SJPF lança projeto "Suja a tua camisola por uma causa" para promover ativismo social em jogadoras

  1. SJPF lança projeto "Suja a tua camisola por uma causa".
  2. Joaquim Evangelista: "as futebolistas podem desempenhar uma ação transformadora".
  3. Catarina Realista exemplifica conciliação entre futebol e academia.
  4. Beatriz Cameirão: "Ser atleta e mãe é um direito".

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) apresentou o projeto “Suja a tua camisola por uma causa”, uma iniciativa que visa incentivar o ativismo e a responsabilidade social das jogadoras. O presidente do SJPF, Joaquim Evangelista, destaca que “a ideia é procurar incentivar o ativismo e a responsabilidade social das jogadoras de futebol. As futebolistas podem desempenhar uma ação transformadora na sociedade”. Este projeto emerge da crença do Sindicato de que as atletas são “pessoas multidimensionais, com percursos, desafios e ambições na esfera pessoal, profissional e social”, e estrutura-se em seis pilares fundamentais: educação, inclusão e diversidade, maternidade, saúde mental, igualdade de género e empreendedorismo.

A educação é um dos pilares centrais, e a jogadora do Racing Power, Catarina Realista, é citada como um exemplo inspirador na conciliação entre o futebol e a formação académica. Realista sublinha a importância da formação, afirmando que “há poucas jogadoras com cursos superiores. Há um grande foco no futebol, mas há um futuro depois. Quando a carreira termina, quais são as opções? A educação é importante para abrir portas para o que vem a seguir”. A maternidade é outro tópico crucial, com Evangelista a notar que esta “chegou a ser vista como um 'ponto final na carreira de uma atleta'”, mas é hoje “parte normal da vida”, apesar dos obstáculos. Ele reforça que “ser atleta e mãe é um direito e não um privilégio”. Beatriz Cameirão, jogadora do Benfica e embaixadora para a maternidade, expressou o seu orgulho, declarando: “não podemos esperar que as jogadoras acabem as carreiras para serem mães. A maternidade é um tema que precisa de ser aprofundado, porque há muito por fazer, ainda”.

No pilar da saúde mental, Evangelista elogiou a resiliência de Madalena Marau, do Racing Power, ao superar duas roturas dos ligamentos, realçando que “cuidar da mente é, também, um ato de coragem”. Madalena Marau partilhou a sua experiência, afirmando que “a saúde mental está pouco 'esmiuçada' no nosso meio e é uma parte muito importante. Eu precisei de ajuda quando tive as minhas lesões e é bom poder, agora, ajudar atletas que podem passar pelo mesmo”. Rita Fontemanha, atleta do Sporting e embaixadora para o empreendedorismo, enfatiza a necessidade de um plano B para a vida pós-carreira. Ela assinala que “a questão do pós-carreira tem de ser aprofundada. Há poucos planos para os atletas no pós-carreira. (O futebol) É uma carreira de curta duração e o luto de deixar de jogar também é difícil, mas é um tema com urgência porque os atletas se sentem perdidos. É importante ter um 'plano B'. Pensar no pós-carreira não é pensar em acabar a carreira, é preparar o futuro”. Rute Costa, guarda-redes do Torreense e embaixadora para a inclusão e diversidade, enfatizou, numa mensagem, a necessidade de “usar o futebol como ferramenta de respeito e mudança”, dado que as mulheres “sofrem camadas adicionais de discriminação”. Tatiana Pinto, jogadora da Juventus e embaixadora para a igualdade de género, ausente, defendeu que o “desenvolvimento sustentável do futebol exige justiça, equidade e igualdade de oportunidades para todos”, sublinhando a importância de denunciar assédios. Além disso, o presidente do SJPF apelou pela tolerância zero contra episódios de racismo, exigindo uma investigação rápida e eficaz sobre os incidentes ocorridos no jogo entre Benfica e Real Madrid.

Qual é o teu clube?
check_circle
Notícias do ativadas