Eusébio, a lenda do futebol português e símbolo do Benfica, protagonizou um episódio notável que o ligou de forma indelével ao Real Madrid. Em 14 de dezembro de 1972, o “Pantera Negra” vestiu a camisola merengue num jogo de homenagem a Francisco Gento, que celebrava também os 25 anos do estádio Chamartín, hoje conhecido como Santiago Bernabéu. Do outro lado, o Belenenses, cuja baliza era defendida por Félix Mourinho, figura que já tinha um histórico de confrontos com Eusébio. A sua estreia oficial pelo Benfica, em 1 de junho de 1961, é marcada por um golo de Eusébio e um penálti defendido por Félix Mourinho, num jogo em que o Benfica, desfalcado, perdeu por 4-1 com o Vitória de Setúbal na Taça de Portugal.
A admiração de Eusébio por Di Stéfano e pelo Real Madrid era notória. “Eu, em Espanha, sou Real Madrid, toda a gente sabe. Acima de tudo sou Benfica, mas adoro o Real Madrid. Fico contente se a taça ficar em Lisboa, mas se o Real Madrid ganhar também fico contente porque ficará lá na prateleira a ‘Copa Eusébio’. É bonito. Fico vaidoso de lá estar”, afirmou Eusébio em julho de 2012, quando os blancos, comandados por José Mourinho, visitaram a Luz para a Eusébio Cup. Essa declaração reflete a profundidade da sua ligação ao clube, que viria a eternizar o seu nome através da mencionada taça. Ainda criança, nutriu o sonho de ser como Alfredo Di Stéfano, um dos maiores nomes da história do Real Madrid. Esse sonho materializou-se após a vitória do Benfica por 5-2 sobre os merengues na final da Taça dos Campeões Europeus de 1962, quando Eusébio, após um histórico hat-trick e em um momento de reviravolta para as águias, dirigiu-se ao ídolo hispano-argentino para lhe pedir a camisola número 10.
Quando questionado sobre o convite do Real Madrid, Eusébio foi um dos craques convidados para homenagear Francisco Gento, que conquistou seis Taças dos Campeões Europeus pelos merengues. Além de Eusébio, outros nomes como Drobin (Arges Pitesti), Dzajic (Estrela Vermelha) e Bene (Újpest) também participaram nesse jogo histórico. “Quero agradecer do coração a vinda do Real Madrid a Lisboa, que eu conheço através de um senhor, D. Alfredo Di Stefano. Ainda em África, com dez ou 12 anos, sempre o segui. Não havia relato, mas apanhava um jornal com um mês que as pessoas deitavam fora”, disse Eusébio, evidenciando a sua gratidão por Di Stéfano e o impacto que a sua figura teve na sua vida desde tenra idade. O Real Madrid não esqueceu o seu admirador e, após o seu falecimento em 5 de janeiro de 2014, prestou-lhe homenagem com um minuto de silêncio e fumos negros no jogo contra o Celta de Vigo, em 6 de janeiro, um testemunho do respeito e reconhecimento que o clube espanhol tinha pelo “Pantera Negra”.