Rui Borges do Sporting duplamente reconhecido no Congresso da ANTF

  1. Rui Borges vence prémio FPF melhor treinador.
  2. Conquista da dobradinha na época 2024/2025.
  3. Gestão de equipas sob alta pressão.
  4. Prémio Vítor Oliveira para Domingos Paciência.

Rui Borges, treinador do Sporting, foi duplamente reconhecido no recente Congresso da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) em Albufeira. Além de receber o prémio da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para melhor treinador da época 2024/2025, um reconhecimento unânime pela sua conquista da dobradinha, o treinador partilhou as suas perspetivas sobre a gestão de equipas em momentos de alta pressão. Henrique Calisto, presidente da direção da ANTF, expressou a admiração pelo percurso do treinador leonino, afirmando: “A carreira de Rui Borges é um exemplo para todos: de baixo para cima, com humildade, disponibilidade e caráter. Num contexto de crítica constante, este reconhecimento torna-se ainda mais justo”.

Durante um painel dedicado ao treino de alto rendimento, Rui Borges recordou a intensidade vivida na semana da reviravolta frente ao Bodo Glimt, nos oitavos de final da Liga dos Campeões. O treinador destacou a elevada exigência psicológica: “Tínhamos de virar um resultado de 3-0. Chegámos ao fim e virámos o jogo como virámos... Estás no alto, tens de respirar e prepará-los para o Alverca. A exigência vai do oito para o 80”. A gestão do desgaste mental, que considerou ser superior ao físico, levou-o a tomar decisões pouco convencionais, como a concessão de folgas. “Libertei-os um pouco, estiveram com as famílias e, nos dias de trabalho, tentei voltar a ligá-los. Eles perceberam que tiveram folgas, respiraram e agora tinham um jogo que precisavam de ganhar”, explicou, salientando o impacto positivo desta abordagem.

Borges também abordou os desafios iniciais da sua adaptação ao Sporting, onde a falta de tempo para treinar foi um obstáculo: “Pelo que nos foi acontecendo, as lesões, um sistema que não era muito o meu. Eu acredito muito em treinar todos os momentos porque assim estamos mais preparados para vencer”. A “relação humana com os jogadores” foi outro ponto fulcral abordado pelo treinador. “Os jogadores que foram pais há meia dúzia de dias não dormem. É ter essa sensibilidade. Percebê-los. Gosto de conversar por isso. Numa conversa, entendemos muita coisa para perceber se estão preparados para aquele ciclo de jogos. Se conseguem dar resposta. Eles próprios também dizem e sentem. Acredito muito neles”. Comparando a sua prática com a de outros treinadores de renome, concluiu de forma provocadora: “Se fosse em Portugal, era despedido”, referindo-se à ousadia de conceder folgas em momentos cruciais. Na mesma tarde, o Prémio Vítor Oliveira foi entregue a Domingos Paciência, que, numa mensagem em vídeo, expressou o seu orgulho: “É um enorme orgulho receber um prémio com o nome de Vítor Oliveira. Foi um mestre, um líder e um verdadeiro inspirador, que fez história no nosso futebol”.

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