João Costa realiza sonho no FC Porto e ergue braçadeira de capitão

  1. Estreia de João Costa no minuto 71.
  2. Recebe braçadeira de capitão de Diogo Costa.
  3. Já foi campeão em todos os escalões pelo FC Porto.
  4. Jorge Costa impulsionou o regresso ao FC Porto.

A recente conquista do campeonato nacional pelo FC Porto foi um momento de glória para muitos, mas para João Costa, guarda-redes dos Dragões, as emoções foram ainda mais intensas. A sua estreia em campo no minuto 71 frente ao Santa Clara, substituindo o capitão Diogo Costa, culminou não só na concretização do sonho de ser campeão pelo seu clube do coração, mas também no inédito feito de erguer a braçadeira de capitão. Em entrevista à Sport TV, João Costa partilhou a profundidade desse momento histórico: “Além de concretizar vários sonhos — ser campeão oficialmente, a estreia no meu clube do coração —, foi o poder dizer que consegui dar a volta por cima. Quem conhece a minha história e quem acompanhou sabe que nem sempre foi fácil, em que em certos momentos o mais fácil teria sido atirar a toalha ao chão e eu nunca o fiz. Mais do que os sonhos cumpridos, é a mensagem que passamos para as pessoas. Isso é o mais importante e acho que a mensagem que eu passo é que nunca devemos desistir dos nossos sonhos, nunca devemos atirar a toalha ao chão”, afirmou.

A surpresa de receber a braçadeira de capitão de Diogo Costa teve um significado ainda maior para João Costa. “Soube na hora. Foi uma surpresa do nosso capitão e teve um significado ainda maior enquanto portista e enquanto profissional de excelência. Um capitão tem que servir com alma e coração e, depois, tem que ser um exemplo dentro e fora do campo em tudo o que isso implica. Tem de conseguir elevar os outros, conseguir que os outros sejam melhores pessoas e melhores jogadores. E acho que este ato do Diogo, em passar-me a braçadeira naquele momento, fez com que passasse a mensagem que eu realmente era esse tipo de pessoa. Isso teve um peso ainda maior e agradeci ao Diogo por este momento, este reconhecimento. Tocou-me profundamente e vou levá-lo comigo para sempre”, confidenciou o guarda-redes, que já havia sido campeão em todos os escalões pelo FC Porto. O dia da sua estreia e da conquista do campeonato foi inequivocamente marcante para o jogador. “Foi o dia mais feliz da minha vida e da minha carreira, porque para mim já era especial tudo o que implicasse fazer parte da história do FC Porto, mas ser o único em alguma coisa na história do clube é ainda mais especial. É um feito que não está ao alcance de qualquer um, porque foi único e servirá de exemplo e de motivação e inspiração para todos os jovens que entraram tão cedo nesta casa, como eu entrei. É um legado que deixarei para sempre no FC Porto”, sublinhou.

Para além dos feitos em campo, João Costa revelou a sua missão crucial no balneário do FC Porto, um papel que lhe foi incutido por figuras como Jorge Costa e André Villas-Boas: transmitir a mística e os valores do clube. “Foi isso, foi transmitir todos os valores do clube, também ser um profissional de excelência, que isso é o que nos leva a poder ter o respeito dos outros, sermos um exemplo em todos os momentos. Desde ser o primeiro a chegar, estar sempre pronto para ajudar tudo e todos, sempre disponível para treinar mais um bocadinho, sempre disponível a aprender, a ouvir, sempre disponível para ajudar os outros…”, explicou. O guarda-redes detalhou as interações com colegas, como Bednarek e Rodrigo Mora, exemplificando o seu empenho em apoiar e guiar. “Eu privava muitas vezes com o Bednarek, que era o meu parceiro à mesa nos estágios. Muitas vezes ele perguntava-me como é que iriam ser os jogos, qual era a dificuldade deste estádio ou daquele, o que é que significava este jogo ou aquele para o clube... Perguntava-me também sobre a história do clube, tivemos muitas conversas sobre isso. É uma pessoa para a qual olhamos hoje e vemos ali um verdadeiro portista e um verdadeiro líder dentro do campo. Mas posso dar outros exemplos, não só enquanto portista, mas enquanto profissional, em que fiz questão de apoiar e de tentar ajudá-los. Eu passava o tempo todo com o Rodrigo Mora, tentei sempre ajudá-lo devido à época que teve. Vinha de ser um grande protagonista e nesta época, com a idade que tem, dei-lhe o máximo carinho. Criámos uma amizade única e tenho um orgulho enorme de ver o homem que está ali. E o Alberto Costa, também. Ver a maneira como terminou a época… Já tinha o seu quê de portismo, mas senti que em muitos momentos dei-lhe uma forcinha extra e uma confiança extra. É uma pessoa pela qual tenho muito carinho e a forma como ele terminou a época… Senti também a minha quota-parte em ter participado na época deles. São duas pessoas que são dois amigos, que levo para a vida e em que eu senti que também tive importância na época deles por tudo o que vivenciámos todos os dias”, concluiu João Costa, enfatizando o seu papel fundamental na coesão e espírito portista no balneário. A festa do título, inesquecível para o jogador, também reforça a sua ligação emocional ao clube. “Foram, foram muitas horas de festa e eu disse que eram momentos únicos porque nós, enquanto jogadores, ganhar títulos e presenciar momentos como presenciámos nesta festa não está ao alcance de qualquer jogador. Não são todos os jogadores que o podem vivenciar. Foi uma festa única, já celebrei muitos títulos enquanto adepto do FC Porto e não me recordo de uma festa tão grande com tanto significado quanto esta”, descreveu, dedicando as suas conquistas à família e reconhecendo o papel de Jorge Costa na sua jornada, que “também foi uma das pessoas que mais força fez para eu voltar para o FC Porto”.

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