Mourinho elogia caráter da equipa do Benfica e adia decisão sobre o seu futuro

  1. “O Benfica fez um bom jogo”, afirmou Mourinho.
  2. Equipa ainda não perdeu nenhum jogo na época.
  3. Mourinho não falou com nenhum outro clube.
  4. Decisão sobre o futuro após último jogo.

Após o empate do Benfica com o Sp. Braga, José Mourinho não poupou elogios aos seus jogadores, defendendo o caráter e a resiliência da equipa. Em declarações aos jornalistas, o técnico encarnado afirmou: “O Benfica fez um bom jogo. Só não digo muito bom porque não ganhámos e depois podia ser um bocadinho contraditório. Mas foi um bom jogo, a merecer claramente ganhar. O Benfica foi a equipa que jogou mais, que atacou e criou mais. Mas teve menos eficácia e a eficácia joga. Eles tiveram três ou quatro remates e só dois à baliza. Nós tivemos 25 remates e diria que uma dezena deles foram verdadeiros remates e não remates para a estatística. Tivemos muitas oportunidades de golo e, repito, só não digo que foi um jogo muito bom porque não ganhámos. Mas foi um bom jogo do ponto de vista coletivo e individual. (…) Fomos muito mais fortes, mas não ganhámos”, disse Mourinho.

Mourinho salientou ainda a performance da equipa ao longo da época, mesmo perante as adversidades: “Acho que é muito difícil fazer o que eles fizeram ao longo da época. Sentindo muitas coisas, nunca perderam a linha da entrega, do profissionalismo, da perseverança e da resiliência. E o facto de estarmos a uma jornada do final de a equipa ainda não ter perdido nenhum jogo, reflete o carácter da equipa. Obviamente que tivemos um par de jogos em que, culpa nossa, não tivemos a atitude correta em termos individuais ou coletivos. Há ali um par de jogos onde nem eu gostei, nem os jogadores gostaram. Pondo de parte esse par de jogos, neste último terço tivemos jogos extraordinários, como o jogo com o Sporting, o jogo em Famalicão enquanto foi jogo e hoje tivemos períodos a empurrar o Sp. Braga para trás. Em termos de intensidade e de performance, a equipa cresceu muito”, acrescentou o treinador. O técnico reforçou a sua satisfação com o grupo, dizendo: “O meu feeling é de satisfação em relação ao esforço dos jogadores e ao que puseram em termos de qualidade em campo. Não saio defraudado em relação aos meus jogadores. De todo!”. A defesa dos seus atletas prosseguiu, enfatizando a sua dignidade e humildade: “Mas é difícil sentir coisas e continuar a lutar. E eles [jogadores] sentiram coisas ao longo da época e não é fácil. Por isso, eu dou-lhes esse crédito à resiliência e à atitude. Ainda agora lhes disse: obviamente que haverá críticas e adjetivos negativos relativamente à equipa, aos jogadores e ao treinador. Mas uma coisa é o que as pessoas dizem e outra é o que sentimos. E estes jogadores, pelos menos sob o ponto de vista da atitude, também da qualidade, mas fundamentalmente ao nível do que dignifica os homens, que é a humildade e o respeito, é um grupo intocável. É um grupo com o qual eu me diverti muito e com o qual eu fui para o treino sempre feliz por estar com eles e saí do treino sempre feliz por ter trabalhado com eles. É um bom grupo de homens”, afirmou Mourinho.

Relativamente ao seu futuro no clube, Mourinho manteve-se evasivo, afirmando que a decisão sobre a próxima época seria tomada após o último jogo do campeonato. Questionado sobre se assinaria um contrato de renovação agora, a resposta foi clara e direta: “Não. Porquê? Porque 1 de março é 1 de março e porque as duas últimas semanas do campeonato não são para se pensar no contrato. São para se pensar na missão que tínhamos de fazer o milagre de ficar em segundo lugar. E quando digo milagre, não me quero alongar muito, mas acho que vocês percebem o que eu quero dizer”, explicou. O treinador insistiu na necessidade de se manter focado no trabalho e evitar distrações externas, uma vez que se iniciou a fase terminal da época: “A partir do momento em que entrámos nesta última fase da época com estes jogos que decidiam uma coisa importante para o clube, eu decidi que não queria ouvir ninguém e que queria estar isolado no meu espaço de trabalho. E depois do jogo com o Estoril, a partir de segunda-feira já poderei responder à pergunta que será o meu futuro como treinador e, mais importante do que o meu futuro, o futuro do Benfica”, detalhou Mourinho.

As especulações sobre uma possível saída para o Real Madrid foram abordadas por Mourinho, que negou qualquer contacto, sublinhando o seu compromisso com o Benfica até ao fim da época. “Claro que cabe a mim dar essa resposta. Já me viu esconder-me alguma vez das minhas decisões, das minhas responsabilidades? Mas que ninguém me obrigue a decidir ou a comunicar as minhas decisões, porque sou eu que decido os momentos. Eu não estou em condições de lhe responder. Não estou em condições”, afirmou. O técnico defendeu ainda a sua integridade profissional e respeito pelo clube: “Na minha cabeça, desde que se começou a falar de hipóteses, só havia uma coisa: trabalhar e fazer o meu melhor e não vou acabar até ao jogo com o Estoril. É o respeito que o Benfica me merece e o respeito que a minha profissão me merece. E que ninguém toque aí! A não ser que seja algum idiota que o faça, mas na minha dignidade profissional e na minha honestidade e respeito para com um clube como o Benfica é, que ninguém toque por aí”. Ele reiterou a sua decisão de se isolar de outras propostas durante este período crucial: “Tenho o direito de me ter isolado. Eu continuo a dizer que não falei com ninguém de outro clube. Agora fala-se do Real Madrid, mas podia estar a falar-se de outro clube qualquer. Não falei com ninguém. A partir do momento em que entrámos nesta fase terminal da época, acho que não fazia sentido nenhum não fazer outra coisa que não fosse concentrar-me naquilo que é o meu trabalho. A partir de domingo terei a oportunidade”. Mourinho concluiu, defendendo os seus jogadores das críticas: “Quando diz que soou a despedida, não soa a despedida. Soa ao respeito que tenho por eles [jogadores]. E soa a uma defesa antecipada, porque o futebol tem estas coisas. O futebol é muito ingrato muitas vezes e serem criticados hoje parece-me de uma injustiça muito grande. Quando os critiquei a seguir ao Casa Pia, saiu-me da alma, do coração. Mas é a minha natureza: tentar ser sempre justo com os meus jogadores. E hoje, que é o dia em que se pensa que o Benfica não terminará em segundo lugar, é o dia em que eu tenho de os defender porque acho que eles merecem. E fico-me por aqui porque não quero começar a próxima época castigado. Só falta um jogo e oito dias. Normalmente as suspensões são de 20, 30, 40 dias, quatro jogos, cinco jogos”. E sobre as consequências de possíveis castigos: “Hmm… e mesmo que seja a Liga portuguesa, já me sucedeu em Roma começar uma época com um castigo de uma época anterior e confesso-lhe que é uma situação estranha e que não é boa. Aconteceu-me na terceira época depois da final da Europa League. E não é bom. Não só por mim, mas também pelo meu clube, calma: só falta uma semana”.

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