João Loureiro apela à união para salvar património do Boavista

  1. João Loureiro quebra silêncio de oito anos.
  2. Estádio do Bessa irá a hasta pública.
  3. Dívidas do Boavista ultrapassam 150 milhões.
  4. Loureiro foi campeão nacional em 2000/01.

O antigo presidente do Boavista, João Loureiro, quebrou um silêncio de oito anos para lançar um veemente apelo à intervenção pública e à união para proteger o património do clube axadrezado de alegados “abutres do imobiliário”. Numa nota enviada à agência Lusa, o ex-dirigente expressou profunda preocupação com a situação que considera “perto de catastrófica” e que se deve, em grande parte, à perda de controlo da SAD.

Loureiro classificou como “estranho e surpreendente” o anúncio de hasta pública do Estádio do Bessa, numa fase crucial de negociações com credores. Apelou, para tal, ao tribunal para que considere a “enorme dimensão social do Boavista e aos milhares de desportistas que frequentam o Estádio do Bessa e as suas inúmeras valências, não validando a ganância inerente à forma como se vislumbram os posicionamentos de abutres do imobiliário”. O antigo presidente reforçou a importância de evitar que o estádio caia em “mãos de quem não deseje fazê-lo em sintonia com o Boavista”, instando todos a unirem esforços.

O ex-líder depositou a sua confiança na Câmara Municipal do Porto, crendo que esta “saberá estar ao nível das circunstâncias” na defesa daquela que classificou como “segunda maior instituição de utilidade pública da cidade”. Loureiro relembrou o passado, onde o clube “jamais” foi totalmente ressarcido pela “enorme discriminação” em apoios estatais e autárquicos durante a construção do estádio para o Euro 2004. Olhando para a atual gestão, Loureiro reconheceu que a direção do clube e a administração da SAD, eleitas no último ano, têm “tentado o seu melhor”, mas criticou a herança de uma “instituição dividida” e uma situação “perto de catastrófica”.

Defendendo a necessidade de se ultrapassarem as divisões internas e de se unirem esforços para enfrentar o que descreve como um momento “decisivo” na história do clube, o ex-dirigente estendeu o seu apelo à solidariedade à Federação Portuguesa de Futebol, à Liga Portuguesa de Futebol Profissional e aos demais clubes nacionais. Citou, inclusive, o exemplo do Bayern Munique, que “em 2003, emprestou dois milhões de euros ao rival Borussia Dortmund para evitar a sua falência”.

O Estádio do Bessa e o seu complexo desportivo estão agendados para serem leiloados na próxima semana, com um valor base de cerca de 38 milhões de euros. Esta situação agrava a já instável situação do Boavista, que acumula dívidas superiores a 150 milhões de euros. A direção atual, liderada por Rui Garrido Pereira, expressou “surpresa” e garantiu que “tudo fará para travar a venda”, contando com o apoio da claque Panteras Negras, que vai avançar com uma impugnação judicial. A SAD, presidida por Fary Faye, assegurou estar a acompanhar o processo.

Entretanto, o movimento “Unidos pelo Boavista” entregou um requerimento com 270 assinaturas a pedir uma assembleia geral extraordinária para destituir a direção e nomear uma comissão administrativa. João Loureiro, que presidiu o clube em dois mandatos (1997-2007 e 2013-2018), considera que a evolução do clube após a sua saída foi “surpreendentemente negativa”. Apontou a perda de controlo da SAD como fator determinante para a “extremamente difícil situação atual” do clube. O antigo dirigente afirmou ter alertado, à época, o então presidente da Mesa da Assembleia Geral para os riscos da operação, lamentando, porém, que, “infelizmente”, não tenha sido ouvido.

Recordou a sua saída: “Saí com o Boavista proprietário de todo o seu património e de 55 por cento da sua SAD. (...) Infelizmente, a evolução da situação do Boavista, após um período inicial, foi surpreendentemente negativa depois da minha saída, tendo ocorrido um facto que em meu entender precipitou tudo o que veio a seguir-se: a venda da maioria do capital da Boavista SAD a um investidor, ficando a instituição com apenas 10 por cento do capital, sem que o clube ficasse devidamente salvaguardado”. Para Loureiro, a transação, cujos “contornos ainda hoje não estão devidamente esclarecidos”, desencadeou uma deterioração progressiva da situação financeira do Boavista, com o passivo conjunto a ser “espantosamente multiplicado por cinco” nos anos seguintes.

O ex-dirigente ressaltou que, ao assumir a presidência em 2013, num cenário de “crise existencial” com o clube sob um Processo Especial de Revitalização (PER) e sem direção, conseguiu recuperar o Boavista, garantindo o seu regresso à I Liga em 2014/15. Deixou o cargo em 2018, apesar de um orçamento desportivo limitado, com a equipa estabilizada no primeiro escalão e mais de cinco milhões de euros em passivo liquidados.

Filho do histórico dirigente Valentim Loureiro, a quem sucedeu em 1997, João Loureiro tornou-se o presidente mais jovem de sempre a sagrar-se campeão nacional (2000/01), com 38 anos, quebrando o monopólio dos “três grandes”, um feito que só o Belenenses tinha conseguido em 1945/46. Durante o seu primeiro mandato, que terminou em 2007, o clube alcançou ainda dois segundos lugares, três participações na Liga dos Campeões e as meias-finais da Taça UEFA. Após um interregno devido ao processo Apito Dourado, do qual foi absolvido, regressou em 2013 para liderar a recuperação administrativa e desportiva da instituição, antes de ceder o testemunho a Vítor Murta em dezembro de 2018.

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Boavista: Movimento

  1. Movimento 'Unidos pelo Boavista' entrega requerimento.
  2. 270 assinaturas pedem AG extraordinária.
  3. Dívidas do clube superam 150 milhões de euros.
  4. Leilão do Estádio do Bessa agendado.

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