A recente vitória do Braga sobre o Betis, que carimbou a passagem às meias-finais da Liga Europa, foi marcada por uma reviravolta épica e pela resiliência da equipa minhota. Após o empate na primeira mão, o cenário em Sevilha parecia desfavorável, com os “guerreiros” a estarem a perder por dois golos. No entanto, a crença e a personalidade demonstradas pelos jogadores foram cruciais para inverter o resultado. Vitor Carvalho, autor de um dos golos, destacou a persistência do grupo: “Nunca deixámos de acreditar, corremos atrás do resultado, que era adverso no início da partida. Lutámos até ao fim e conseguimos a vitória. Sabíamos que eles iam entrar muito fortes, empurrados pelos adeptos, com o estádio cheio. O mister deu-nos boas indicações e conseguimos corrigir no intervalo. Nós sempre acreditámos que poderíamos fazer grandes coisas. Sabíamos que os nossos duelos eram difíceis, que o sorteio tinha sido complicado e foi, mas conseguimos ser guerreiros para conseguir passar. Demonstrámos o nosso futebol e agora temos de acreditar. Passámos às meias-finais e vamos lutar ao máximo”.
O treinador Carlos Vicens, que soube motivar a equipa ao intervalo, sublinhou a importância da mentalidade. “Falámos muito da personalidade que precisaríamos de ter. Colocar muita gente por dentro, procurar o homem livre… E acabámos por sofrer dois golos muito cedo. A partir daí, é verdade que nos custou, é difícil encontrar-nos nessa altura. Mas a equipa conseguiu sobreviver a esse momento. Reencontrou-se no jogo, no ritmo, e conseguimos aproximações. Ao intervalo disse que isto era uma oportunidade única, que estávamos a apenas um golo e que tínhamos armas para causar dano, tínhamos de querer. E essa crença e essa fé no nosso trabalho trouxe oportunidades e golos”, revelou Vicens. O técnico espanhol também refletiu sobre o apoio e a crença contínua no processo: “Acreditámos no processo desde o início. Os jogadores são a parte mais importante, têm de acreditar. E fizeram-no. Treinamos todos os dias. Quando vêm às reuniões antes dos jogos, aos treinos… Dá para perceber que acreditam na ideia. Já passámos momentos mais difíceis no que toca aos resultados e sempre senti o apoio do clube. O clube acredita que precisamos de tempo para haver essa adaptação e, mesmo nos jogos que não correram bem, olhamos para as estatísticas e a equipa foi melhor do que os adversários. Precisámos de ajustar algumas coisas na defesa… Em todo este processo, nunca deixámos de acreditar. Trabalhámos sem descanso durante muito tempo para podermos chegar onde estamos agora”. Para Vicens, a vitória sobre o Betis, um “rival de máximo respeito”, é um motivo de orgulho, mas o foco já está no próximo desafio do campeonato, que ele prevê ser “muito complicado”.
Ricardo Horta, capitão da equipa, expressou o seu “orgulho” pelo feito alcançado, reconhecendo que a primeira parte não correspondeu ao que o Braga pretendia, mas que a resposta subsequente foi notável. “Sabíamos da dificuldade do jogo e sabíamos que tínhamos de ter um jogo personalizado e não o fizemos na primeira parte. Acho que a primeira parte não foi o jogo do Sp. Braga, mas ao intervalo falámos e sabíamos que era uma oportunidade única para chegar às meias-finais. A resposta foi incrível, a equipa merece muito estar nesta posição e tenho muito orgulho nesta equipa”, afirmou Horta. António Salvador, presidente do clube, também reagiu ao feito nas redes sociais, sublinhando a coragem e o trabalho da equipa. “Isto é o Sporting Clube de Braga. Que noite histórica! Mostrámos à Europa aquilo que sempre soubemos: somos feitos de coragem e muito trabalho. Obrigado aos jogadores, à equipa técnica, ao staff e a todos os que neste clube acreditaram que esta caminhada tinha de continuar. Aos mais de 2.000 adeptos que estiveram em Sevilha, que fizeram ouvir-se do primeiro ao último minuto, e a todos os nossos sócios e adeptos: é para vocês que estes dias existem! Os sócios trouxeram-nos até aqui, é por eles e com eles que seguimos. O sonho está mais vivo do que nunca”, declarou Salvador. A equipa minhota vai agora defrontar o Friburgo nas meias-finais da competição, numa repetição da sua presença nesta fase em 2010/11, quando eliminou o Benfica antes de perder com o FC Porto na final de Dublin.