Ministério Público não recorre da absolvição do Benfica no caso "Saco Azul"

  1. MP não recorre de absolvição
  2. Caso "Saco Azul" encerrado
  3. Benfica e Vieira absolvidos
  4. Rui Costa: "Benfica foi ilibado"

O Ministério Público (MP) decidiu não recorrer da absolvição do Benfica e do seu ex-presidente Luís Filipe Vieira no caso Saco Azul. Esta escolha, confirmada por uma fonte ligada ao processo Lusa, marca o encerramento definitivo deste longo braço de ferro judicial que envolvia a Benfica SAD, a Benfica Estádio, Luís Filipe Vieira, Domingos Soares Oliveira e Miguel Moreira.

A deliberação do MP de não avançar com um recurso significa que o acórdão de 23 de abril, proferido pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, mantém-se inalterado. Naquela ocasião, todos os arguidos foram absolvidos das acusações relativas a um alegado esquema que, entre 2015 e 2018, teria desviado mais de 1,8 milhões de euros do clube através de contratos fictícios de consultadoria informática. O tribunal, na leitura do acórdão, salientou as dúvidas presentes sobre a acusação, invocando a dificuldade de averiguar os factos passados dez anos da sua ocorrência. O presidente do coletivo de juízes chegou mesmo a afirmar: “Somente com uma perícia técnica forense é que conseguimos saber quem fez o quê, quem entrou no sistema e que problemas informáticos foram criados. E agora era impossível, nesta fase de julgamento, fazer isso, volvidos 10 anos.”

As dúvidas estenderam-se ainda à atuação do empresário José Bernardes na empresa Questãoflexível, a quem o MP imputava a celebração de contratos alegadamente simulados com a Benfica Estádio e a Benfica SAD. “A questão tem de ver, apenas e só, com o chapéu que foi usado pelo arguido José Bernardes para fazer esses trabalhos para o Benfica. Essa é que é a grande dúvida”, frisou o juiz presidente, complementando que “há argumentos para sustentar que José Bernardes poderá ter trabalhado na [empresa] Questãoflexível para fazer trabalhos para o Benfica, mas também há argumentos contra”. Perante a impossibilidade de dissipar as incertezas, o tribunal concluiu que, “a esta distância, comparando versões de documentos, com a vaguidão que têm”, não seria possível chegar a uma conclusão isenta de dúvidas.

A notícia da absolvição foi um alívio para a instituição encarnada, conforme expresso pelo seu presidente, Rui Costa. Ao sair do tribunal, Rui Costa partilhou o seu contentamento por ver o clube ilibado de uma suspeita que pairava há uma década: “Em muitas áreas, o Benfica foi prejudicado. É evidente que quando um clube com a dimensão do Benfica está num processo desta dimensão, isso prejudica a sua imagem e tira o orgulho ou mete dúvida nos benfiquistas. Hoje devemos estar felizes por isso, porque mais uma vez o Benfica foi ilibado e [o processo] prejudicou, sim, e de que maneira ao longo destes 10 anos.” A decisão de não recorrer por parte do Ministério Público coloca, assim, um ponto final neste capítulo judicial, trazendo clareza e encerrando formalmente o caso.

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