Eleições no Sporting: Sócios escolherão o futuro do clube

  1. 75.817 sócios habilitados a votar
  2. Eleições desde 2017 com duas listas
  3. Dívidas acumuladas e passivo crescente
  4. Falta de investimento na Academia e modalidades

As eleições para os órgãos sociais do Sporting, agendadas para este sábado, prometem atrair uma significativa mobilização, com 75.817 sócios habilitados a exercer o seu direito de voto. Estes associados totalizam um impressionante universo de 303.324 votos, um número que reflete a antiguidade de filiação no clube, que concede mais poder de voto com o tempo. A votação decorrerá no Pavilhão João Rocha, em Lisboa, entre as 09:00 e as 20:00, e os sócios em espera poderão votar nos terminais eletrónicos. Este evento marca a presença de duas listas em eleições leoninas desde 2017, quando Bruno de Carvalho foi reeleito. Os destaques desta eleição serão Frederico Varandas, presidente em exercício, e Bruno Sorreluz, conhecido como Bruno Sá, um empresário que se apresenta como alternativa e que já se pronunciou sobre o que considera ser uma ausência de democracia no clube.

Bruno Sorreluz, também conhecido como Bruno Sá, expressa uma visão crítica sobre a atual gestão do Sporting. “A principal razão da minha candidatura são os sócios. O Sporting está num momento de vitórias, é verdade, mas há um grande distanciamento dos sócios e poucos canais para discutir o Sporting. Falta de projeto desportivo e falta de democracia. Isso fez-me avançar”, confessou o empresário à agência Lusa. Esta preocupação com a participação dos sócios é um dos pilares da sua campanha. Sorreluz, antigo ginasta e basquetebolista do emblema de Alvalade, enfatiza a sua ligação de 40 anos ao clube. “São 40 anos disto”, afirma, referindo-se à sua longa história no Sporting. O seu restaurante, ‘Cantinho do Sá’, tornou-se um ponto de encontro e discussão entre sportinguistas, o que o levou a sentir-se na posição de “querer representar muita gente, pessoas que percebem que, mesmo com as recentes vitórias, há coisas que não estão bem. E é preciso alertar aqueles que não percebem isso”. Crítico, Sorreluz aponta: “Curiosamente, o Frederico Varandas é das poucas pessoas que nunca meteu cá os pés”. A sua visão é que “O Sporting está virado para a parte empresarial e não para os sócios. Não penso o Sporting dessa maneira. Restará muito pouco aos sócios. Quem vive o clube de 15 em 15 dias acha que está tudo bem. Quem vive como eu, diariamente, sabe que não”. O candidato da Lista A vai mais longe, afirmando que Varandas “só quer ser presidente daqueles que pagam” e relatou problemas inesperados após o anúncio da sua candidatura: “Vivemos o que parecem ser tempos de ditadura. Subitamente, fui impedido de escrever em algumas publicações e, desde que sou candidato, já apareceu a polícia aqui quatro vezes. Varandas leva a minha candidatura como uma afronta e não como democracia”.

As preocupações de Sorreluz estendem-se à gestão financeira e ao projeto desportivo. Apesar de elogiar o “caráter e humildade” de Rui Borges, treinador da equipa principal, ele sugere que o técnico tem “disfarçado” a falta de um projeto desportivo claro após a saída de Ruben Amorim. O candidato expressa dúvidas sobre a transparência do clube, levantando questões sobre um empréstimo. “Há um empréstimo de 250 milhões de euros pouco claro. O Sporting está a ganhar, mas as dívidas estão a acumular-se, por exemplo, aos fornecedores, e o passivo também está a aumentar. Entretanto, há aumentos sucessivos para o presidente sem ouvir os sócios”, questiona. A falta de investimento na Academia de Alcochete e nas modalidades é outra das suas críticas, onde, segundo ele, “Há um grande problema de relvados na academia. No futebol feminino, ninguém percebe quem lidera. Há falta de investimento nas modalidades e os atletas sentem falta de um presidente presente, de apoio do presidente. Quando a bola entra, as pessoas não estão atentas, mas eu estou e estou cá para isso”. Estas eleições, com um número recorde de votantes em 2018 (22.510) e em 2020 (14.795), prometem um debate intenso sobre o futuro do clube e a forma como este se relaciona com os seus sócios e a sua identidade. Um sócio, com a sua voz, capturou o sentimento de muitos: “Não me tiraram o amor, mas tiraram-me a paixão”. Outro, com décadas de ligação, contou-lhe “emocionado que já não consegue um bilhete para ver o Sporting”. A questão da bilhética e a prioridade a “clientes do We Are Our Legacy” em detrimento daqueles que sempre apoiaram a equipa, é um ponto de discussão. Sorreluz argumenta que a direção vende a ideia de que o Sporting é um “hub de entretenimento”, mas “Somos mais, muito mais do que isso. Somos um clube desportivo. Somos o grande Sporting Clube de Portugal”. Em contraste com a visão empresarial, o candidato defende que “o desporto não é um negócio qualquer. Vive de paixão, emoção e pertença”. Ele cita exemplos internacionais onde clubes estão a “regressar à consciência do que é essencial: voltar à base, recuperar lugares em pé nos estádios e trazer de volta a identidade”. A sua principal preocupação é que, “no Sporting, parece estar a acontecer o contrário. Em vez de aproximar quem vive o clube com emoção, privilegia-se cada vez mais o cliente”. Assim, a votação deste sábado será um momento decisivo para o Sporting, com os sócios a terem a palavra final sobre o rumo que o clube irá tomar até 2030.

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