Torreense conquista Taça de Portugal e garante Liga Europa

  1. Torreense de Torres Vedras venceu a Taça de Portugal
  2. Vitória garante 4,31 milhões de euros na Liga Europa
  3. Sporting cancela jantar de época após derrota
  4. 10 pessoas detidas na final da Taça de Portugal

A conquista da Taça de Portugal pelo Torreense, num triunfo por 2-1 sobre o Sporting, após prolongamento, garantiu à equipa a entrada direta na fase de liga da Liga Europa. Esta participação assegura um encaixe financeiro significativo de 4,31 milhões de euros, valor estipulado pela UEFA para os 36 clubes qualificados no ciclo de 2024 a 2027. Além deste montante, o Torreense poderá aumentar os seus cofres com os resultados obtidos nos oito jogos que disputará na Liga Europa. Cada vitória vale 450 mil euros e cada empate 150 mil euros. O clube de Torres Vedras também se beneficiará do coeficiente histórico, herdando 20% do ranking do país, mesmo sendo estreante na competição. A página especializada Football Meets Data projeta o Torreense em 2.º lugar no pote 4 (14.633) para o sorteio, podendo ambicionar ao pote 3, demonstrando o impacto financeiro e desportivo desta vitória inesperada. No sentido inverso, o Benfica aparece neste exercício no pote 1, evidenciando as diferentes realidades dos clubes portugueses no panorama europeu.

A derrota frente ao Torreense na final da Taça de Portugal teve um impacto profundo no Sporting. Após o desaire, o clube leonino cancelou o jantar de final de época. O ambiente tenso após o jogo no Jamor culminou em protestos por parte dos adeptos, resultando em vaias e insultos. Rui Borges, treinador do Sporting, comentou a performance da equipa, declarando: “Penso que não ganhámos por isso não merecemos. Sendo a produzir muito ou pouco, o adversário foi eficaz. E o Sporting foi sempre uma equipa muito reativa. É normal que sofrer um golo tão cedo acabaria por criar uma maior desconfiança ou cansaço mental do que estava a acontecer”. O treinador reconheceu que a “época não foi positiva” e que a equipa não está feliz. Abordando as críticas dos adeptos, Rui Borges afirmou: “Já entrei no Sporting sobre brasas. Mal seria se assim não fosse num clube com a grandeza do Sporting. É algo que percebo e entendo. É seguir o nosso rumo e trabalhar ainda mais para perceber onde podemos ser melhores no futuro”. Acrescentou ainda: “Descontentamento pode existir sempre desde que haja respeito. Como disse, ninguém está mais triste do que nós. Os adeptos apoiaram muito esta equipa e temos de saber viver com esse descontentamento, desde que não existam faltas de respeito”. Estes acontecimentos sublinham a desilusão de uma época sem títulos para o Sporting, que renovou contrato com Rui Borges até 2028, com mais um ano de opção.

A final da Taça de Portugal foi marcada por incidentes fora das quatro linhas, resultando na detenção de dez pessoas nas imediações do Estádio Nacional. Destas, sete foram detidas “por resistência e coação sobre funcionário [polícia]” e as restantes por “especulação, injúrias a polícia da PSP” e arremesso de objetos contra polícias. Além disso, 26 cidadãos foram identificados e conduzidos à esquadra por posse ou deflagração de artigos de pirotecnia, e cinco foram afastados do recinto por estarem alcoolizados ou sem bilhete válido. Apesar dos incidentes, a PSP destacou o “ambiente de tranquilidade e sã convivência”, permitindo que “a festa do futebol fosse vivida em segurança e sem registo de perturbações relevantes da ordem pública”. No entanto, a tensão não se limitou às bancadas. Após a entrega das medalhas, Francisco Trincão, jogador do Sporting, confrontou um adepto em momentos de grande aperto, sendo travado por um segurança. Mais tarde, o pai do jogador também se fez presente no relvado. A vitória histórica do Torreense, que se tornou a primeira equipa do segundo escalão a conquistar a Taça de Portugal, contrastou com a frustração e a controvérsia vividas pelos adeptos e jogadores do Sporting.

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