense nunca tinha sido campeão na formação. Fomos os primeiros. Foi nessa altura que dei o salto para o Estoril (jogou nos sub-19 dos canarinhos, entre 2017 e 2019)”. Agora, com a história a ser escrita na equipa principal, o próximo fim de semana será decisivo. Uma vitória contra o Marialvas garantirá a permanência no Campeonato de Portugal, enquanto um empate pode não ser suficiente. “Se conseguirmos a manutenção, vai ser muito importante para o clube e tenho a certeza de que no próximo ano irá abordar o CP de outra forma”, perspetiva Guga.

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