A Seleção Nacional de Portugal embarca hoje para Cancún, no México, para um estágio de preparação para o Mundial 2026 e um amigável contra a seleção local no sábado. Esta decisão de realizar jogos do outro lado do Atlântico, que inclui, posteriormente, uma viagem a Atlanta para um segundo encontro, visa proporcionar uma vantagem logística à equipa no que concerne à adaptação às condições que poderá encontrar durante o Campeonato do Mundo. Roberto Martínez, o selecionador nacional, sublinhou a importância desta digressão para a preparação da equipa neste contexto. “É uma oportunidade para experimentar e poupar tempo em junho, altura em que já não há margem de erro”, afirmou o técnico espanhol, realçando que este tipo de preparação é crucial, já que “fazer dois jogos este mês em Portugal não serviria para nada”.
As exigências físicas e logísticas para os jogadores são consideráveis, dadas as viagens transcontinentais e as condições dos locais dos jogos. A equipa terá de se adaptar à diferença horária de duas horas e à altitude de 2200 metros do Estádio Azteca, onde o ar rarefeito exige uma adaptação. “A nossa responsabilidade é preparar o Mundial”, acrescentou Martínez, destacando o foco da equipa em “trabalhar muito o protocolo de mudança de horários e altitude”. O selecionador também reconheceu os desafios que esta preparação impõe aos clubes. “A exigência do futebol de clubes e de seleções é sempre difícil de gerir”, disse. “Fui treinador da Premier League durante sete anos e não gostava quando os jogadores iam à seleção. Mas também sei que o momento mais importante para um jogador é vestir a camisola do país.”
A escolha de destinos tão distantes para a preparação é uma estratégia partilhada por outras seleções de topo. França e Bélgica também optaram por testar os seus jogadores em locais remotos. Didier Deschamps, selecionador francês, confessou que “não é o ideal do ponto de vista desportivo” realizar tantas viagens, mas que existem “outros fatores a serem considerados” na preparação para a competição. A Espanha, por sua vez, enfrentou um cancelamento inesperado do jogo da Finalíssima e teve de ajustar a sua agenda com amigáveis na Europa. O selecionador espanhol, Luis de la Fuente, aceitou com naturalidade as alterações, afirmando que “daqui até junho existirão mais contratempos.” Países Baixos, Inglaterra e Alemanha, por outro lado, optaram por ficar no continente europeu para os seus amigáveis, enfrentando, ainda assim, “adversários inusitados, mas mundialistas”.
Ainda que a logística domine as preocupações, a busca pela qualificação para o Mundial continua para várias seleções. O Grupo K, onde Portugal está inserido, ainda não tem todos os seus adversários definidos, aguardando os resultados dos playoffs intercontinentais. Equipas como a Itália, Dinamarca e Polónia, que já estiveram no Mundial 2022, ainda batalham pela sua vaga, o que demonstra a complexidade e a competitividade do futebol internacional até à fase final do Campeonato do Mundo. O “papel da equipa técnica é esperar o inesperado”, como referiu cautelosamente o técnico espanhol. Este cenário sugere que a preparação de Portugal, embora desafiadora, é um passo estratégico para minimizar surpresas e maximizar o desempenho no torneio mais importante do futebol mundial.