Apesar da eliminação da Liga dos Campeões, o Sporting deixou uma imagem de grande qualidade frente ao Arsenal, com a equipa de Rui Borges a receber rasgados elogios. “O maior elogio para tanto é que podiam ter conseguido mais”, resume a crónica do jogo, refletindo o sentimento de que os leões estiveram à altura do desafio, mesmo perante um adversário de nomeada na Europa, mais cotado e com outro tipo de investimento.
Rui Borges, o técnico leonino, abordou o desafio com uma perspetiva pragmática e motivadora. “A equipa tem de ser igual a si própria e ao que tem sido até aqui. Independentemente do adversário, daquilo que é a competição que estamos a disputar… Não preciso de falar em fome porque esta equipa demonstra-o todos os dias e a cada jogo, a ambição, coragem e prazer que têm em campo e a jogar entre eles. Temos de desfrutar do jogo com a responsabilidade inerente e ir atrás de algo inédito para o clube e para nós enquanto equipa. Vamos defrontar um grande Arsenal, mas tentar fazer o que ninguém fez na Champions: ganhar. A chama de tudo é a ambição e todos temos muita, por isso é que aqui estamos. É uma semana importante, as decisões são cada vez mais importantes, mas cientes de que no final da época estamos inseridos em tudo o que há para disputar. Isso identifica claramente o Sporting, estar nas competições a disputá-las até ao fim, a querer ganhá-las. É isso que define um grande Sporting. O que quer que se passe amanhã [quarta-feira] não apaga nada a grande temporada desta equipa e destes jogadores”, afirmou o treinador à margem da prova rainha da UEFA, antes da partida com os Gunners, destacando a mentalidade da sua equipa e a vontade de fazer história na prova. Borges realçou, ainda, que a crença na passagem era maior do que em 2023, fruto do percurso do grupo.
O treinador do Sporting continuou com a análise, apontando que era um jogo que “obriga a trabalho apenas na preparação e não tanto na motivação ou na mensagem. Todos sabiam o que estava em causa”. Em relação ao adversário, Rui Borges desvalorizou o momento menos bom do Arsenal na Premier League, enfatizando que “o futebol e a vida dão oportunidades a quem acredita muito. Se há equipa que acredita muito, é esta”. Acrescentou ainda: “É natural que uma grande equipa não ganhe sempre, mas isso até os motiva mais e vai levá-los a estar super ligados numa fase inicial, com intensidade e exigência bastante elevada. Estamos a falar de um grande clube, um jogo menos conseguido não define a época e a grande equipa que são”. O técnico defendeu a sua equipa e o seu futebol, enfatizando a comparação entre carros para demonstrar o valor da sua equipa, apesar das diferenças de orçamento com o Arsenal. “Vimos de uma derrota em casa, mas se não tentássemos disputar tínhamos levado três, passar a eliminatória seria 0,0001% de probabilidade. Arranjo sempre forma positiva de olhar para as coisas”, frisou. E, por fim, sobre a metáfora dos carros, o técnico do conjunto sportinguista afirmou: “Este grupo merece reconhecimento, merece marcar a história do Sporting ao nível das grandes lendas do clube. É acreditar, o valor é subjetivo. O Mercedes anda a 200 km/h e o Peugeot também, mesmo com o Mercedes a valer o dobro. É conhecer atalhos, estradas, saber desviar e chegar à frente… Nem sempre o carro mais rápido ganha ao da marca menos forte, chegam ambos aos 200 km/h. Depois, depende dos caminhos. O Mercedes pode parar na bomba, nós não paramos e seguimos… O valor da equipa não define o vencedor, o que define é o compromisso e a exigência do jogo”.