Maxi Araújo, a estrela do Sporting e da seleção uruguaia, partilhou os seus momentos mais marcantes e as impressões sobre o futebol português numa entrevista ao programa Por la camiseta
, gravada em Portugal. O ala esquerdo, recentemente confirmado na lista final de Marcelo Bielsa para o Mundial, abordou a sua chegada a Alvalade, o impacto de alguns colegas de equipa e os desafios que enfrentou ao longo da sua carreira.
O jogador uruguaio começou por recordar os seus compatriotas que o precederam no Sporting. “Estiveram aqui o Coates, o Ugarte e o Franco Israel antes. A minha máxima sempre foi treinar como jogo, e foi assim que ganhei o meu espaço num grupo que me recebeu muito bem”, afirmou Maxi Araújo. No que toca aos seus colegas de equipa, o uruguaio não poupou elogios. “Pote e Trincão são muito bons e aprendo bastante com eles. Sinto-me muito bem aqui, é o clube de onde saiu o Cristiano Ronaldo e a presença dele ainda se nota...treinamos na Academia Cristiano Ronaldo”, acrescentou, destacando a influência do craque português mesmo após a sua saída do clube.
A Liga dos Campeões foi referida como o palco de alguns dos confrontos mais exigentes da carreira de Maxi Araújo. “No primeiro ano diria que foi o Saka, do Arsenal, mas esta época tenho de destacar o Olise, do Bayern...que talento! Chegou a passar por mim fazendo-me um chapéu e um túnel no lance seguinte”, recordou o atleta. A ambição de representar a sua nação é visível nas suas palavras. “Para mim, representar a seleção do Uruguai é o máximo, era o meu sonho e o do meu irmão e quando vou lá... deixa-me louco a possibilidade de usar esta camisola, às vezes ainda faltam 3 ou 4 meses para a convocatória e começo a sentir a falta de estar com os meus companheiros para falarmos e partilharmos mate”, confessou o jogador, refletindo a paixão que sente pela camisola celeste.
A concluir a entrevista, Maxi Araújo fez um emocionante desabafo sobre os momentos difíceis que superou na sua vida e a importância do clube que o formou. “O Montevideo Wanderers foi o mais importante. Nunca contei isto mas um dia cheguei tarde a um treino e disseram-me que não tinha mais desculpas. Era uma época que estava numa casa onde chovia lá dentro, e eu tinha de levantar-me de madrugada com o meu irmão que ainda era muito pequenino...chegava a dormir num colchão na casa de banho. Na semana seguinte o Jorge Giordano (antigo técnico e atual dirigente da Associação Uruguaia de Futebol) foi a minha casa e resolveu a situação...chorei muito na época mas percebi que quando dizes a verdade as coisas acontecem”, finalizou, com uma história de superação e perseverança que marcou a sua trajetória até ao topo do futebol.