Rui Borges sobre o empate com o Tondela: "Não éramos os melhores há quinze dias, não somos os piores agora"

  1. Empate a duas bolas contra o Tondela.
  2. Rui Borges pede união do grupo.
  3. Importância de ser 2º ou 3º classificado.
  4. Daniel Bragança jogou "limitado".

Após o comprometedor empate a duas bolas frente ao Tondela, Rui Borges, treinador do Sporting, não escondeu a frustração, mas destacou a determinação em reerguer a equipa para os desafios que se avizinham no campeonato e na final da Taça de Portugal. O técnico sublinhou a importância de saber lidar com os momentos menos positivos e de manter a confiança no trabalho desenvolvido. “Não éramos os melhores do mundo há quinze dias atrás, não somos agora os piores do mundo. Frustração existe, faz parte. A forma de voltar é jamais desconfiar de nós, porque depois não conseguimos melhorar e ultrapassar o momento menos positivo, de resultados. Podíamos ter feito mais golos nos últimos dois jogos e fomos infelizes. Temos de saber lidar com a frustração, acreditar sempre na qualidade que nos trouxe até aqui e não é este momento que muda tudo para trás. Puxar uns pelos outros, juntos conseguimos ultrapassar esta fase”, afirmou Borges, apelando à união do grupo.

Questionado sobre o seu futuro e a possibilidade de renovação, Rui Borges foi perentório, direcionando o foco para o próximo desafio e desvalorizando as especulações pessoais. “Estou focado no próximo jogo, não no meu futuro e na renovação. Não era o melhor treinador do mundo há 15 dias, não sou o pior, tal como os jogadores. Eles têm feito tudo, as coisas não estão a correr como queremos. Há falta de confiança, temos de trabalhar sobre isso. Assobios é natural, faz parte do futebol, da exigência do Sporting. Queremos ganhar sempre, não estamos a conseguir. Entendo a frustração deles e temos de lidar com isso. Peço só que durante o jogo apoiem a equipa, porque eles merecem e depois, no fim, se existir frustração, faz parte e é lidar com ela”, declarou o técnico, mostrando compreensão pela reação dos adeptos, mas solicitando apoio durante os jogos.

O técnico leonino também abordou a consciência das implicações de ser segundo ou terceiro classificado para o Sporting, revelando que a equipa e a estrutura estão cientes do impacto. “Aquilo que é diálogo é diário entre todos nós. Eu sei qual é o impacto, os jogadores sabem, a estrutura sabe. Se há coisa boa que tem o Sporting, é a sua estrutura e forma de trabalhar. O futuro, todos os cenários estão lá. Eu como treinador tenho noção da diferença de ser segundo ou terceiro. Queremos ser segundos, não depende só de nós, mas sabemos o impacto disso, não podemos fugir disso e sabemos das consequências disso. Todos sabemos, é a exigência de trabalhar no Sporting", salientou Borges. A pressão, segundo o treinador, é uma constante desde o início da sua passagem pelo clube. “Eu estou pressionado desde que cheguei, trabalho num clube de exigência máxima que luta por títulos e, quando estamos longe deles, é natural que haja alguma frustração, mas pressão é desde o primeiro dia que entrei nesta casa ou desde que optei por ser treinador. Isso não entra no pensamento”, disse.

A condição física dos jogadores e o desgaste acumulado foram outros pontos abordados por Rui Borges, que admitiu dificuldades na gestão do plantel devido a lesões e à necessidade de sobrecarregar alguns atletas. “Não penso que tem a ver com isso, tem a ver com vários fatores ao longo do tempo. Alguns momentos tivemos de sobrecarregar alguns jogadores, perdemos alguns importantes e acaba por ser difícil gerir. Nota-se claramente que não estão no seu melhor em termos físicos e estão a dar tudo. Querem ajudar e é a imagem deles enquanto grupo”, explicou. O exemplo de Daniel Bragança, que entrou em campo “limitado” contra o Tondela, foi destacado pelo treinador. “Limitado, mas fez um grande jogo. Foi decisão minha, nossa, porque queria estar e percebeu que o momento não é melhor. Queria estar junto da equipa como grande capitão que é. Fez o seu melhor, esteve muito bem, foi-se controlando, mas depois dá outras coisas. O que vou fazer? É trabalho e acreditar muito na equipa que tenho. Seja no treino, aumentar a confiança e deixá-los mais leves mentalmente, que é a pior parte. Tenho de conseguir ajudar”, concluiu Rui Borges, focado em recuperar a confiança e a leveza mental dos seus jogadores.

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