O reencontro entre Ian Cathro e o Arouca, esta segunda-feira, na Serra de Freita, transporta memórias de uma viragem crucial na carreira do técnico escocês. Em outubro de 2024, numa altura em que o Estoril somava apenas uma vitória em nove jogos e enfrentava a eliminação da Taça de Portugal, Cathro deparou-se com o Arouca na Amoreira sob forte pressão. Os adeptos manifestavam o seu descontentamento com assobios, apupos e uma tarja que questionava: “Treinador ou adeptos? Vocês escolhem”. Contudo, a lealdade dos seus jogadores prevaleceu, selando uma vitória expressiva por 4-1. Esta partida, inicialmente vista como o possível fim da linha para Cathro, transformou-se num ponto de viragem, iniciando uma fase de harmonia que perdura um ano e meio depois, e que o coloca agora frente ao seu antecessor, Vasco Seabra.
Do lado do Arouca, a missão é clara: garantir os três pontos para consolidar a permanência na Liga. A equipa de Vasco Seabra enfrenta um Estoril que ocupa uma posição mais confortável na tabela, com 8 pontos de vantagem. O treinador arouquense, Vasco Seabra, demonstrou confiança na capacidade da sua equipa, apesar da elevada dificuldade do confronto. “É um jogo de dificuldade elevadíssima. O Estoril é uma boa equipa, individualmente muito capaz, tem muitos jogadores de recursos técnicos muito altos, tem também sempre dois jogadores a atacar a última linha em profundidade, o que também cria dificuldades. Portanto, acredito que será um jogo onde as duas equipas vão querer ser protagonistas, duas equipas que gostam de ter a bola e de jogar para a frente. Por isso, será um jogo que vai exigir de nós o limite das nossas capacidades diante de um adversário de qualidade”, afirmou. Seabra adiantou também a importância da decisão do TAD sobre a possível despenalização de Trezza, antecipando o regresso de Barbero. “É óbvio que queremos ter essa notícia o mais rápido possível, porque naturalmente isso é importante para a preparação do jogo. Se pedimos recurso é porque sentimos que achamos que era justificado ele estar limpo para poder ir a jogo. Resta-nos aguardar a decisão, sabendo, contudo, que temos no plantel mais soluções capazes”, explicou.
A evolução das duas equipas ao longo da temporada foi também realçada por Vasco Seabra. “Espero um bom jogo, um jogo muito competitivo, em que, se nós estivermos ao nosso melhor nível, acredito que podemos competir e vencer. Sabemos que é um adversário difícil, como foi na primeira volta, e que achamos que está melhor, mas nós também estamos melhores. O Estoril é um dos melhores ataques, mas nós também temos muitos golos marcados e, em termos de processo defensivo, nós equilibrámo-nos muito nesta segunda volta e, neste aspeto, também estamos melhores. São sinais da maturidade e da evolução da nossa equipa”, constatou. O treinador sublinhou ainda a importância da paragem do campeonato para a recuperação do plantel e a manutenção da alta competitividade interna, visando a conquista de pontos para atingir os 32 pontos que garantem a permanência. “Mais do que olharmos para a classificação, porque faltam ainda sete jogos, queremos é olhar para a conquista de pontos, para isso temos que competir num nível muito alto, sabendo que o nosso adversário tem uma forma de jogar difícil de contrariar. Nós damos sempre muito valor a podermos conquistar três pontos e o próximo, com o Estoril, não fugirá à regra. Queremos dar continuidade a uma vitória que tivemos muito difícil em Moreira de Cónegos [0-1]. Queremos voltar a ganhar perante os nossos adeptos, queremos premiá-los com uma vitória, retribuindo o apoio, essa energia extra que nos continuam a dar, ajudando-nos a superar as dificuldades”, concluiu Seabra, confirmando a ausência de Dylan Nandín por lesão.