Rui Borges, treinador do Sporting, foi duplamente reconhecido no recente Congresso da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) em Albufeira. Além de receber o prémio da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para melhor treinador da época 2024/2025, um reconhecimento unânime pela sua conquista da dobradinha, o treinador partilhou as suas perspetivas sobre a gestão de equipas em momentos de alta pressão. Henrique Calisto, presidente da direção da ANTF, expressou a admiração pelo percurso do treinador leonino, afirmando: “A carreira de Rui Borges é um exemplo para todos: de baixo para cima, com humildade, disponibilidade e caráter. Num contexto de crítica constante, este reconhecimento torna-se ainda mais justo”
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Durante um painel dedicado ao treino de alto rendimento, Rui Borges recordou a intensidade vivida na semana da reviravolta frente ao Bodo Glimt, nos oitavos de final da Liga dos Campeões. O treinador destacou a elevada exigência psicológica: “Tínhamos de virar um resultado de 3-0. Chegámos ao fim e virámos o jogo como virámos... Estás no alto, tens de respirar e prepará-los para o Alverca. A exigência vai do oito para o 80”
. A gestão do desgaste mental, que considerou ser superior ao físico, levou-o a tomar decisões pouco convencionais, como a concessão de folgas. “Libertei-os um pouco, estiveram com as famílias e, nos dias de trabalho, tentei voltar a ligá-los. Eles perceberam que tiveram folgas, respiraram e agora tinham um jogo que precisavam de ganhar”
, explicou, salientando o impacto positivo desta abordagem.
Borges também abordou os desafios iniciais da sua adaptação ao Sporting, onde a falta de tempo para treinar foi um obstáculo: “Pelo que nos foi acontecendo, as lesões, um sistema que não era muito o meu. Eu acredito muito em treinar todos os momentos porque assim estamos mais preparados para vencer”
. A “relação humana com os jogadores”
foi outro ponto fulcral abordado pelo treinador. “Os jogadores que foram pais há meia dúzia de dias não dormem. É ter essa sensibilidade. Percebê-los. Gosto de conversar por isso. Numa conversa, entendemos muita coisa para perceber se estão preparados para aquele ciclo de jogos. Se conseguem dar resposta. Eles próprios também dizem e sentem. Acredito muito neles”
. Comparando a sua prática com a de outros treinadores de renome, concluiu de forma provocadora: “Se fosse em Portugal, era despedido”
, referindo-se à ousadia de conceder folgas em momentos cruciais. Na mesma tarde, o Prémio Vítor Oliveira foi entregue a Domingos Paciência, que, numa mensagem em vídeo, expressou o seu orgulho: “É um enorme orgulho receber um prémio com o nome de Vítor Oliveira. Foi um mestre, um líder e um verdadeiro inspirador, que fez história no nosso futebol”
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