Zé Gomes recorda goleada do Rio Ave ao Sporting e analisa o presente

  1. 20 março 2004: Rio Ave 4-0 Sporting
  2. Zé Gomes: "Eficácia de quase 100%"
  3. Rui Borges: "Humildade fantástica"
  4. Rio Ave recuperou com 4x3x3

Zé Gomes, histórico jogador do Rio Ave com mais de 160 partidas pelo clube, partilhou com A BOLA as suas memórias de uma das mais expressivas vitórias dos vilacondenses sobre o Sporting. Em 20 de março de 2004, o Rio Ave goleou os leões por 4-0 em Vila do Conde, um resultado que ainda hoje ecoa. O antigo lateral recorda esse jogo com clareza, destacando a eficácia da equipa: “Lembro-me perfeitamente de que o Sporting teve uma ou outra oportunidade e logo a seguir acabámos nós por fazer golos. Marcou o Evandro [16’ e 77’], o Jaime Júnior [25’] e o Paulo César [45’]. Tivemos uma eficácia de quase 100%, ao contrário do Sporting. Além disso, defendemos bem e estivemos num nível de concentração muito alto”, afirmou Zé Gomes.

A concentração e a capacidade de aproveitar as oportunidades foram as chaves para esse triunfo, e Zé Gomes acredita que a receita se mantém válida para o embate da próxima segunda-feira, quando o Rio Ave, já com a manutenção garantida, recebe um Sporting ainda em luta pelo segundo lugar. “Só dessa forma é que as equipas pequenas conseguem ganhar a um grande”, afirmou o antigo defesa, sublinhando a importância da abordagem: “Só é preciso 100% de concentração, aproveitar todas as oportunidades para fazer golo e não facilitar, porque, ao mínimo erro, com a qualidade que têm, os jogadores do Sporting aproveitam, como se viu no jogo contra o Vitória de Guimarães [5-1]”, acrescentou Zé Gomes.

Zé Gomes não só conhece a fundo o Rio Ave e o que é preciso para vencer os grandes, como também tem uma ligação especial à equipa técnica do Sporting. Partilhou balneário com Rui Borges no Bragança, onde o orientou no final da sua carreira de jogador. Descreve o atual treinador leonino com carinho: “O Rui [médio ofensivo] tinha boa qualidade técnica, bom passe e boa visão de jogo. Era acima da média, para aquela divisão [CP]. Na minha opinião, podia ter chegado mais longe. Como pessoa, era exatamente o que é agora, como vemos na televisão. Terra a terra, amigo do amigo e com uma humildade fantástica”, referiu Zé Gomes. A sua ligação estende-se a outros membros da equipa técnica. “Tenho lá três amigos. O Rui Borges, o Nando [Fernando Morato] e o Ricardo Chaves”, revelou, orgulhoso por ter tido um papel na ascensão de Fernando Morato: “Quando eu saí do Bragança, ele assumiu o Mirandela e levou-me o adjunto, o Nando [Fernando Morato], que eu tinha lançado.” Zé Gomes incentivou a mudança: “O Nando ligou-me a dizer que o Rui o tinha convidado para ir para o Mirandela e eu disse-lhe que ele fazia bem em ir. Levou-o porque se informou e reconheceu-lhe qualidade e competência. Felizmente, estão juntos até hoje”, concluiu Zé Gomes.

Sobre o Rio Ave, Zé Gomes reconhece que, apesar do momento de tranquilidade atual, o início da época foi desafiador. “Passou por um período de mudança, ao ser adquirido pelo Marinakis, e houve uma reestruturação muito grande. As coisas não foram fáceis inicialmente. Mas, com o passar do tempo, foram melhorando, evoluindo e a equipa finalmente está bem”, disse Zé Gomes. O antigo capitão identificou a mudança de sistema tático implementada por Sotiris Silaidopoulos como um fator crucial para a recuperação da equipa. “O Rio Ave já garantiu a manutenção e é uma equipa que evoluiu o processo, que experimentou várias estruturas de jogo e acabou por se consolidar neste 4x3x3, que, no fundo, se formos ver o histórico do clube, foi a estrutura que mais vezes deu certo”, explicou. Em suma, Zé Gomes espera que “na próxima época as coisas corram mais tranquilamente”, prevendo um futuro mais estável para o clube da foz do Ave.

Do lado do Sporting, Rui Borges tomou a decisão de conceder dupla folga ao plantel, permitindo que os jogadores recuperem energias junto de família e amigos. Esta travagem de emergência controlada, antes das decisões finais da época, visa garantir a frescura psicológica e física necessária para o sprint final, especialmente com o objetivo de terminar o campeonato invicto fora de portas. Os leões enfrentam um Rio Ave em subida de forma, e Rui Borges já alertou para a ausência de margem de erro. A expectativa é que o descanso de dois dias seja determinante para que a equipa apareça renovada em Vila do Conde, onde a ausência de Fresneda e João Simões será compensada pelos possíveis regressos de Ioannidis e Hjulmand à convocatória.

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