Num emocionante confronto da Primeira Liga, o Arouca garantiu uma vitória suada por 1-0 contra o Estrela da Amadora. O jogo, disputado sob condições desafiadoras, suscitou reações contrastantes dos treinadores, com José Faria a lamentar o que considerou um resultado injusto, enquanto Vasco Seabra elogiava a bravura e a combatividade da sua equipa.
O encontro ficou marcado por oportunidades de ambos os lados e muita disputa no meio-campo, com o golo solitário a ditar o desfecho final. A partida não só proporcionou momentos de tensão em campo, como também gerou debates acalorados sobre o desempenho das equipas e as decisões tomadas ao longo dos 90 minutos.
Análise de José Faria: Descontentamento e Injustiça
José Faria, visivelmente desapontado, expressou o seu desacordo com o resultado. “Se as pessoas forem honestas intelectualmente, não podem dizer que o resultado é justo. Tivemos as melhores oportunidades, foi um jogo incaracterístico”, afirmou o técnico do Estrela, sublinhando o seu sentimento de que a sua equipa merecia um destino melhor.
Faria aprofundou a sua análise, detalhando: “Um jogo difícil, incaracterístico, pelas condições do relvado e atmosféricas. Acho que o resultado mais justo seria o empate, as melhores oportunidades até ao golo do Arouca foram nossas: o lance do Dramé, a jogada do Jovane. Um jogo difícil e um sabor amargo. Saímos daqui com o sentimento de que poderíamos e deveríamos ter levado pontos”. O treinador lamentou ainda o momento infeliz que levou ao golo do Arouca, considerando que foi “mais demérito nosso do que propriamente mérito do Arouca.”
Vasco Seabra Exalta a Atitude do Arouca
Em contraste com a frustração do seu oponente, Vasco Seabra mostrou-se satisfeito com a exibição da sua equipa. “Mas nós fomos muito bravos, combativos, tivemos muita agressividade. Um jogo que, pelas características, nos sai um bocadinho do padrão, mas fomos sempre muito competitivos”, destacou o treinador do Arouca, elogiando a capacidade dos seus jogadores em se adaptarem às condições do jogo.
Seabra também enfatizou a importância do espírito de equipa e da superação. “Orgulho nos nossos jogadores porque defrontámos uma equipa difícil, que batalha sempre até ao final, mas nessa batalha nós mantivemos o nível e fomos para o nível do Estrela. Em termos de qualidade de jogo, penso que fomos uma equipa com mais capacidade de chegar ao último terço do adversário e criámos diversas oportunidades”.
Reação no Balneário do Estrela
José Faria revelou o ambiente de frustração que se viveu no balneário do Estrela após a derrota. “Sentimento de revolta. Os jogadores estão revoltados porque sentem que não foram e que não são inferiores a esta equipa. Já o tínhamos mostrado na primeira volta. Estão revoltados porque um ponto não mudava nada, três pontos não mudavam nada, (apenas) ficávamos mais confortáveis”, partilhou o técnico, transmitindo a insatisfação dos seus jogadores.
Apesar do revés, Faria mantém uma perspetiva pragmática. “Agora é continuar, não muda nada aquilo que temos de fazer. Uma vitória aqui não significava nada, era apenas e só mais um passo. Sentimos que, aqui e ali, não temos tido uma pontinha de sorte.”
Estratégias e Substituições
Vasco Seabra abordou as dificuldades sentidas durante o jogo e as alterações táticas que implementou. “Estávamos a sentir que, naquele momento em que o Estrela estava a começar a crescer um pouco, estávamos a precisar de um bocadinho mais de agressividade no último terço e um bocadinho mais de profundidade(…) Isso realmente puxou-nos outra vez para a frente”, explicou o treinador do Arouca, justificando as suas decisões.
O técnico arouquense elogiou o impacto das substituições na dinâmica da equipa. “Criámos diversas oportunidades, principalmente através do Brian (Mansilla) na direita, e depois com o Trezza e o Dylan (Nandín) muito ativos na pressão e no pedir (a bola) nas costas”, concluiu Seabra, destacando o contributo dos jogadores que entraram durante a partida.