A recente conquista do campeonato nacional pelo FC Porto foi um momento de glória para muitos, mas para João Costa, guarda-redes dos Dragões, as emoções foram ainda mais intensas. A sua estreia em campo no minuto 71 frente ao Santa Clara, substituindo o capitão Diogo Costa, culminou não só na concretização do sonho de ser campeão pelo seu clube do coração, mas também no inédito feito de erguer a braçadeira de capitão. Em entrevista à Sport TV, João Costa partilhou a profundidade desse momento histórico: “Além de concretizar vários sonhos — ser campeão oficialmente, a estreia no meu clube do coração —, foi o poder dizer que consegui dar a volta por cima. Quem conhece a minha história e quem acompanhou sabe que nem sempre foi fácil, em que em certos momentos o mais fácil teria sido atirar a toalha ao chão e eu nunca o fiz. Mais do que os sonhos cumpridos, é a mensagem que passamos para as pessoas. Isso é o mais importante e acho que a mensagem que eu passo é que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, nunca devemos atirar a toalha ao chão”, afirmou.
A surpresa de receber a braçadeira de capitão de Diogo Costa teve um significado ainda maior para João Costa. “Soube na hora. Foi uma surpresa do nosso capitão e teve um significado ainda maior enquanto portista e enquanto profissional de excelência. Um capitão tem que servir com alma e coração e, depois, tem que ser um exemplo dentro e fora do campo em tudo o que isso implica. Tem de conseguir elevar os outros, conseguir que os outros sejam melhores pessoas e melhores jogadores. E acho que este ato do Diogo, em passar-me a braçadeira naquele momento, fez com que passasse a mensagem que eu realmente era esse tipo de pessoa. Isso teve um peso ainda maior e agradeci ao Diogo por este momento, este reconhecimento. Tocou-me profundamente e vou levá-lo comigo para sempre”, confidenciou o guarda-redes, que já havia sido campeão em todos os escalões pelo FC Porto. O dia da sua estreia e da conquista do campeonato foi inequivocamente marcante para o jogador. “Foi o dia mais feliz da minha vida e da minha carreira, porque para mim já era especial tudo o que implicasse fazer parte da história do FC Porto, mas ser o único em alguma coisa na história do clube é ainda mais especial. É um feito que não está ao alcance de qualquer um, porque foi único e servirá de exemplo e de motivação e inspiração para todos os jovens que entraram tão cedo nesta casa, como eu entrei. É um legado que deixarei para sempre no FC Porto”, sublinhou.
Para além dos feitos em campo, João Costa revelou a sua missão crucial no balneário do FC Porto, um papel que lhe foi incutido por figuras como Jorge Costa e André Villas-Boas: transmitir a mística e os valores do clube. “Foi isso, foi transmitir todos os valores do clube, também ser um profissional de excelência, que isso é o que nos leva a poder ter o respeito dos outros, sermos um exemplo em todos os momentos. Desde ser o primeiro a chegar, estar sempre pronto para ajudar tudo e todos, sempre disponível para treinar mais um bocadinho, sempre disponível a aprender, a ouvir, sempre disponível para ajudar os outros…”, explicou. O guarda-redes detalhou as interações com colegas, como Bednarek e Rodrigo Mora, exemplificando o seu empenho em apoiar e guiar. “Eu privava muitas vezes com o Bednarek, que era o meu parceiro à mesa nos estágios. Muitas vezes ele perguntava-me como é que iriam ser os jogos, qual era a dificuldade deste estádio ou daquele, o que é que significava este jogo ou aquele para o clube... Perguntava-me também sobre a história do clube, tivemos muitas conversas sobre isso. É uma pessoa para a qual olhamos hoje e vemos ali um verdadeiro portista e um verdadeiro líder dentro do campo. Mas posso dar outros exemplos, não só enquanto portista, mas enquanto profissional, em que fiz questão de apoiar e de tentar ajudá-los. Eu passava o tempo todo com o Rodrigo Mora, tentei sempre ajudá-lo devido à época que teve. Vinha de ser um grande protagonista e nesta época, com a idade que tem, dei-lhe o máximo carinho. Criámos uma amizade única e tenho um orgulho enorme de ver o homem que está ali. E o Alberto Costa, também. Ver a maneira como terminou a época… Já tinha o seu quê de portismo, mas senti que em muitos momentos dei-lhe uma forcinha extra e uma confiança extra. É uma pessoa pela qual tenho muito carinho e a forma como ele terminou a época… Senti também a minha quota-parte em ter participado na época deles. São duas pessoas que são dois amigos, que levo para a vida e em que eu senti que também tive importância na época deles por tudo o que vivenciámos todos os dias”, concluiu João Costa, enfatizando o seu papel fundamental na coesão e espírito portista no balneário. A festa do título, inesquecível para o jogador, também reforça a sua ligação emocional ao clube. “Foram, foram muitas horas de festa e eu disse que eram momentos únicos porque nós, enquanto jogadores, ganhar títulos e presenciar momentos como presenciámos nesta festa não está ao alcance de qualquer jogador. Não são todos os jogadores que o podem vivenciar. Foi uma festa única, já celebrei muitos títulos enquanto adepto do FC Porto e não me recordo de uma festa tão grande com tanto significado quanto esta”, descreveu, dedicando as suas conquistas à família e reconhecendo o papel de Jorge Costa na sua jornada, que “também foi uma das pessoas que mais força fez para eu voltar para o FC Porto”.