A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) agendou para o próximo dia 8 de junho, numa Assembleia Geral extraordinária no Porto, a votação crucial sobre a chave de repartição das receitas da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais da I e II Ligas. Este passo é fundamental para a implementação do modelo previsto para a época 2028/29, que impedirá os clubes de venderem os seus direitos de forma individual. O documento, elaborado pela gerência da sociedade Liga Centralização, será discutido e votado num momento de tensão entre as diferentes visões das sociedades desportivas.
O presidente da LPFP, Reinaldo Teixeira, demonstrou confiança na resolução do processo, destacando a maturidade dos envolvidos. Durante a conferência Bola Branca, da Rádio Renascença, o dirigente afirmou: “Vamos entregar o documento à Autoridade da Concorrência (AdC) até 30 de junho. O modelo de comercialização foi aprovado na Liga Centralização, na direção e no conselho da LPFP e na reunião da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Mesmo numa chave que beneficia os de baixo de forma diferente, sinto uma grande consciencialização e bom senso”. A proposta prevê que 90% dos valores totais fiquem para a I Liga, distribuídos por critérios que privilegiam o sucesso desportivo (44,2%), a repartição igualitária (33,2%), audiências e assistências (17,6%), condições de transmissão (3%) e qualidade das infraestruturas (1%).
Apesar do otimismo da LPFP, existem resistências significativas. O Benfica, que já saiu da gerência da Liga Centralização, e o Nacional, que apresentou uma proposta alternativa, têm sido críticos ao modelo. Esta discórdia levou o FC Porto a assumir uma posição assertiva através do seu CFO, José Pedro Pereira da Costa. O dirigente portuense foi claro ao avisar que, “se o caminho defendido pelo Nacional tiver seguimento”, o clube “não irá continuar a colaborar no processo de centralização” dos direitos televisivos “e combaterá política e juridicamente o modelo que seja imposto”.
A centralização, decretada pelo Governo em 2021, terá um impacto direto em acordos individuais já firmados, como o do Benfica com a NOS para as épocas 2026/27 e 2027/28. A matriz de distribuição prevê ainda um regime especial para valores que ultrapassem os 250 milhões de euros, até ao limite de 275 milhões, onde metade do excedente seria destinado aos três clubes com maior contribuição para o ranking da UEFA, dividindo-se o restante pelos restantes clubes segundo os critérios gerais. A votação de junho será, portanto, o termómetro final para saber se existe consenso ou se o futebol português caminha para um conflito jurídico sobre a gestão das suas receitas televisivas.